Depois de um debate político na televisão portuguesa entre líderes de partidos diferentes as televisões SIC e TVI convidam para comentar a prestação de Costa e Passos, Marques Mendes e Rebelo de Sousa, respetivamente. Estes dois senhores sentam-se na mesa (cada um em seu canal) e ao lado do jornalista vão falando da prestação dos debatentes. Tudo isto se passa em sinal aberto. E passa-se com a maior das normalidades, ignorando que Mendes e Marcelo são militantes de um partido que, por acaso, era um dos intervenientes no debate. Só por acaso.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Tudo À Volta Do Debate. E Os Outros?
Por
Diogo Pereira
O debate de hoje entre Passos e Costa vem reafirmar as queixas consequentes que os pequenos partidos fazem ao jornalismo no geral e às televisões em particular. Não podemos continuar a tolerar que se dê um destaque de tal grandeza a apenas dois partidos políticos em detrimento de todos os outros. Nesta campanha eleitoral até os partidos com assento parlamentar foram remetidos para segundo plano, sendo os debates em que participaram despachados para os canais de notícias no cabo.
Não acredito numa lei eleitoral para contornar uma decisão que deve ser exclusiva das direções de informação. Acredito no bom senso jornalístico que, embora não possa dar destaque igual a todas as candidaturas (são mais de 20!) deve, pelo menos, contornar a sua preferência evidente por determinados partidos. Fazer tanto alarido em torno de um único debate é apostar no voto útil. Os jornalistas que tomaram esta decisão quiseram dizer aos espectadores que a decisão se encontra apenas entre um dos dois candidatos que debateram em direto e em simultâneo em todos os canais generalistas. E desta forma negar a ascensão dos pequenos partidos em Portugal, motivada pela descrença nos partidos políticos que nos governaram durante todo o período de liberdade e, quiçá, ignorar também a possibilidade de explosão de fenómenos como o Podemos, em Espanha ou o Syriza, na Grécia.
Aquilo que provavelmente vai acontecer do próximo dia 4 de outubro é uma das maiores fragmentações da Assembleia da República nos últimos anos. Se isso acontecer o jornalismo vai perceber mais uma vez que há fenómenos que lhe são alheios e terá que correr atrás do prejuízo. Vai ainda ter a percepção - mais uma vez! - de que já não domina a maior parte do fluxo informativo e, por conseguinte, perde poder. Poder que é necessário a uma sociedade livre.
P.s.: É necessário elogiar a direção de informação da RTP que em sinal aberto no horário nobre do seu segundo canal dá espaço a todas as forças partidárias que concorrem a estas eleições.
Não acredito numa lei eleitoral para contornar uma decisão que deve ser exclusiva das direções de informação. Acredito no bom senso jornalístico que, embora não possa dar destaque igual a todas as candidaturas (são mais de 20!) deve, pelo menos, contornar a sua preferência evidente por determinados partidos. Fazer tanto alarido em torno de um único debate é apostar no voto útil. Os jornalistas que tomaram esta decisão quiseram dizer aos espectadores que a decisão se encontra apenas entre um dos dois candidatos que debateram em direto e em simultâneo em todos os canais generalistas. E desta forma negar a ascensão dos pequenos partidos em Portugal, motivada pela descrença nos partidos políticos que nos governaram durante todo o período de liberdade e, quiçá, ignorar também a possibilidade de explosão de fenómenos como o Podemos, em Espanha ou o Syriza, na Grécia.
Aquilo que provavelmente vai acontecer do próximo dia 4 de outubro é uma das maiores fragmentações da Assembleia da República nos últimos anos. Se isso acontecer o jornalismo vai perceber mais uma vez que há fenómenos que lhe são alheios e terá que correr atrás do prejuízo. Vai ainda ter a percepção - mais uma vez! - de que já não domina a maior parte do fluxo informativo e, por conseguinte, perde poder. Poder que é necessário a uma sociedade livre.
P.s.: É necessário elogiar a direção de informação da RTP que em sinal aberto no horário nobre do seu segundo canal dá espaço a todas as forças partidárias que concorrem a estas eleições.
domingo, 6 de setembro de 2015
Passos Contraditórios
Por
Diogo Pereira
No dia 3 de setembro o Observador (e outros jornais) publicou a notícia sobre a recusa de Passos Coelho aos Gato Fedorento. O primeiro ministro não quer ir ao programa apresentado por Ricardo Araújo Pereira porque Paulo Portas já assegurou a sua presença e se Passos também fosse estar-se-ia "a duplicar".
Nesse mesmo dia escrevi na caixa de comentários desta notícia que a justificação do chefe de estado era ridícula uma vez que Passos Coelho inviabilizou um debate com as principais forças partidárias porque queria que Portas também estivesse presente. Afinal, o que quer o PM? Talvez confie mais nas capacidades do seu companheiro de coligação do que em si próprio.
A propósito deste tema Ricardo Araújo Pereira revelou qual seria a primeira pergunta que faria ao atual primeiro ministro: "O homem que exerceu esse cargo antes de si está preso. Podemos ter esperança que lhe aconteça o mesmo a si?"
Esta pergunta só pode ser colocada por um humorista, mas tem toda a pertinência. O que responderia Passos? Se garantisse que isso era impossível, estaria a subentender que Sócrates está preso porque cometeu atos criminosos que ele nunca cometeu.
Seria muito interessante ouvir Passos Coelho, responder a esta pergunta que, invariavelmente, poderia trazer para a campanha o tema Sócrates com toda a força.
Nesse mesmo dia escrevi na caixa de comentários desta notícia que a justificação do chefe de estado era ridícula uma vez que Passos Coelho inviabilizou um debate com as principais forças partidárias porque queria que Portas também estivesse presente. Afinal, o que quer o PM? Talvez confie mais nas capacidades do seu companheiro de coligação do que em si próprio.
A propósito deste tema Ricardo Araújo Pereira revelou qual seria a primeira pergunta que faria ao atual primeiro ministro: "O homem que exerceu esse cargo antes de si está preso. Podemos ter esperança que lhe aconteça o mesmo a si?"
Esta pergunta só pode ser colocada por um humorista, mas tem toda a pertinência. O que responderia Passos? Se garantisse que isso era impossível, estaria a subentender que Sócrates está preso porque cometeu atos criminosos que ele nunca cometeu.
Seria muito interessante ouvir Passos Coelho, responder a esta pergunta que, invariavelmente, poderia trazer para a campanha o tema Sócrates com toda a força.
sábado, 5 de setembro de 2015
A Reportagem Da RTP Com Os Refugiados Na Macedónia
Por
Diogo Pereira
A Televisão tem a capacidade de mostrar imagens que quando utilizadas por bons profissionais nos dão o enquadramento perfeito de uma estória. É o caso da equipa composta pelo jornalista Ricardo Alexandre e pelo repórter de imagem Nuno Tavares que nos mostraram, em português, aquilo que os jornais já têm descrito. São as viagens dos refugiados Sírios na tentativa de chegarem ao centro da Europa.
Estes dois homens, ao serviço da RTP, entraram num comboio com condições abaixo do exigido e fizeram uma viagem longa até à fronteira com a Sérvia. Mostraram como se acomodam aquelas pessoas. Algumas até têm bancos, mas a maioria está deitada nos corredores e nos espaços entre carruagens. Vem-me à memória a segunda guerra mundial e os famosos comboios nazis. Estas pessoas terão um futuro menos mau, esperemos. Afinal já fizeram a viagem mais atribulada, sem linha e carruagens. Apenas com barcos frágeis e água, muita água.
Estes dois homens, ao serviço da RTP, entraram num comboio com condições abaixo do exigido e fizeram uma viagem longa até à fronteira com a Sérvia. Mostraram como se acomodam aquelas pessoas. Algumas até têm bancos, mas a maioria está deitada nos corredores e nos espaços entre carruagens. Vem-me à memória a segunda guerra mundial e os famosos comboios nazis. Estas pessoas terão um futuro menos mau, esperemos. Afinal já fizeram a viagem mais atribulada, sem linha e carruagens. Apenas com barcos frágeis e água, muita água.
A Vestir A Camisola Da CMTV
Por
Diogo Pereira
A CMTV voltou a oferecer-nos um momento memorável de televisão: um homem foi enxovalhado quando tentava entregar uma piza na casa onde José Sócrates está preso. E quem é que o enxovalhou? A jornalista da televisão mais asquerosa que Portugal já viu.
Onde anda o Sindicato e a Comissão da Carteira? Ah, esperem, andam a pedir aos jornalistas desportivos que tapem o logotipo da Nós dos coletes identificativos da liga!!!
Onde anda o Sindicato e a Comissão da Carteira? Ah, esperem, andam a pedir aos jornalistas desportivos que tapem o logotipo da Nós dos coletes identificativos da liga!!!
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Longe Da Vista, Longe Do Coração
Por
Diogo Pereira
Não fosse estar deitada na areia, completamente encharcada e até podíamos dizer que esta criança morta estava simplesmente a dormir, tal é o seu ar sereno. É mais uma vítima da guerra dos homens que ainda não tinha idade para perceber. Esta fotografia não acrescenta nada à realidade. Já todos sabemos que morrem pessoas todos os dias a tentar chegar à Europa para uma vida verdadeiramente livre. Mas como na cultura ocidental o que está longe da vista, está longe do coração, é absolutamente pertinente mostrar uma das vítimas que não conseguiu chegar ao destino.
O Jornalismo Refletido Ganha Sempre
Por
Diogo Pereira
Hoje o editorial do Público foi inteiramente dedicado a uma reflexão. Deveria ou não publicar a foto da criança, que fugia da guerra com os seus progenitores e que acabara por morrer e ser encontrada numa praia.
A conclusão desta reflexão é o que menos importa, aqui que é verdadeiramente importante é um jornal ter a capacidade de refletir as suas escolhas. Mesmo que depois elas se venham a revelar erradas. Isto sim é jornalismo!
A conclusão desta reflexão é o que menos importa, aqui que é verdadeiramente importante é um jornal ter a capacidade de refletir as suas escolhas. Mesmo que depois elas se venham a revelar erradas. Isto sim é jornalismo!
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Medina Dá Show
Por
Diogo Pereira
Medina Carreira dá show todas as semanas na TVI24. Nunca tinha perdido muito tempo a ver o catastrofista incorrigível, mas hoje virei-me para esse lado e pergunto-me: como é que Judite Sousa aceita estar de corpo presente, sem intervenção de maior, num programa em que apenas atira bananas ao macaco para ele mostrar mais truques? Pior ainda: como é que a TVI aceita ter uma das suas jornalistas mais bem pagas (presumo) a gastar tempo do seu trabalho num programa deprimente e de legitimidade questionável?
Medina escolhe os convidados, os temas, dá os títulos, não se coíbe de mandar umas bocas de velho rabugento quando não gosta dos horários do programa e ainda forma a sua opinião com base em gráficos que ele próprio constrói e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, a TVI ainda os legenda atribuindo a fonte dos dados ao próprio Medina Carreira. Na edição de hoje Judite Sousa ainda duvidou da atualidade dos dados de um dos gráficos mostrados pelo antigo ministro. Mas não insistiu na questão para não hostilizar o convidado.
Afinal para que serve um jornalista num programa? Se é só para fazer sorrisos, acenar e dizer boa noite, creio que há pessoas mais capazes de o fazerem...
Medina escolhe os convidados, os temas, dá os títulos, não se coíbe de mandar umas bocas de velho rabugento quando não gosta dos horários do programa e ainda forma a sua opinião com base em gráficos que ele próprio constrói e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, a TVI ainda os legenda atribuindo a fonte dos dados ao próprio Medina Carreira. Na edição de hoje Judite Sousa ainda duvidou da atualidade dos dados de um dos gráficos mostrados pelo antigo ministro. Mas não insistiu na questão para não hostilizar o convidado.
Afinal para que serve um jornalista num programa? Se é só para fazer sorrisos, acenar e dizer boa noite, creio que há pessoas mais capazes de o fazerem...
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Merkel Deu O Exemplo. E Bem!
Por
Diogo Pereira
Depois de tantas críticas à Alemanha por causa da gestão da crise de refugiados, é importante agora tirar o chapéu à sua líder que deu um passo importante ao conceder asilo a mulheres e homens sírios. Merkel deu ainda um puxão de orelhas aos países que nem atam nem desatam e pediu à Europa uma rápida resolução de um problema que deixa milhares de pessoas em condições indignas em terreno europeu.
Não podemos continuar a assobiar para o lado e esperar que o problema se resolva sozinho. É fundamental encarar o problema e perceber que estas pessoas estão cá e não podem ser enviadas para os seus países de origem porque isso seria o equivalente a colocar-lhes uma corda no pescoço.
Como Merkel teve uma atitude de chefe de estado consciente e verdadeiramente europeista, confirmando os valores da fundação da União Europeia, vamos esperar para que os carneiros que geralmente a seguem em todas as suas tomadas de posição, também o façam desta vez.
Há ainda o problema de países como a Hungria que continuam a agir em termos sociais como outros agem em termos económicos. Será que a saída de um país da União Europeia só está em cima da mesa quando estes deixam de pagar as suas dívidas?
Não podemos continuar a assobiar para o lado e esperar que o problema se resolva sozinho. É fundamental encarar o problema e perceber que estas pessoas estão cá e não podem ser enviadas para os seus países de origem porque isso seria o equivalente a colocar-lhes uma corda no pescoço.
Como Merkel teve uma atitude de chefe de estado consciente e verdadeiramente europeista, confirmando os valores da fundação da União Europeia, vamos esperar para que os carneiros que geralmente a seguem em todas as suas tomadas de posição, também o façam desta vez.
Há ainda o problema de países como a Hungria que continuam a agir em termos sociais como outros agem em termos económicos. Será que a saída de um país da União Europeia só está em cima da mesa quando estes deixam de pagar as suas dívidas?
sábado, 29 de agosto de 2015
O PSD E As Prisões
Por
Diogo Pereira
Paulo Rangel, essa sereia livre do PPD, veio perguntar se “Alguém acredita que se PS fosse Governo havia um primeiro-ministro investigado?”
Eu não sei a resposta a essa pergunta, mas fico feliz pela insinuação. Afinal de contas já foi há muitos anos que um partido português teve verdadeira influência em prisões. Chamava-se União Nacional.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Peixoto E A Nossa Europa
Por
Diogo Pereira
José Luís Peixoto e a nossa Europa. Hoje na Visão.
(...) Hoje a União Europeia é uma enorme instituição económica. Aquela que sempre foi a prioridade, a criação de um mercado europeu, transformou-se no seu interesse exclusivo. Deixou de valer a pena fingir que há outras áreas de relevância. À volta desse espaço, construíram-se muros que condenam à morte milhares de homens, mulheres, crianças, vemo-los na televisão e temos pena até à notícia seguinte.
Esse mercado europeu, esse espaço tão vantajoso para alguns, é como o recreio de uma escola do tempo em que eu tinha onze anos, quando fazia trabalhos de grupo e ainda se desconhecia a palavra bullying: os mais velhos batem nos mais novos, os que têm sapatilhas de marca humilham os que têm sapatilhas da feira. (...)
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Os Jornalistas E A Imparcialidade
Por
Diogo Pereira
Os jornalistas andam a levar demasiado a sério o conceito de imparcialidade...
Mais Um Sinal Da Fraca União
Por
Diogo Pereira
A Europa continua (cada vez mais!) a ser invadida por não-europeus que fogem da guerra. Acontece que, por razões óbvias, estas pessoas não podem ser extraditadas para os seus países de origem.
Quando os migrantes chegam a um país da União Europeia devem ser registados e, de alguma forma, passam a estar vinculados a esse país.
Isto significa que se estas pessoas chegarem a outros países da UE, como a Alemanha e a França, e se não forem aceites podem ser extraditados... não para o seu país de origem, mas para o país que primeiro os recebeu aqui na Europa.
Merkel e Hollande já vieram pedir aos países do sul como a Grécia e a Itália para não descorarem este processo de registo. Estes senhores estão preocupados com os migrantes que podem chegar aos seus países, mas ignoram as dificuldades que os países que os estão a receber estão a atravessar.
Porque será que é mais fácil encontrar consensos para que a Grécia, Portugal, Espanha, Itália etc. paguem o que devem à França e à Alemanha e é tão difícil chegar a uma política comum de partilha de responsabilidades e de atuação internacional?
Acho que sei a resposta, mas é tão óbvia que não vou dizer...
A Minha Avó E A Ministra Das Finanças
Por
Diogo Pereira
A minha avó é sportinguista tal como eu. Aqui há uns anos dizia que não gostava muito de futebol, mas quando o Sporting jogava ficava de orelhas arrebitadas. E ainda hoje fica.
A minha avó via os jogos e quando o equipamento da equipa adversária era semelhante ao da nossa, ficava um pouco confusa. Quando havia uma falta dentro da área a minha avó apressava-se a gritar penálti. Muitas vezes dizia-lhe que era contra o Sporting e então ela mudava de opinião afirmando: "nem lhe tocou".
Aquilo que importava na tomada de decisão dela não era a veracidade dos casos, mas sim se favoreciam ou prejudicavam a nossa equipa.
Lembrei-me deste episódio aproposito da mais recente argolada da ministra das finanças que criticou o programa do PS, mas ainda não o havia lido.
Tal como a minha avó, a ministra está formatada para achar uma proposta má se for ideia de um partido que não o seu. Está a ministra e estão todos os políticos em geral que antes de tomarem uma posição perguntam... Isto é ideia nossa ou dos outros?
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
A Vetusta Universidade
Por
Diogo Pereira
Vender postais na baixa da cidade de Coimbra é uma atividade que me lembro de ver desde o dia em que cá cheguei. Na realidade os estudantes que vestem capa e batina para desempenharem esta atividade não falam em venda, mas sim em oferta. Na realidade os turistas dão o que quiserem por um postalito e uma foto com o trajado.
Esta semana foi notícia uma ação policial que visou a identificação destes jovens. A Universidade, na pessoa do vice reitor Luís Filipe Menezes, criticou duramente a atividade que "prejudica a cidade e o turismo", pôs em causa os estudantes que vendem na baixa ("nem sei se eles são estudantes", disse o vice reitor à RUC) e ainda especulou sobre o destino que é dado ao dinheiro que os jovens angariam. Luís Filipe Menezes sugeriu ainda que, se estes jovens são verdadeiramente estudantes e carenciados, devem inscrever-se nos serviços de ação social da Universidade de Coimbra. E inscreverem-se para quê? Para venderem outras bugigangas, também trajados, mas na alta da cidade onde, presumo eu, esta atividade já não deva prejudicar a imagem da cidade e do turismo.
É também provável que o senhor vice reitor queira que estes jovens vão trabalhar para uma cantina onde o pagamento é feito por senhas de refeição. Ou seja, os estudantes trabalham a preparar refeições e no final do dia de trabalho vão esperar os outros estudantes, nas filas da cantina, para que possam fazer algum dinheiro com as senhas de refeição que lhes são atribuídas como salário.
A Universidade tem que ser menos hipócrita. Não há dinheiro para tudo, mas a falta dele não deve servir de desculpa para indignidades. O trabalho só é digno se fôr remunerado justamente!
p.s.: deixei esta mensagem no Facebook aos meus amigos que vendem postais na baixa:
Prezados colegas que andais a oferecer postais na baixa da cidade, aproveitai a vossa experiência e segui o conselho do Sr. Vice Reitor da vetusta Universidade de Coimbra e ide vender senhas de alimentação para a fila das cantinas depois de um dia a encher de atum e milho pão comprido com extremidades arredondadas. Só precisais de trocar a batina pela bata amarelada pelos resquícios de ovo cozido. Aproveitai a oportunidade. É um trabalho bem mais fresco!
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