quarta-feira, 8 de abril de 2015

Segundo Avança O Site Dioguinho.pt

Diário de Notícias cita o site dioguinho.pt
A classificação de um bom jornalista tem vários níveis. A sua credibilidade mede-se, por exemplo, pelo seu historial. Ou seja, um jornalista é bom se tiver dado provas da sua qualidade em trabalhos anteriores. A sua credibilidade mede-se também pela postura que toma nas redes sociais. Se fôr um incendiário nas opiniões que emite, talvez tenha crédito por parte do mesmo tipo de público que dá crédito ao trabalho praticado no Correio da Manhã. A sua credibilidade mede-se também pelas suas fontes. Um jornalista pode ter mais ou menos valor consoante as informações que consegue através das suas fontes.

Embora a qualidade de um jornalista possa merecer mais abordagens ou níveis de avaliação creio que estes são três pontos essenciais e, depois de ler esta notícia  no Diário de Notícias fica a dúvida: o site "dioguinho.pt" segue um estatuto editorial que lhe mereça referência num jornal com mais de 150 anos de história?

O jornalismo está a ver o seu trabalho ser feito por outros e não tem uma única reação. O Público deve ser livre de escolher os locais em que pretende informar-se. Acredito nesta premissa porque acredito que o jornalismo pode vir a ganhar esta guerra se a combater com liberdade.

Não quero ler notícias destas: "segundo avança o site dioguinho.pt" ou talvez, "de acordo com o Ainanas", ou ainda, "ao que o Tá Bonito conseguiu apurar".

A primeira citação é a única original. Mas se isto pega moda vamos ver escritas a segunda e a terceira e até outras. Tenham medo, muito medo!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Manoel

© Diogo Pereira, 25.11.13 - Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra


Faltava precisamente um mês para o Natal de 2013. Completavam-se 350 anos desde que o Padre António Vieira havia proferido o seu único sermão na Capela de São Miguel, na Universidade de Coimbra. Lima Duarte, ator brasileiro, era a estrela que do alto da capela proferia o sermão de Santa Catarina.

Não cabia mais ninguém na pequena capela, vizinha da velha Joanina. Acorreram às centenas, senão mesmo aos milhares, as pessoas que queriam ver de perto Lima Duarte dizer António Vieira. Os lugares eram poucos para as vontades. Muitas foram contrariadas e acabaram por ter que ver e ouvir as palavras com 350 anos nos ecrãs do auditório da Universidade.

Aberta uma exceção, parou um carro junto à entrada da capela. Com ajuda, saiu do seu interior Manoel de Oliveira. O cineasta estava cansado. Embora tivesse andado nos últimos dias por essa Europa fora, Manoel fez questão de estar presente naquele dia em Coimbra para acompanhar tão importante dia. Durante a tarde não teve qualquer intervenção. Mas foi muito abordado na alta universitária. 

Quando o sermão terminou foi diretamente para o Teatro Académico de Gil Vicente. Enquanto o reitor da Universidade de Coimbra, a vice reitora, Lima Duarte, diretores do Gil Vicente e demais organizadores e participantes do dia de comemorações jantavam no primeiro piso, Manoel jantava num dos camarins à entrada do palco. Omelete de claras, foi o jantar de quem o estômago e as pernas já não toleram grandes repastos.

Manoel de Oliveira estava ali para, com Lima Duarte, apresentar o filme "Palavra e Utopia" em que o ator brasileiro havia sido protagonista. A sala não estava cheia. Nem a meio. Não era justo ninguém querer cumprimentar a história.

A sessão não começou a horas. Teve um atraso de 20 minutos. Durante este tempo caminhei para a frente e para trás na sala branca do TAGV. Esperava poder fotografa-lo antes de entrar no auditório. O mestre apareceu, finalmente. Não me pareceu gostar de fotografias. Perguntou porque queria eu fazer aquilo. Expliquei que queria ter uma fotografia de mais uma passagem do mais antigo cineasta português pelo TAGV. Não sabíamos se seria a última. Mas era muito provável que fosse. E foi.
© Diogo Pereira, 25.11.13 - Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra

Depois de me autorizar a tirar não mais que duas fotografias - estava notoriamente enfadado dos flashes e do burburinho do dia - levantou o braço e ordenou-me que parasse. Acompanhei-o até ao interior da sala. Pelo caminho um jovem aperta-lhe a mão e agradece-lhe a obra que construiu. Manoel sorriu. Claro que gostava que o elogiassem.

Já dentro da sala, antes do início do filme, Manoel tem a palavra. Trémula a sua voz disse não ser fácil ter 104 anos. 

Quando terminou o seu discurso não quis ser aplaudido sozinho. Caminhou o mais rápido que as suas pernas permitiram e foi buscar pela mão Lima Duarte. Queria dividir com ele os aplausos. Depois, sentaram-se juntos e assistiram mais uma vez ao "Palavra e Utopia". Foi a última vez.
© Diogo Pereira, 25.11.13 - Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra

"Viajar Pelo Planeta Sem Sair Da Cidade" ▷

em Coimbra, Portugal
Estátua a Avelar Brotero, naturalista e botânico, © Cláudia Paiva, 2015
"Visitar um jardim botânico é como viajar pelo planeta sem sair da cidade". É com esta frase que começa a descrição do Jardim Botânico num texto publicado na página oficial da Universidade de Coimbra. Este, em concreto, fica muito perto de mim e é um luxo poder visita-lo sempre que quero. 

Na continuação do texto conseguimos conhecer um pouco melhor a história deste espaço que chegou até Coimbra pelas mãos do Marquês em 1772 e que se estende por mais de 13 hectares. Criado para aprofundar o estudo da medicina e da história da natureza o Botânico de Coimbra reflecte  também aquilo que foi o périplo português pelo mundo.



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quarta-feira, 1 de abril de 2015

O Regime Ajardinado

©Expresso
Os resultados das eleições na Madeira confirmam que embora o Jardim tenha perdido a sua mais esbelta flor, ainda há seres clorofilados que têm o seu lugar ao sol. É o caso de Miguel Albuquerque que poderá fazer a fotossíntese sem precisar que o CDS lhe dê o dióxido de carbono e a água necessários ao processo.

Comparada com o retângulo a Madeira é uma espécie rara. Lá a política faz-se a uma velocidade e a um tempo diferentes. Faz-se ao mesmo ritmo que se fazia em Portugal antes de 74. Há muito que as eleições regionais deixaram de ser notícia relevante. Os madeirenses iam a votos e no fim ganhava sempre o mesmo. Alberto João Jardim chegou mesmo a demitir-se e a recandidatar-se logo a seguir para ganhar com nova maioria absoluta. Chegados aqui, a única notícia de relevo chegada do arquipélago era mesmo a mudança de líder do partido. Tal e qual um regime totalitário.

Jardim esteve mais tempo no poder do que Salazar. Os madeirenses quiseram-no, talvez porque tivessem medo. Mas quiseram-no. A partir daqui tudo o que acontecer de bom ou mau na ilha será indissociável do estadista gaiteiro e dos que o elegeram.

Desde domingo o PSD teve uma maioria absoluta, deixou de a ter durante duas horas e depois recuperou-a. Vamos por partes. No domingo, quando o partido laranja ganhou mais uma eleição com maioria absoluta, os comunistas pediram uma recontagem de votos. A vitória exígua deixava dúvidas no ar ao PCP que, com apenas 5 votos revalidados na sua candidatura, poderia retirar a maioria absoluta ao PSD.

Ao final do dia de hoje confirmou-se. Os comunistas deram saltos de alegria. "Este é um dia histórico para a Madeira e para os madeirenses", afirmou Leonel Nunes depois de conhecidos os resultados. No entanto, a opinião dos comunistas alterou-se. Não será um dia histórico porque, afinal, houve um erro informático e o PSD recuperou a maioria absoluta.

Daniel Oliveira - que aprecio e por quem tenho estima intelectual - escreve hoje no Expresso sobre a "boçalidade" do regime liderado por Alberto João Jardim como se ele fosse o único mal daquela ilha. E não é. O grande mal da Madeira são os madeirenses porque sempre viveram encostados a um regime sem o criticarem ou o deporem. 

É frequente ouvir-se, não apenas na Madeira, mas também lá, que "ele roubou muito mas deixou obra feita" como se fosse uma espécie de desculpa para as anormalidades que se cometem na política. Na realidade os povos só são oprimidos até quererem ou até não aguentarem mais. E, sejamos honestos, os madeirenses tinham mais armas que os portugueses no Estado Novo para derrubarem um regime corrupto e opressor. Não o fizeram porque viviam bem com ele.

terça-feira, 31 de março de 2015

A Ditadura Perfeita

"O grande irmão está a observa-lo" 1984 de George Orwell
Winston Smith não vale nada. É mais um homem entre tantos que veste o fato de macaco azul e trabalha para o bem comum que é definido pelo partido. O partido sabe o que é melhor para todos. Winston tem uma missão: dar razão às medidas que o partido toma e pôr a história do seu lado. 

O dia deste homem é passado em frente à secretária onde retifica notícias de The Times para que fiquem condizentes com a postura e tomadas de posição do partido. O objetivo do Ministério da Verdade - onde Smith trabalha - é, precisamente, a mentira.

Winston, e todos os habitantes da Oceania, vivem vigiados pelos telecrãs que estão espalhados por todos os locais, quer sejam as casas dos elementos do partido, os locais de trabalho dentro dos ministérios e até o refeitório.

1984, publicado em 1949, retrata uma espécie de ditadura perfeita em que quem manda tem acesso a todos os passos de quem obedece, mantendo-os controlados. George Orwell imagina no seu popular romance, uma forma de contornar aquilo que eram os problemas de controlo das ditaduras da época em que se inspirou. Saber o que cada cidadão faz, como faz e porque faz, tentando ir até ao impossível: o que pensa.


Citizenfour (2014) de Laura Poitras
Laura Poitras procurou mostrar ao mundo aquilo que é, verdadeiramente, uma ditadura perfeita. Não muito distante daquela que parecia ser uma quimera de Orwell. Citizenfour acompanha Edward Snowden pelo mundo dos dados, da informação que é onde reside o poder. Sempre residiu, no entanto, nunca como hoje o acesso aos dados foi tão fácil e tão massivo.

Quando publicamos estados de alma nas redes sociais, quando entregamos a nossa correspondência eletrónica a uma empresa a quem não conhecemos intenções, quando utilizamos cartões eletrónicos para fazer pagamentos, quando utilizamos aplicações móveis onde mostramos a nossa localização, quando nos fidelizamos num supermercado e registamos nos cartões promocionais todas as nossas compras, quando fornecemos dados pessoais por tudo e por nada ou quando fazemos uma série de outras coisas, estamos a criar um perfil. O nosso próprio perfil de vida. Estamos a dizer quem somos, o que somos, do que gostamos, do que não gostamos e, em última análise, como pensamos.

Associadas a todos estes atos, as intenções deliberadas dos governos dos países onde vivemos são preocupantes. Snowden conta como a administração norte americana controla os seus cidadãos e, mais grave ainda, os cidadãos que não tutela, de outros países. A monitorização de emails ou até mesmo a gravação das chamadas que fazemos, sem conhecimento público, levam os Estados Unidos a possuírem informações que podem ser utilizadas para controlar melhor as pessoas no século XXI do que nos tempos que Orwell imaginou.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Isabelle Oliveira: A Aldrabona

©Expresso 21.2.15 e Visão 19.3.15
"Aos 38 anos, Isabelle Oliveira, professora e investigadora luso-francesa, acaba de tomar posse como vice-reitora da Universidade de Sorbone, em Paris".

Começa assim o artigo do semanário Expresso, na página 23 do primeiro caderno do dia 21 de fevereiro. Orgulho nacional? Não. A Isabellinha (com dois L´s) não passa de uma aldrabona.

O artigo do jornal vem ilustrado com uma fotografia da intrujona com ar firme e inabalável e a ponte 25 de abril em fundo. Isabelle caminha em direção ao sucesso.

Na edição de hoje da Visão (1150) esta mulher que sempre presou "ser Oliveira e não Olivier" - tem orgulho em ser lusa - perdeu a sua fraca cabeleira pintada de ruivo com os cabelos brancos a espreitar e descobriu-se-lhe a careca.

Isabelle Oliveira não é vice-reitora e nem sequer tem ligações à Sorbone. É, isso sim, diretora de um departamento de outra universidade: Sorbone Nouvelle Paris 3. Cerca de 800 anos mais nova que a mítica universidade francesa.

Se esta senhora não é vice-reitora, como foi o Expresso e outros jornais, capazes de noticiar este feito? Fica a pergunta.

terça-feira, 17 de março de 2015

O Prisioneiro 43

© El Mundo, 15.3.15
O jornalista espanhol Javier Espinosa utiliza 5 páginas do suplemento semanal Crónica do jornal El Mundo (9214) para relatar o que viveu durante os 194 dias que forçosamente se entregou aos radicais do Estado Islâmico (vou abster-me de preceder o nome Estado Islâmico de autodenominado).

Nas páginas, carregadas de sensações fortes, Javier Espinosa conta como foi ser capturado juntamente com o seu reporter fotográfico, Ricardo García Vilanova e como foi conviver com James Foley e John Cantlie nos seus últimos dias de vida.

A história que hoje se apresenta deveria ter sido relatada há mais de um ano, altura em que os jornalistas foram libertados. Não o fizeram. Ameaçaram matar os reféns que ficaram em cativeiro, declara Casimiro García-Abadillo, diretor do El Mundo e confirma Espinosa na sua crónica.

"O fio da espada roçava-me a jugular. Os Beatles – era esse o nome que usávamos para nos referirmos aos três militantes – sempre gostaram de testar-nos. Sentaram-me no chão. Descalço. Com a cabeça rapada. Uma barba imensa e um uniforme laranja que celebrizou, tristemente, a prisão norte-americana de Guantánamo. John tentou aumentar o dramatismo. Acariciava-me o pescoço com o aço sem deixar de falar." 

É desta forma que o jornalista começa a contar a terrível situação porque passou acrescentando que, depois disto, foi-lhe apontada uma arma à cabeça e o gatilho foi premido. Três vezes. Apercebeu-se de que não estava morto quando ainda respirava. "Chama-se falsa execução", esclarece. Embora tenha visto o carrasco carregar a Glock, ela estava bloqueada. Mas Espinosa não sabia.

Espinosa vestia um uniforme laranja. Tinha o número 43 e era uma réplica do fardamento dos prisioneiros de Guantanamo. 

Não havia espaço a perdões ou arrependimentos. Embora James Foley e John Cantlie tenham afirmado ser  de origem Paquistanesa, acabaram mortos sem piedade por verdadeiros ocidentais sem escrúpulos.
© El Mundo, 15.3.15
"Sentes? Está frio, não está? Imaginas a dor que sentirás se eu tu cravar? O primeiro golpe cortar-te-ia as veias. O sange misturar-se-ia com a saliva..."

Esta é a frase destacada por El Mundo para anunciar a crónica de Espinosa. A publicidade perfeita. Parece até um daqueles casos em que os jornais dão a primeira página aos anunciantes. 

Neste caso o anunciante chama-se Estado Islâmico. Não paga pelo anúncio. Não quer vender nada. Quer, apenas, ter reconhecimento pelos atos que leva a cabo.

Assim como a morte de James Foley e John Cantlie serviram uma audaz campanha publicitária, também a libertação deste jornalista serve o mesmo propósito. É bom matar. Impressiona. Mas também é bom libertar. Comove.

A situação que se vive naquelas zonas do Iraque e da Síria é mais do que uma guerra de armar protagonizada por terroristas. É a utilização dos meios de massa como nunca foi possível até aqui. Os média, neste momento, são apenas a arma do crime porque não podem controlar o que circula e contornar simplesmente o que se passa não é opção.

O jornal espanhol El Mundo fez uma transposição da crónica de Espinosa para o seu site com elementos novos como vídeos e infografias. Pode ser acedido aqui!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Mujica: "Viver É Superar As Coisas Que Ficam Para Trás E Ter Outras Para A Frente"

© Expresso
Na última edição do semanário Expresso (2210) o jornalista Márcio Resende teve a oportunidade de entrevistar um dos chefes de estado mais carismáticos do mundo. E não foi fácil. De entre as milhares de solicitações, José Alberto Mujica Cordano escolheu pessoalmente o semanário luso para aprofundar relações entre o Uruguai e Portugal. 

É na sua chácara, distante do centro de Montevideu que sempre morou e continua a morar. Retirando, claro está, os quase quinze anos que esteve preso aos braços da ditadura militar. Vive em 45 metros quadrados debaixo de um teto de zinco. Recusou a residência oficial e recusou também as formalidades. Quando o jornalista chega à casa de Mujica encontra um polícia, sem farda, que o cumprimenta.

Este homem, de 80 anos, foi o responsável por colocar o Uruguai no mapa mundial. É, inclusivamente, mais popular no resto do mundo do que no seu próprio país. "Ninguém é profeta na sua própria terra", ironiza.

Quanto a inovação está em quase todos os tops possíveis. Foi o segundo país da América Latina a legalizar o aborto e a permitir o casamento homossexual e tornou-se no primeiro estado no mundo a regular a produção, distribuição e venda de marijuana. Ajudou no reatar das relações entre Cuba e EUA, recebeu presos de Guantanamo e doa 87% do seu salário.

Não serão apenas virtudes. Não há homens perfeitos. Mas Mujica tem valores vincados que segue à risca. Da entrevista ficam as palavras mais inspiradoras:


"Viver é superar coisas que ficam para trás e ter outras à frente."
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"Do ponto de vista da temperatura social, os seres humanos tendem sempre a considerar que houve um passado melhor. Porque quando pensamos assim, lembramo-nos da nossa juventude. Naturalmente, não há passado mais lindo do que a juventude."
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"Nenhum vício é bom, a não ser o do amor."
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O jornalista pergunta o que sentiu quando um jornalista fumou à sua frente durante uma entrevista:
"Senti pena. Porque ele fez isso como um processo libertador. Mas que libertador?! É a construção de uma escravidão!"
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"Creio que se aprende muito mais da dor do que da bonança. A bonança envaidece, idiotiza, torna tudo fútil."
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"Alguns como eu pensam que é possível a construção de um mundo melhor. Mas é possível que esse mundo melhor seja a marcha constante. Não quer dizer que cheguemos a uma terra prometida. Quer dizer que damos conteúdo à vida de lutar por esse mundo melhor."
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"A Europa tem uma profunda dependência da batuta alemã. A Alemanha conseguiu na paz o que não conseguiu alcançar com duas guerras."
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"Outro erro foi a Ucrânia, foram longe demais no mapa. Estaria bem se tivessem deixado a Ucrânia em stand by. Mas cometeram o erro de pedir mais do que podiam dar."
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"O problema não é Putin. É a Rússia."
Entrevista disponível aqui!

quinta-feira, 12 de março de 2015

De Gaudi Para Gaudi ▷

em Barcelona, Espanha
Antoni Gaudi é a figura de Barcelona. É indissociável. São as casas, a catedral e o parque. 

Guell queria uma urbanização para pessoas de classe alta, longe do centro da já grande cidade. Ao que parece não houve muitos interessados em comprar as casas que quase não se construiram, com exceção de alguns exemplares. Os suficientes para tornarem este espaço num local de culto.

Estrategicamente localizado, a partir dele é possível perder a respiração ao olhar sobre a cidade catalã. É ainda incrível olhar desde o parque concebido por Gaudi para a catedral concebida por Gaudi e para a torre inspirada em Gaudi: a Torre Agbar. 


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terça-feira, 10 de março de 2015

A Cidade Da Cerveja Ou A Cerveja Da Cidade? ▷

em Dublin, Irlanda

Dublin está intimamente ligada ao negócio da cerveja. Desde 1759 que dá o sustento a muitos irlandeses e, ainda hoje, se reflete na capacidade produtiva e de exportação do país.

A cerveja Guinness é um símbolo de Dublin. Até podemos inverter os papeis e dizer que Dublin é um símbolo da cerveja Guinness. Não é um exagero. Foi a cerveja que escolheu para si o símbolo da arpa e só depois Dublin o escolheu como seu também.

A melhor forma de conhecer a Guinness é, claro, provando-a. Desta forma conseguimos descreve-la muito pessoalmente, mas, como qualquer marca de sucesso, tem uma história para contar e, a oeste da cidade, o museu da Cerveja Guinness conta como se fez e como se faz esta bebida escura que tanto se pode beber como comer.



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segunda-feira, 9 de março de 2015

Encontros Em Torno Do Documentário

em Coimbra, Portugal
A convite da secção de jornalismo da Faculdade de Letras da UC, estive no passado dia 3 de março a apresentar o meu documentário na Casa das Caldeiras. PosDoc, Encontros em torno do documentário é o nome da iniciativa que continua nas próximas semanas.
Casa das Caldeiras, 3.3.15

Destaque no "Diário de Coimbra", dia 2.3.15

Cartazes e flyers promocionais do evento

domingo, 8 de março de 2015

Jornais Futebolísticos

   
Jornais O Jogo, Record e Abola de 8.3.15

Esta conversa já começa a tresandar a lugar comum. No entanto, como tenho um ódio de estimação ao jornalismo desportivo português, aqui vai.

Na realidade o problema começa precisamente pela definição do tipo de jornalismo que jornais como Record, A Bola e O Jogo fazem. Embora o estatuto editorial do Record diga, claramente, que é "especializado em desporto", não há dúvida para ninguém que o futebol é quem mais ordena.
Hoje, louvado seja A Bola, os periódicos que vendem mais de 70 mil exemplares por dia (de acordo com a Associação Portuguesa para o Controlo de tiragem e circulação - dados do 6º bimestre de 2014, somando O Jogo e Record) decidiram dar primazia ao desporto rei, o futebol, em detrimento da vitória de Nelson Évora nos europeus de atletismo.

Digo louvado seja A Bola porque deu o destaque merecedor a este acontecimento, no entanto não fica isento de críticas noutras circunstâncias e, mesmo nesta, não há informação de que tivesse em Praga um correspondente, só um, para cobrir um evento em que tantos portugueses participam e se destacam.

Também os generalistas ficam mal na fotografia quando, em eventos desportivos onde nada de relevante se consegue têm batalhões de jornalistas e, noutros, onde há verdadeiros feitos para o desporto nacional, escusam-se de marcar presença.

sábado, 7 de março de 2015

Michio Kaku

Na semana que passou o Expresso deu-me a conhecer Michio Kaku, um físico americano que é descrito pelo correspondente do semanário nos EUA como um "manipulador mental de equações das teorias da relatividade e da física quântica". Ele próprio, depois de confessar a admiração por Einstein admitiu estar a manipular equações enquanto respondia às perguntas do jornalista. Dá aulas no City College University of New York, escreve livros, assina programas de televisão e ainda dá conferências por todo o mundo - vai estar em Portugal no próximo dia 12 de Março.

O investigador de topo olha para o futuro da informação e crê num capitalismo perfeito com o acesso imediato às informações através de lentes de contacto que serão ecrãs. Desta forma as pessoas poderão ter acesso às informações de preços e, assim, não serem enganadas ou poderem optar pelos produtos mais baratos. No entanto Kaku não acredita num domínio total das tecnologias. Apesar de, por exemplo, acreditar que os média vão estar totalmente no digital, não despreza aquilo a que chama de "capital intelectual". Para isso compara dois países que diz conhecer bem: a Rússia e a China. O país de Putin, afirma, pode sofrer com a importância económica dada ao petróleo. Por outro lado, afirma que a China percebe que, para além de toda a indústria, as mentes são fundamentais. E, reitera, mentes não podem ser produzidas em massa. É preciso tempo. Tempo de formação em escolas e universidades.

domingo, 30 de novembro de 2014

Pelo Sim Pelo Não

Ricardo Salgado foi dono e senhor de Portugal. Era-o por ser homem forte de um dos maiores grupos económicos e de um dos mais antigos bancos e, sendo conhecido como dono disto tudo, tinha poderes que até à bem pouco tempo eram desconhecidos ou, pelo menos, discretos.

Falo neste cidadão porque para além da distinção de DDT (oficiosa) tinha ainda várias distinções pomposas de melhor banqueiro (oficial). Também o BES, banco que liderava, tinha as melhores classificações em Rankings nacionais e internacionais. Essas distinções vieram a revelar-se inúteis e, algumas delas, até fraudulentas.

Por via de dúvidas, os bancos - eles próprios - estão a precaver-se destas distinções. Como quem diz: "ganhámos o prémio, mas se isto der para o torto, não temos nada a ver com isso". É o caso do BIG que, consagrado pela 7ª vez "Melhor Banco" pela revista Exame, deixa claro que "Este prémio é da exclusiva responsabilidade da entidade que o atribuiu".

Jornal Expresso de 29-11-14

sábado, 4 de outubro de 2014

Publireportagem?

Hoje li o Diário As Beiras. Mais uma vez não gostei do que estava impresso naquelas páginas e decidi enviar um email ao diretor. Aqui fica:


Caro Diretor do Jornal Diário As Beiras Agostinho Franklin,


Envio esta mensagem para dar conhecimento do meu descontentamento por aquilo que considero ser um desrespeito total pelos leitores, pelo jornalismo de qualidade e, acima de tudo, pela liberdade de imprensa.

Não sou leitor assíduo do Jornal Diário As Beiras por considerar que o rigor exigido a um jornal local não é, nem de longe nem de perto, atingido pela vossa publicação.Esta minha conclusão assenta num sem-número de vezes que tive em minha posse o referido periódico - porque o encontro em estabelecimentos comerciais ou porque é distribuído com o Expresso (jornal que compro semanalmente) - e que fiquei baralhado com o que ia lendo. 

Não sabia se aquele conjunto de palavras era uma reportagem sobre o Licor Beirão ou se era um anúncio publicitário. Não sabia se aquelas fotos da inauguração da nova clínica da SanFil na "Coimbra Fotográfica" eram uma escolha editorial ou uma escolha comercial. Não sabia se aquele pequeno texto sobre o novo restaurante do Bar Rock Planet era uma inserção de um jornalista ou de um marqueteiro.

Tem-se falado no jornalismo de proximidade e na "clareira" que existe no jornalismo regional atual. Acredito que novos projetos sérios podem surgir para captar leitores e devolver ao jornalismo a condição de negócio rentável sem a qual não conseguirá libertar-se da meia dúzia de interesses instalados.

Acredito que a qualidade é o escape do jornalismo. Só a qualidade pode conferir importância e criar um verdadeiro quarto poder livre.

Os jornais são ainda - ao contrário do que muitos querem fazer querer - um elemento fundamental na disseminação de informação. Se, por um lado, os jornais de informação nacional transportam as notícias importantes do país embora um pouco distantes da realidade de quem as lê, por outro lado, os jornais locais veiculam notícias que influenciam a vida dos seus leitores quase imediatamente.
É urgente dar ao jornalismo regional a verdadeira importância que ele tem. É urgente ser claro e voltar a erguer o muro que foi sendo construído e que agora parece estar a perder mais tijolos. É urgente erguer o muro que separa a redação do departamento comercial.

Não espero resposta, espero conseguir dirigir-me - daqui a algum tempo - a um quiosque e dizer: "era o Diário As Beiras se faz favor..."

Cordialmente,
Diogo Pereira