sábado, 21 de maio de 2016

O Empratamento Da Sábado


O ministro da educação terá recebido dinheiro indevido da FCT para realizar o seu doutoramento nos Estados Unidos e há um professor, que diz ter sido seu orientador, que o acusa de crime.


O valor notícia parece-me evidente, mas aquilo que me causa mais perplexidade é o empratamento.

A revista teve acesso às cartas trocadas entre Brandão Rodrigues e a FCT, aos documentos que comprovam a atribuição das bolsas e até ao cheque que mostra que Tiago Brandão Rodrigues recebeu dinheiro indevido, mas que o devolveu.

Com todos estes ingredientes, a revista optou por servir aos seus leitores uma entrevista com uma das fontes desta "investigação". Chama-se Rui Carvalho, é professor da Universidade de Coimbra e terá orientado o ministro da educação na tese de doutoramento, desenvolvida entre Espanha, Portugal e os Estados Unidos.

Desta forma a revista Sábado não tem que fazer investigação jornalística, apresenta uma entrevista onde a responsabilidade de tudo o que é dito recai sobre o protagonista dessa mesma entrevista. Ainda assim, depois de muita celeuma (que era previsível, tal a gravidade da situação) a Sábado decide publicar os documentos que comprovam a versão de Rui Carvalho. Mas porque é que a revista, tendo acesso a tantas fontes, não decidiu fazer uma grande reportagem? 

Não conheço, como é óbvio a resposta, mas ela pode estar em tudo o que aconteceu nos dias seguintes à publicação desta matéria: a FCT veio desmentir o crime; a Universidade de Coimbra também veio dizer que nada de ilegal tinha acontecido; multiplicaram-se os exemplos de antigos doutorandos da FCT a quem também haviam sido entregues verbas por excesso, tendo que as devolver depois e levantaram-se questões tão simples como: porque é que o Professor Rui Carvalho só decide falar 14 anos depois do sucedido. 14 anos depois...

Associada a esta pergunta surge o timing. Não será displicente relacionar o sucedido à questão dos colégios privados que durante décadas receberam financiamentos indevidos com o aval de sucessivos governos, quer do PS, quer do PSD, demonstrando o poder de um lóbi fortíssimo.

Parece-me que a revista Sábado ponderou fazer uma grande investigação, mas como as regras do jornalismo obrigam a que se ouçam todas as partes para que no fim seja apurada a verdade dos factos e essa verdade não ajudava a acusar o ministro Tiago Brandão Rodrigues, a revista ficou-se por um singela entrevista que diz aquilo que um jornalista não pode dizer sem provas cabais: que um ministro cometeu um crime. 

Parece-me que foi cometido um erro grave. O jornalismo nunca deve ter outros objetivos que não os de informar. Apenas informar.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Garcia Pereira, O Ofendido

O Sr. Dr. António Pestana Garcia Pereira perdeu um processo judicial que levantou contra José Manuel Coelho - aquele Sr. que se despiu recentemente na Assembleia da Madeira.

Até aqui tudo normal. O que impressiona é o conteúdo do processo que Garcia Pereira levantou contra José Manuel Coelho. O líder do PCTP MRPP sentiu-se ofendido porque o deputado madeirense disse que ele pertencia à CIA e à Maçonaria. 

Ora, Garcia Pereira não gosta de se ver ligado a uma instituição "responsável por inúmeras violações de direitos humanos, golpes de estado e assassinatos políticos." 

Mas o Sr. não é Maoísta? Então qual é o problema? 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Correio Da Manhã A Identificar O Mau Jornalismo

Eduardo Dâmaso, diretor adjunto do Correio da Manhã, vem hoje fazer uma pergunta que toda a gente faz quando vê a devassa excrementícia que o seu aglomerado de folhas em forma de jornal faz regularmente: "Para que servem, afinal, um sindicato, uma ERC ou uma comissão da carteira que só se ‘amotinam’ com inquietações seletivas?"

O Correio da Manhã é o que é, mas um bocadinho de vergonha na cara não lhe fazia mal nenhum...


Para que servem, afinal, um sindicato, uma ERC ou uma comissão da carteira que só se ‘amotinam’ com inquietações seletivas?

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/detalhe/jornalismo_amotinado.html
Para que servem, afinal, um sindicato, uma ERC ou uma comissão da carteira que só se ‘amotinam’ com inquietações seletivas?

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/detalhe/jornalismo_amotinado.html

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Obrigado David Dinis

Hoje o David Dinis sai do Observador e despede-se dos seus leitores de forma emotiva.

Juntamente com o José Manuel Fernandes e o Diogo Queiroz de Andrade criou um novo meio de comunicação social em Portugal que veio dar uma nova esperança ao jornalismo que muitos diziam moribundo.

É certo que o Observador não descobriu o tão procurado modelo de negócio que dará ao jornalismo a vida eterna, mas foi responsável por uma revolução em Portugal que fez mexer todos os jornais, revistas, rádios e televisões. Até os mais vetustos. O Expresso, por exemplo, sentiu-se acossado e lançou-se na plataformas online com o Expresso Diário, as Newsletters e lavou a cara ao seu site com novo grafismo e novos conteúdos verdadeiramente multimédia.

Muitos foram os meios de comunicação social que criaram novos sites e, atualmente, o meu email está cheio de Newsletters que não existiam antes do Observador nascer.

Ainda há muito a melhorar, mas quero agradecer ao Observador (e ao David Dinis!) por ter agitado o jornalismo e o ter feito acordar para a realidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Adeus Cavaco


Chegados ao fim de 2015 o melhor augúrio de que 2016 seria um ano melhor que o precedente era o desaparecimento de Cavaco. Qualquer um que lhe sucedesse só podia ser melhor. Marcelo não seria a minha primeira escolha, mas como diz hoje (na Visão) Ricardo Araújo Pereira "foi eleito há quatro dias e já é o melhor Presidente da República dos últimos 10 anos". E acrescenta: "suceder a Cavaco Silva na presidência é como casar em segundas núpcias com Tina Turner. Depois daquele primeiro marido, qualquer homem é um príncipe".

Não tenho mais nada a dizer...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Elogio Do Transporte Público

A autarquia de Lisboa parece estar empenhada em mudar a face da cidade estando a promover um conjunto de obras públicas que vão mudar algumas das praças mais movimentadas e vão dar mais verde à cidade.

Não sei se os objetivos do presidente vão ser atingidos no tempo a que se propõem (2017), mas é louvável a ideia de retirar lugares de estacionamento dando primazia aos passeios mais largos, às faixas para transportes públicos, às ciclovias e às árvores, muitas árvores.

As nossas cidades estão cada vez mais apinhadas de carros que circulam em estradas largas, roubando espaço aos passeios. Pior ainda, qualquer lugar é bom para estacionar um carro.

Devemos investir mais nos transportes públicos e, a par disso, desinvestir no transporte individual. As multas por estacionamento abusivo têm que aumentar e o valor por estacionar um carro no centro de uma cidade deve ser altamente proibitivo. As questões do trânsito têm que ser ligadas diretamente às questões do transporte coletivo de pessoas. O dinheiro das multas deve ser canalizado para melhorar autocarros, metros e elétricos ao mesmo tempo que se lhes baixam os preços.

Se falarmos dos transportes de longo curso, o problema é ainda mais gritante. Numa viagem de três pessoas entre Coimbra e Lisboa fica mais barato ir de carro do que de comboio. Ora, se no carro vou às horas que quiser, posso levar muita bagagem, não tenho que levar com pessoas a fazer barulho e a ressonar, demoro menos tempo e ainda por cima é mais barato, porque hei-de eu optar pelo comboio?

O certo é que não me parece que este caminho tenha retorno, pelo menos no imediato. Foram anos consecutivos a investir no asfalto e a deixar quieta a forma mais limpa, segura e confortável de viajar. Não há linhas de comboio novas e as que existem estão em péssimas condições. Basta uma ventania e lá se vão as cantenárias da Refer que deixam os comboios parados horas a fio na linha e fazem os passageiros jurarem que nunca mais vão apanhar um comboio.

Numa das últimas vezes que andei de comboio, optei pelo Alfa Pendular. Uma composição confortável, limpa e de altíssimo nível. O seu interior faz lembrar os aviões e o exterior um meio de transporte futurista. É, aliás, a imagem de marca da CP. E com razão, afinal é o comboio ideal para as dimensões geográficas do nosso país. Não precisamos de um TGV quando temos um comboio que circula a 220km/h em velocidade cruzeiro.

No entanto as condições deploráveis em que a Refer mantém as linhas férreas não permitem que esta máquina cumpra as suas funções. Nesta viagem que disse que fiz no Alfa Pendular foram raras as vezes que o mostrador apresentado aos passageiros indicou que o comboio circulava à velocidade máxima.

Se queremos cidades mais funcionais temos que penalizar quem emperra a engrenagem e beneficiar quem lhe dá óleo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Quem Tem Culpa?


O David era um jovem de 29 anos que morreu no hospital de S. José, em Lisboa, depois de ter entrado nas urgências e de lhe ser diagnosticado o rompimento de um aneurisma. Para este tipo de casos é necessária uma intervenção cirúrgica imediatamente após o diagnóstico. Este jovem não teve direito a ser tratado de forma conveniente porque os médicos especialistas neste tipo de intervenção não estavam disponíveis durante o fim de semana (altura em que o caso aconteceu).

E porque é que os médicos e enfermeiros não estavam disponíveis?
A resposta é simples: porque o ministro da saúde de Passos Coelho lhes cortou o vencimento pago por fim de semana em 50%. Não concordando com o corte estes profissionais simplesmente deixaram de prestar serviço ao fim de semana.

A realidade é que o hospital em que o David deu entrada tinha neurocirurgiões disponíveis, mas para este tipo de caso são necessários profissionais especializados especificamente neste tipo de doença e foram precisamente estes profissionais que recusaram trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Ministério da Saúde oferecia.

De acordo com o Expresso o corte aqui referido incidia sobre as horas extraordinárias que eram pagas a estes profissionais para estarem em suas casas à espera de serem chamados para uma urgência. Estes médicos e enfermeiros ganhavam, depois dos cortes aplicados, €250 e €130, respetivamente. Reforço: não precisavam de estar no hospital, só tinham que lá ir se fossem chamados para uma urgência, como a que aconteceu com o David.

Mais uma vez, os governos democraticamente eleitos pelos portugueses estão nas mãos de corporações com interesses exclusivamente pessoais. Não podemos esconder que o David morreu por fala de assistência médica, justificada por um pagamento inferior àquilo que os médicos e enfermeiros acham justo.

Se no caso das greves no setor dos transportes os interesses exclusivos dos trabalhadores "apenas" fazem pessoas perderem os empregos porque chegam atrasadas, no caso do setor da saúde estas greves egoístas "apenas" fazem perder vidas.

Todos os trabalhadores, de todos os setores, têm o direito de se manifestar e reivindicar melhores condições de trabalho, mas a luta pelos direitos individuais só é aceitável num estado de direito se não colidir frontalmente com outros direitos de outros cidadãos.

Os médicos e enfermeiros não querem que os outros decidam o que é melhor para si, mas acham-se no direito de decidir o que é melhor para o David e para as outras quatro pessoas que eles decidiram que deviam morrer para eles reivindicarem os seus direitos!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Banca É O Melhor Negócio Do Mundo

Depois da queda de 4 - quatro! - bancos portugueses ficámos a saber que este é um dos negócios mais rentáveis e, ao mesmo tempo, um dos que menos riscos envolvem.

Em primeiro lugar este é um negócio que os políticos levam ao colo. Sob o pretexto de contaminação da economia Cavaco é o primeiro embaixador do negócio da banca. Já alertou várias vezes para os "riscos sistémicos" da falência de uma destas instituições. Das poucas vezes que fala, o "palhaço" elege quase sempre este tema.

A nossa União, tão pouco importada com os problemas sociais que países como Portugal, Grécia ou Espanha evidenciam, não se poupa a esforços quando um banco está em dificuldades. No caso do BES até aprovou prontamente legislação exclusiva para evitar o contágio dos outros bancos. O estado, esse, é que apanha sempre com as infeções!

Estamos habituados a que esta economia liberal funcione "com o mínimo de influência do estado". Esta prática é verdade para a maioria das pequenas e médias empresas que têm que pagar impostos e vivem, mês após mês com a corda no pescoço sem saber como pagar salários e com as finanças de arma em punho. No caso destes colossos que fazem funcionar a economia, o estado enterra dinheiro ano após ano, para depois os vender por tua-e-meia a outros bancos que, quando precisarem de falir, cá está o estado para os segurar!

Que mercado é este que olha para a economia sob o ponto de vista liberal, e apenas aplica as regras de Smith aos hospitais, escolas e meios de transporte, usando as de Marx para lidar com os bancos?

Se um banco, por mais pequeno que seja, é demasiado grande para falir das duas uma... Ou não deve ser privado, ou os Carlos Costas e Constâncio desta vida têm que fazer o seu trabalho como deve ser.

P.s.: Vitor Constâncio fez tão bem o seu trabalho que, depois da borrada com o BPN, foi promovido a alto quadro do Banco Central Europeu. Para onde irá Carlos Costa? 

domingo, 22 de novembro de 2015

Não Há Segurança A Cima Da Liberdade

Vista de Paris a partir da Torre Eiffel em Fevereiro de 2012 ©Cláudia Paiva
Numa altura em que a Europa anda completamente desnorteada e sem saber se deve escolher a liberdade ou a segurança fiquemos com a frase do americano Benjamin Franklin:
"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança."
É importante perceber que o preço a pagar por uma sociedade aberta, livre e justa pode ser, muitas vezes, morrer com um tiro na cabeça disparado por um louco que se aproveita da conjuntura da qual discorda para semear o medo.

Os indivíduos que espalharam o terror em Paris só o conseguiram fazer porque se aproveitaram das aberturas próprias de uma sociedade democrática e respeitadora da privacidade individual. Só o conseguiram fazer porque se aproveitaram da liberdade que os ofende. A liberdade que os irrita. A liberdade que faz de nós - ocidentais - uma sociedade mais evoluída.


Agora à que reagir. Voltar às esplanadas, aos concertos, aos jogos de futebol. À que voltar a ter liberdade. Não devemos olhar para os atentados terroristas como uma inevitabilidade. Há arestas que têm que ser limadas, sim! Mas não somos nós que estamos errados. O caminho certo é o da integração. É o de uma Europa mais unida. A Europa que os conterrâneos dos imbecis que nos atacaram escolhem para viver. Porque também eles querem ser livres. E não vejo outra forma de viver que não esta: livre e democrática!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A Arquitetura De Coimbra

em Coimbra, Portugal

O "Anozero" arrancou no sábado (31 de outubro) e Coimbra passou a ter uma bienal de arte contemporânea. São mais de 30 exposições espalhadas por toda a cidade e em confronto direto com o património herdado que hoje é classificado pela UNESCO.

A convite da organização do "Anozero" - o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra -, faço parte deste grande evento com a colaboração na exposição "700+25 - A Arquitectura na UniverCidade". Aqui é possível olhar para Coimbra e destacar 25 edifícios que marcam uma nova época. São contemporâneos como todos os outros já foram e ainda são, mas destacam-se pela qualidade das linhas que os vincam.

700+25 é a idade da Universidade de Coimbra (UC) sendo que um quarto de século corresponde à idade do Departamento de Arquitetura da UC que, na opinião de Nuno Grande - um dos curadores desta exposição -, tem importância na qualidade das obras que se fizeram na cidade.

A minha colaboração nesta exposição prende-se com a produção de 27 vídeos sobre as obras destacadas na maquete com mais de 6 metros de comprimento e ilustradas com livros de obra.

Aqui ficam algumas fotos, os vídeos aparecerão mais tarde!
Arquiteto Sergio Fernandez, autor do projeto de requalificação do Mosteiro de Santa Clara A Velha
Arquiteto Alexandre Alves Costa, fundador do Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra e autor do projeto de requalificação do Mosteiro de Santa Clara A Velha
Edifícios destacados da Exposição 700+25, A Arquitectura da UniverCidade
Arquiteto Álvaro Siza Vieira, autor do Pavilhão de Portugal

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Os Títulos E Os Conteúdos

Na página da internet do Jornal de Notícias vi um artigo com o seguinte título: "Idosas saem de centro para dar lugar a refugiados". Ao longo da leitura ficamos com a ideia clara que um grupo de idosas foi dividido por vários lares e que estas estão muito desconsoladas com a situação. "Após décadas de vida, as sete idosas são obrigadas a refazer as rotinas. Já não vão ao pão a pé, acabam-se as conversas de circunstância na calçada histórica e a missa do Largo da Oliveira fica longe de mais para as voltar a ver. A convivência familiar que tinham passa a estar apenas na memória."

Quando chegamos ao antepenúltimo parágrafo percebemos claramente que o jornalista Delfim Machado escreveu esta notícia claramente com o objetivo de manipular a opinião pública dando a entender que esta "família" de idosas seria separada por causa dos refugiados quando, na realidade, "A decisão de transferência das mulheres foi motivada pela falta de condições do Recolhimento das Trinas para funcionar como Lar de Idosos."

Mais uma vez usa-se um título para fazer furor nas redes sociais e leva-se demasiado a sério um princípio ironizado do jornalismo que nos diz para não deixarmos que os factos nos estraguem uma boa história!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Novo Governo

Já aqui defendi que quem ganha as legislativas deve governar. Não porque deva ser efetivamente assim, mas porque os partidos políticos jogam no tabuleiro da eleição do primeiro ministro nas campanhas eleitorais.

No entanto, a constituição prevê que o partido com maior apoio eleitoral deva formar governo. Desta forma, e depois de Costa afirmar que tem condições para formar governo sendo corroborado por Catarina Martins, espero que o Presidente da República tenha perguntado a estes dois partidos, de forma direta, se aprovam ou não um governo PSD/CDS. No caso de a resposta ter sido negativa Cavaco deve indigitar António Costa sem fazer o país perder tempo. As ilações políticas e os eventuais castigos ou recompensas do eleitorado virão quando o governo da esquerda cair de maduro por perceber que muito mais é o que os separa do que aquilo que os une.

sábado, 17 de outubro de 2015

Estou Confuso...

Isto é uma reportagem? Uma publicidade? Uma publireportagem? Isto passou no telejornal? Isto só dá no site da rádio? O Zé Alberto aqui é jornalista? É ator? É diretor de informação? É aquele cargo estranho que ainda ninguém percebeu para que serve?
Tudo isto é estranho, mais estranho que o ele/ela do outro Zé. Aposto que a ERC vai abrir um processo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

José Rodrigues Dos Santos E A Homofobia

Hoje as redes sociais foram mais uma vez consumidas pelas chamas. Qual barómetro social, qual reino da parvoíce. Os internautas desocupados, ignorantes e cheios de vontade de sangue decidiram chacinar através das palavras no Facebook o jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos.

No Telejornal de ontem, o jornalista, por lapso já esclarecido pela RTP disse que "O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito, ou eleita, pelo PS". 
O tal deputado é Alexandre Quintanilha e, por coincidência, é homossexual. Mas José Rodrigues dos Santos não se lhe referiu nestes termos por graçola, mas antes porque pensava mesmo que se estava a referir a uma mulher, já que a peça da RTP também contemplava uma pensionista eleita pelo Bloco de Esquerda.

Rapidamente os internautas se começaram a referir ao jornalista como homofóbico e a pedirem a sua demissão.

Tantas vezes se criticam os jornalistas pelo linchamento gratuito de algumas personalidades que, antes de serem condenadas pela justiça, são-o pelos Órgãos de Comunicação Social, mas esquecem-se que os Facebookianos gostam de atirar balas sem se contextualizarem primeiro.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Legitimidade Para Governar

O resultado final das eleições legislativas pode legitimar uma governação com partidos de esquerda ou com a coligação de direita. Em termos abstratos a nossa democracia devia basear-se na eleição de deputados, que representam quem neles votou. Se assim fosse, tanto o Bloco de Esquerda como o Partido Comunista teriam legitimidade para reivindicar ao PS um governo de coligação. No entanto a personalização da campanha feita por todos os partidos, retira todos os argumentos ao PCP e Bloco.

Um partido político não pode fazer uma campanha completamente centrada no líder, dando a entender que se joga a eleição de um primeiro ministro e, resultados apresentados, reverter a estratégia.

Esta não é uma situação exclusiva de PCP e BE. Também o PS jogou no campeonato do líder todo poderoso. Curiosamente apenas a coligação não personalizou a sua campanha. Percebe-se porquê. Até o Bloco de Esquerda, em Coimbra, substituiu um cartaz onde apareciam Catarina Martins (líder do partido) e José Manuel Pureza (cabeça de lista) por um cartaz onde apenas surgia a líder.

Esta forma de fazer política não é mais correta porque contorna a substância do sistema que elege deputados que servirão para apoiar um Primeiro-Ministro que o Presidente da República nomeia. Mas é a estratégia escolhida pelos partidos. Desta forma, faz todo o sentido afirmar que quem ganha, governa.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"Morrer É Mais Difícil Do Que Parece"

Li por sugestão um texto escrito por Paulo Varela Gomes. Um texto forte que descreve como é difícil um cancro matar um homem agarrado à vida. E como é difícil um homem matar-se quando se encontra com Deus.

Paulo Varela Gomes tem cancro, há mais de dois anos. Não espera viver muito mais tempo e não quis submeter-se aos tratamentos oncológicos. "Decidimos que nunca me submeteria aos tratamentos da medicina oncológica, às suas armas: as clássicas (cirurgia), as químicas (drogas) e as nucleares (radioterapia). Estas armas destroem as defesas próprias do organismo e aceleram frequentemente a sua degradação. Já vi suficientes doentes de cancro entregues nas mãos da oncologia para tremer de horror ao pensar que poderia suceder-me o mesmo."

Tentou matar-se, mas diz que Deus não o deixou. "Coloquei a cadeira junto a uns troncos cortados, sentei-me e, já com os canos da arma na boca, o dedo aflorou o gatilho. Senti o metal como uma coisa sem qualidade, cálida, mortiça, dócil. Tudo me pareceu vagamente ridículo, o meu gesto, os objectos de que me rodeara. Veio até mim mais uma vez o cheiro da hortelã. Ergui os olhos que tinha fixados na guarda do gatilho e vi um pinhal que o sol, através de uma abertura nas nuvens, isolava, dourado, do verde-escuro da encosta. Ocorreu-me de repente uma vaga de alegria inexplicável, como se fosse um sinal da presença de Deus à semelhança daqueles que os textos sagrados referem por vezes. Cheguei à mais simples conclusão do mundo: estava vivo e, enquanto assim estivesse, não estava morto."

Um texto que é um "murro", como João Taborda da Gama o expressou no DN. Publicado originalmente na revista Granta, pode ser lido aqui!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O PS E Os Jornalistas - Round II

Não há dúvidas de que António Costa tem problemas em lidar com a imprensa. Agora ficamos a saber que as vespas que o sobrevoam também não lidam bem com jornalistas.

Reflexo disto é o azedume que os socialistas demonstraram quando a RTP decidiu pegar na frase de Paulo Rangel ("alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?") e fazer um debate sobre as interferências da política na justiça em Portugal. João Galamba veio pedir a demissão de Paulo Dentinho e Isabel Moreira disse que a RTP era uma puta.

O tema é importante e deve ser encarado como tal. A RTP cumpriu o seu dever e debateu um assunto que merece ficar esclarecido antes de os portugueses irem a votos. O jornalismo deve influenciar. Deve ter importância na hora de decidir. E não, Isabel Moreira, a RTP não deve ser isenta dessa forma que está a pensar. Porque para os políticos, isenção é dar um microfone a cada político em espaços temporais semelhantes. A realidade é que o jornalismo é muito mais do que isso, cara deputada.

Apesar de tudo, a RTP acabou mesmo por ser obrigada a ceder a pressões. O PS criticou e, embora o tema se tenha mantido, a frase de impulso - a tal de Paulo Rangel - foi removida. É como se o tema tivesse surgido por acaso.


Já agora, prefiro não comentar o post de Porfírio Silva que insinuou que há jornalistas a influenciarem a campanha por serem familiares de membros do PSD. O socialista referia-se claramente a Fátima Campos Ferreira que é casada com o atual Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. Talvez por ter feito a publicação às 6 da manhã, Porfírio ainda devia estar adormecido e esqueceu-se que o diretor de um dos jornais que mais vende em Portugal e que forma boa parte da opinião dominante na sociedade portuguesa é irmão do líder do seu partido.
 

Eu não tenho dúvidas de que Fátima Campos Ferreira foi profissional e independente na escolha do tema e moderação do Prós e Contras e também não tenho qualquer suspeita de que Ricardo Costa é um dos jornalistas mais livres que conheço e leio semanalmente com interesse.

Onda Anda O Dinheiro?

Na passada edição, o Expresso desenvolveu uma pequena reportagem sobre aquilo que está a tornar-se "uma tendência": o recurso a "caçadores de informação" que trabalham para grandes empresas, especialmente bancos, e que têm como objetivo saber onde param ativos escondidos ou fraudulentos. O BCP é o caso referenciado que segundo o Expresso anda atrás do dinheiro de alguns dos seus clientes maus pagadores. 

Ora, sendo este um serviço em franca expansão e cujo pagamento é feito consoante os resultados obtidos, faço minhas as palavras do fiscalista Tiago Caiado Rodrigues: "porque é que não foram contratadas empresas destas para investigar os casos recentes de falências de bancos em Portugal?"