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A TAP foi hoje finalmente vendida. Nem podia ser de outra forma. Depois de uma tentativa falhada e de tanta pressão, o governo não podia voltar a falhar. Tinha mesmo que vender: porque é assim que a política funciona. Custe o que custar.
Não discutirei a questão económica que é o que mais interessa. O certo é que não sei o que é melhor para a TAP, se a privatização ou a manutenção na esfera pública. Aquilo que sei é que, embora tenha tentado formar uma opinião através dos meios de comunicação social, isso me foi negado.
Vi todos os "Prós e Contras" sobre o tema, vi a entrevista de Sérgio Figueiredo a José Gomes Ferreira, li a entrevista de Fernando Pinto no Expresso, vi o último "As Palavras e os Atos" da RTP, vi a "Grande Reportagem" em dois episódios da SIC e outros tantos artigos, opiniões, programas, debates e entrevistas promovidos pela comunicação social. E continuei sem saber se a privatização é melhor do que a manutenção pública da empresa e vice versa.
Hoje, lembrei-me de escrever este texto depois de ouvir Passos Coelho dizer que "o que aconteceria se não tivéssemos condições para concluir este processo com sucesso era a liquidação da empresa a médio prazo".
Não foi o mesmo que ouvi a Sérgio Figueiredo na passada quinta feira. "Não, não, João, não fecha. Mas é reestruturada". Dizia o secretário de estado a João Galamba num debate na RTP1 quando o deputado do PS se queixava do discurso terrífico do governo: "Todos os argumentos que apresenta, são os argumentos da falta de alternativa e do encerramento da empresa", lamentava o deputado do PS.
Que este governo não dialoga internamente, creio que já todos percebemos. Mas agora percebemos também que a estratégia da venda da TAP pode estar assente em pressupostos errados. Afinal, o estado pode, ou não, reestruturar a empresa. Precisa de pedir autorização à Comissão Europeia? A empresa pode fechar se não fôr vendida?
Eis um conjunto de questões que deviam ter sido respondidas e não foram. Aqui o jornalismo devia ter tido uma palavra a dizer. Devia dominar a opinião pública. Devia ser o verdadeiro quarto poder.
Estou farto de guerrilhas políticas amplificadas pelos palcos da televisão ou pelo braço estendido com um microfone para "reagir às declarações de fulano ou sicrano". Temos que perceber que os políticos não são pessoas de bem. Só querem ganhar o combate mais próximo, quer seja uma discussão na AR ou a venda de uma empresa basilar da economia portuguesa.
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