quinta-feira, 3 de abril de 2014

125 Anos Para A Rainha De Paris

em Paris, França

No passado dia 31 de Março o monumento mais emblemático de Paris completou a bonita idade de 125 anos. Quando lá estive, à cerca de dois anos, não lhe dediquei nenhum post. Mas agora quero partilhar, pelo menos, uma fotografia. Toda a gente sabe a história da Torre de Paris. Toda a gente sabe que ela foi montada para a Exposição Universal de 1889. Toda a gente sabe que haveria de ser desmontada e nunca foi.
A Dama de Ferro de Paris não teve direito a festa de aniversário porque a realidade é que a Torre Eifel é sempre uma festa.

domingo, 30 de março de 2014

Ir De Tapas

em Madrid, Espanha
Há experiências que não se têm todos os dias e uma vez que estou em Madrid. Sou Madrileno.
Aproveitando um fim de semana de visita de uns amigos potugueses à capital espanhola não poderíamos deixar passar a oportunidade de comer o que de mais tradicional Madrid tem.
Juntamente com outros estrangeiros que estavam de passagem pegámos em 10€ e fomos até aquilo que em Portugal chamaríamos de Tasca. Na realidade é um restaurante, longo em comprimento, no qual as pessoas se vão sentando ou vão ficando de pé, foi o nosso caso. Depois escolhemos entre sangria, tinto de verano - que é uma espécie de sangria mas sem frutos - ou cerveja. A partir daqui tudo o que acontecer está fora do nosso controlo. Enquanto a jarra não ficar vazia os pratos também não ficam porque a comida vai surgindo.
As mais destacadas são as batatas bravas. Umas batatas com molho picante, muito picante, de fazer ir ao copo muitas vezes. Vão surgindo também uma espécie de croquetes não muito bem identificáveis acompanhados por pequenos pedaços de tortilha. Como se não bastasse vão ainda surgindo também fatias de pão com os mais diferentes petiscos em cima: desde presunto, queijo, fiambre... Um mimo para o colesterol.
É preciso falar alto, muito alto porque os espanhóis são assim, sem constrangimentos ou vergonhas. Barulhentos por natureza.
Outra particularidade: na mesa só há comida e bebida. Todo o lixo, como guardanapos ou palitos vão parar ao chão. Ninguém ocupa mais espaço do que o essencial.

sábado, 29 de março de 2014

O Teatro Do Fundo Da Minha Rua

em Madrid, Espanha
No dia 27 de Março foi dia mundial do teatro. Há ideias nebulosas sobre os primórdios desta arte mas desconhece-se a época exata em que ele nasceu. Na realidade esta será uma das mais antigas artes existentes. O Teatro é tudo e todos somos atores.
Não podia deixar passar este dia sem o assinalar. Ou até podia, mas não seria a mesma coisa.
Aqui em Madrid houve uma grande promoção a este dia, ou melhor, à noite dos teatros que prometia entradas com valores muito acessíveis para que todos os madrilenos, ao menos neste dia, pudessem tomar contacto com a arte de Shakespear (uma delas).
Não sei quantos teatros há em Madrid. Fiz uma pesquisa na interntet e também não fiquei a conhecer o número exato. Apenas que são muitos. De acordo com as coordenadas do Google Maps mais de 200 certamente.
Para quê procurar freneticamente se a resposta às nossas perguntas pode estar debaixo do nosso nariz, ou melhor, no fundo da nossa rua?
Os Teatros do Canal estão bem no fundo da minha rua, em Madrid, e neste dia mundial do Teatro ofereceram uma visita encenada gratuita.

Às cinco em ponto lá estamos para começar a viagem por este moderno espaço, inaugurado no bairro de Chamberi em 2009. Os torniquetes abrem-se quando uns dez minutos depois da hora um assistente nos recebe. Somos uns trinta visitantes e ele faz-nos prometer uma série de regras que, em voz alta e de mão no ar, alto e bom som, vamos repetindo à medida que o simpático assistente as vai proferindo.



Subimos ao primeiro andar e encontramos mais uma personagem. Esta parece uma atriz saída da idade média. Uma dama de vestido comprido, cor de rosa, cabelo encaracolado e cara lisa.
Faz referência à arquitetura moderna com elementos em madeira e vidro, muito vidro. Mesmo num dia de nuvens como este 27 de Março a luz da rua é quase toda aproveitada. Insiste para que saibamos o nome do arquiteto: Juan Navarro Baldeweg.


A primeira paragem sentada faz-se na sala vermelha. A modernidade impera. Estamos perante um luxuoso espaço que homenageia o teatro. São 863 lugares para disfrutar de espetáculos altamente auxiliados pela tecnologia. Aqui podem fazer-se para além de peças teatrais, concertos ou projeções cinematográficas. É na sala vermelha que vamos encontrar mais um guia. Este parece aterrorizador. É o fantasma dos teatros do canal.

Saídos da sala vermelha voltamos a parar no meio do caminho para olharmos para o alto das paredes do edifício e congratular a arquitetura de Juan Navarro Baldeweg.


Caminhando mais um pouco, não muito, conhecemos a sala verde. Um pouco mais pequena do que a vermelha mas esta com mais capacidades. A plateia pode transformar-se para que, à semelhança da sala vermelha, se alinhe em plateia à italiana (em que o público está à frente do palco) ou para que o palco fique transformado num autêntico ring de boxe com público por todos os lados.

Na reta final da visita aos teatros do canal conhecemos ainda o centro de dança. Um centro de excelência também ele com capacidades arquitectónicas à sua medida.

A visita aos Teatros do Canal terminou com um "cheirinho" do ensaio do típico Flamenco espanhol.

sábado, 22 de março de 2014

Aula Aberta No Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra

em Coimbra, Portugal
O convite surgiu de alguém que não conhecia: o Professor Pedro Jerónimo. O objetivo: dar uma aula aberta no Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra onde é docente. O propósito: o documentário que realizei.
Aceitado que foi o desafio aqui ficam alguns elementos do evento como fotos e cartaz...
Fotografia tirada no decorrer da aula aberta

Destaque do "Diário de Coimbra" do dia 20.3.14 e cartaz do evento

Entrevista dada à TV AAC no final da aula aberta

quarta-feira, 19 de março de 2014

Podemos Deixar Morrer A Mais Antiga Profissão?

O “Jornalismo é a mais velha profissão, mesmo mais velha que a outra”. Quem o diz é Mário Zambujal. E eu pergunto: podemos deixar morrer a mais antiga profissão?

Fiz este trabalho essencialmente com dois objetivos. Em primeiro lugar porque me estou a licenciar em jornalismo e como é meu objetivo fazer disto profissão achei por bem fazer uma apalpação do terreno para saber com o que posso contar no futuro. Em segundo lugar vi no conceito entrevista o pretexto ideal para conversar com pessoas que, de outra forma talvez fosse mais complicado.

Na realidade as conclusões não foram as mais animadoras: ganha-se mal no jornalismo e ele está quase a desaparecer.

Respondendo à pergunta com que iniciei este conjunto de palavras acho que não podemos deixar morrer esta profissão. 

A liberdade (pela qual não lutei) sabe-me bem. Gosto de poder escrever sobre as atrocidades Russas e dizer que o Passos Coelho é um mau governante sem ter medo de ser preso, ou pior, levar um pontapé. Falar sobre as atrocidades Russas e dizer mal do Passos não é possível apenas porque vivemos em liberdade, aliás só a liberdade é que permite que o Passos seja primeiro ministro. O que permite tomar posições, criticar e, em último recurso, julgar, é o acesso à informação, e esse acesso apenas se consegue porque existem jornais (poucos), televisões, rádios e internet(s). Na realidade tudo isto é uma pescadinha de rabo na boca. Há informação porque há liberdade e há liberdade porque há informação.

A informação que nos permite tomar decisões acertadas e dizer que o Passos é mau (ou bom) primeiro ministro tem sempre que ser uma informação profissional porque só os profissionais é que têm faculdades para a desenvolverem. Acontece que, na atualidade, qualquer um que tenha acesso à internet pode ser jornalista. O grande problema é que o público em geral, essencialmente os mais novos que sempre estiveram habituados à ideia de liberdade total, não vêm qualquer diferença entre o site “Tá Bonito” e o site “Público.pt”. Sem desprimor para os conteúdos de um ou de outro convínhamos que a informação responsável é a do segundo. No segundo podemos responsabilizar o autor da informação porque aquilo é a profissão dele. Ele tem deveres públicos.

Para que o jornalismo continue a ser a mais velha profissão e não acabe é preciso consciencializar o público para a necessidade de pagar os seus conteúdos. Só assim retiramos importância à publicidade nos jornais e garantimos que o direito constitucional de “ser informados” se mantém.

domingo, 16 de março de 2014

O Teleférico De Madrid ▷

em Madrid, Espanha
Dizem eles que é onde conseguimos as melhores panorâmicas de Madrid. Não é uma mentira total. Mas quase. Do Teleférico de Madrid conseguimos ver os arranha-céus da capital espanhola mas, na realidade não de forma muito clara. Talvez quem tenha uma câmara de grande resolução, como aquelas dos repórteres fotográficos dos estádios, consiga ver qualquer coisinha com nitidez. Ainda assim confesso: é um bom passeio de domingo e não é muito dispendioso. Passa pouco dos cinco euros a viagem de ida e volta. Mas ir e voltar para onde? Para uma zona verde muito perto da cidade: Casa de Campo. Poderíamos ir de metro: gastaríamos menos e não teríamos a desculpa do factor subterrâneo porque esta parte da linha é à superfície mas chegar através dos cabos também não é mau.
A Casa de Campo faz lembrar uma zona rural, distante do frenesim citadino. Há árvores, muitas árvores, um lago, pessoas em piqueniques e do alto do teleférico avistam-se coelhos. Uns a andar, outros a correr e alguns até sentados com as patas dianteiras no ar como que a dizer adeus aos turistas que passam nas cabines azuis, com nuvens brancas ilustradas.
A viagem dura cerca de dez minutos. Chegados a Casa de Campo, saímos do Teleférico e damos um passeio pelo parque. Avistamos, a uns cinco minutos de caminho, o Parque de Atrações de Madrid. Ao longe apenas conseguimos ver as montanhas russas. Parecem assustadoras. Ouvem-se os gritos dos mais afoitos. Junto de nós há crianças que se divertem e adultos que aproveitam o dia de sol num dos pedaços sombrios de relva.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Tudo O Que Se Passa Passa Na TSF (2)

em TSF, Porto, Portugal
O relógio marca 4:30, é de noite lá fora e os três jornalistas já estão na redação. O primeiro noticiário transmitido em direto do Porto só começa às seis da manhã mas o trabalho de recolha de informação começa muito antes disso. Artur Carvalho, editor dos noticiários da hora certa indica-me o caminho para a sala da videoconferência e confidencia-me, em tom de brincadeira: “eles não estão muito bem dispostos, ninguém pode estar bem disposto a trabalhar numa segunda feira a estas horas”.


Com o apoio da tecnologia começa a primeira reunião do dia com a sede da TSF em Lisboa. Aqui alinham-se as primeiras notícias do dia através da análise daquilo que foram os noticiários do dia anterior. “Não há grande coisa hoje” lamenta uma jornalista do lado de lá do ecrã, “é por ser segunda feira” conclui a jornalista Leonor Martins que tem a seu cargo os noticiários das meias horas.


Os primeiros noticiários do dia são feitos a partir dos estúdios da delegação da TSF do Porto, na Trindade. O edifício do nortenho Jornal de Notícias é também a casa da rádio que vai até ao fim da rua ou até ao fim do mundo para contar uma boa estória.

“O mais difícil é o horário” confidencia-nos Leonor Martins que vai passando os olhos pelos jornais que acabaram de chegar pela mão do senhor Fernando, o funcionário que também faz um percurso diário, antes do sol nascer, para apanhar todos os jornalistas do turno da manhã, nas suas casas, e os deixar na TSF antes das quatro e meia da manhã, “é uma importante ajuda porque assim não há desculpa para adormecermos ou chegarmos atrasados” refere Artur Carvalho, entre um sorriso interrompido por um bocejo enquanto escreve os títulos das primeiras notícias do dia.



A máquina de cápsulas não para durante toda a manhã, é a ajuda imprescindível para que os profissionais se mantenham de olhos abertos. Com o copo de café na mão e em frente ao computador vão trocando algumas impressões sobre a atualidade e sobre a fraca quantidade de assuntos para tratar nesta manhã de segunda feira.

Bem perto das sete da manhã, Artur Carvalho espera que a impressora da redação imprima todos os textos para o primeiro noticiário e convida-me a assistir ao trabalho em direto no estúdio. “Aqui é o programa informático que alinha os sons [com depoimentos] que vão entrar e aqui é o chat onde estou a conversar com o animador de Lisboa que me vai apresentar e que no final do noticiário vai continuar a emissão”, explica o editor apontando para o computador. No estúdio uma televisão sintonizada na SIC Notícias e um relógio digital informam que está eminente o começo da transmissão. A revolta na Turquia é o tema central do dia e o noticiário começa com os últimos desenvolvimentos e inclui declarações de um professor universitário que contextualiza o tema.

À saída do estúdio o jornalista cruza-se com o técnico responsável que lhe diz que tudo correu dentro dos parâmetros técnicos normais, ainda assim a presença do técnico é dispensável para o decorrer do noticiário, uma vez que o jornalista tem todos os comandos à sua frente e é ele que conduz as operações. A figura do técnico é importante sim na hora de fazer o tratamento dos sons e de os alinhar no programa informático para que o jornalista os possa lançar depois.

A delegação da TSF na invicta parece uma rádio pirata, embora esteja instalada no edifício do Jornal de Notícias a entrada faz-se pela garagem. Caminha-se um pouco e depois encontra-se a entrada, não é um sítio fácil, parece obscuro, algo ilegal. No interior notam-se os 25 anos nas paredes decoradas com pósteres da seleção nacional de futebol amarelecidos e muitos motivos de publicidade e com inscrições de slogans míticos da TSF. Na entrada para o corredor de acesso aos 4 estúdios pode ler-se “tudo o que se passa, passa na TSF”. Há várias televisões sintonizadas nos três canais de informação mais mediáticos de Portugal e no decorrer de cada noticiário um dos jornalistas coloca os headphones e ouve a emissão das concorrentes para perceber o que é notícia nas outras sintonias. Não faltam jornais do dia, e de outros dias nem café, muito café que vai sendo consumido à medida que o sono pede.

As únicas pausas destes jornalistas são para fumar. De quando em vez lá vão até à porta da rua – não se pode fumar na redação – para “dar uns bafos rápidos porque há muito trabalho” afirma Leonor Martins. E depois volta-se para a frente do computador porque a cada 30 minutos a TSF entra no ar para dar as últimas.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma Definição Para Redes Sociais E Jornalismo

O jornalismo já não é feito apenas por jornalistas para o público. Agora a fronteira que separa do jornalista do cidadão que se quer manter informado é cada vez mais ténue. Temos assistido, nos últimos anos, a uma entrada dos meios de comunicação social, não só na internet como, dentro da internet, nas redes sociais: facebook, twitter ou até mesmo o youtube são exemplos disso. Estes espaços públicos onde parece estar toda a gente, são cada vez mais apetecíveis para os órgãos de comunicação social uma vez que através deles conseguem promover o seu trabalho mas também conseguem fontes de informação de grande utilidade. O público não quer apenas ser informado, também quer informar e, na realidade, há sempre alguém que viu primeiro ou viu melhor: porque não aproveitar este contributo? 

Quando falamos em redes sociais e jornalismo concebemos uma relação de troca de informações, ainda assim, mesmo antes da fixação do público em frente aos ecrãs dos computadores, smartphones e tablets esta troca de informações já existia e o público já conseguia falar com os órgãos de comunicação social através de telefones ou das míticas cartas ao diretor. Para Lopez agora há novas formas e mais rápidas. “o que é realmente novo é a superação de novas barreiras, principalmente as tecnológicas e novas possibilidades que se abrem na atualidade para a participação dos usuários no processo de produção de informação.” [LOPEZ: 2007]. A ideia de que o público pode e consegue participar no processo de produção de uma notícia é o que de realmente novo as redes sociais vieram trazer e, com isso, mudaram por completo as formas tradicionais de fazer jornalismo: “a audiência deixou de ser passiva” [PAVLIK: 2001]. Como se a inovação não bastasse, ela mostra-se fértil uma vez que não é difícil que um cidadão comum se possa transformar numa espécie de jornalista: 

“A tecnologia deu-nos um kit de ferramentas para a comunicação que permite a qualquer um tornar-se um jornalista a baixo custo e, na teoria, com alcance global. Nada disto teria sido possível no passado.” [GILMOR: 2004] 

“Existe um novo tipo de público, interessado em participar de várias maneiras, partilhando informação e, ao mesmo tempo, disposto a desenvolver matérias informativas” [LOPEZ: 2007] 

Com todas estas possibilidades ao serviço do jornalismo impõe-se uma pergunta fatal: continuaram a existir jornalistas profissionais? Pode dizer-se que esta é uma pergunta que tem estado na mesa desde que os públicos começaram a participar no processo de produção de notícias mas, principalmente, a partir do momento em que começaram, eles próprios a produzir informação. Nesta questão Edo é perentório e considera a expressão “jornalismo cidadão pouco feliz, que não reflete a realidade.” 

“O jornalismo exige níveis cultural e ético adequados, a capacidade de trabalho e de síntese, linguagem adequada, persistência, fontes seguras e contrastadas, uma empresa confiável para garantir a precisão e as estruturas de trabalho profissionais. Mas também é verdade que neste contexto, os jornalistas têm que assumir novos desafios e aumentar seu nível de trabalho, além de coordenar o fluxo de informações com a demanda de qualidade, com modelos textuais que forneçam os géneros e com rigor para colocar o selo de autenticidade”. [EDO: 2007] 

Para a investigadora Ana Bambilha as redes sociais assentam em três vertentes: 

“Na apuração (busca por fontes, personagens, pautas, testemunhos, opiniões); na veiculação (linguagem adequada aos medias sociais, grupos e momentos certos para divulgação de determinadas notícias); e no feedback / relacionamento com o publico (aproveitar a quantidade de informação espontânea e gratuita para melhorar o trabalho” [BAMBILHA: 2010] 

O Twitter tem ganho, nos Estados Unidos da América – não há estudos que demonstrem se esta tendência também se verifica em Portugal – mais fãs em deterimento do Facebook que se apresenta como a rede social com mais utilizadores (1000 milhões de utilizadores ativos no Facebook, 200 milhões no Twitter). Os adolescentes são os que mais se queixam das restrições de privacidade impostas pela rede social de Marck Zuckerberg e estão a transferir-se para o Twitter que, segundo o seu co-fundador, Bizz Stone “é uma rede de informação muito rica para informar em tempo real. A nossa ideia é que essa informação chega a todos a quem possa interessar, é nisso que estamos a focar-nos.” 

Numa observação que a investigadora Kárita Cristina Francisco fez da utilização das redes sócias por dois órgãos de comunicação portugueses – o Jornal de Notícias e o Público – concluiu que 

“o uso do Twitter e do Facebook pelo Jornal de Notícias e pelo Público visa especificamente a divulgao de notícias, por se tratar de um perfil de uma empresa de comunicação e que de acordo com Recuero (2009) estaria em busca de valores como autoridade e reputação”. [FRANCISCO: 2012] 

As redes sociais estão presentes e para ficar no quotidiano dos jornalistas e os profissionais da comunicação têm tentado controlar os efeitos colaterais que estes novos meios podem causar. Veja-se o caso de uma jornalista da CNN que foi despedida depois de publicar a sua opinião numa rede social. É importante olharmos para as redes como praças públicas onde tudo o que é dito pode ter uma projeção global e chegar a milhões de pessoas. Também por isso, José Alberto Carvalho, quando era diretor de informação da RTP criou um conjunto de nove regras que os jornalistas deveriam seguir quando usassem da palavra no Twitter ou Facebook. “A autoridade tradicional do profissional formado está sob o desafio de amadores dotados sejam eles blogueiros em Gaza ou Twitters em Mumbai” [MCNAIR: 2009]. As prespetivas para o jornalismo na rede não parecem ser famosas mas devem ser enfrentadas como um repto para uma maior e melhor profissão.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Com Que Linhas Se Cose O Futuro Do Jornalismo? ▷




Em tempos de mudança também o Jornalismo sofre com os novos hábitos. Leitores, ouvintes ou telespetadores passaram a chamar-se apenas consumidores de informação e alguns casos são eles próprios os jornalistas. O Jornalismo tem vindo a revelar-se um negócio não rentável. Há cada vez menos jornais a circular e cada vez mais utilizadores de internet.



Nesta reportagem são abordados diferentes temas sobre o futuro do quarto poder através de entrevistas aos atores do momento.

Miguel Sousa Tavares, ex-jornalista e comentador político não acredita na maturidade da informação online e defende que os jornais deveriam ser só papel.

Bábara Reis, diretora do Jornal Público está convicta de que os sites vão começar a dar dinheiro aos órgãos de comunicação social.

Emídio Rangel, fundador da SIC e da TSF está cada vez mais de pé atrás relativamente aos profissionais que hoje veiculam notícias e afirma que a qualidade do jornalismo tem vindo a decair enormemente nos últimos anos.

João Paulo Meneses, editor de online da TSF, olha a internet como uma ameaça aos meios tradicionais e às formas de se fazer jornalismo.

João Figueira, professor de Jornalismo na Universidade de Coimbra alerta para a necessidade de se pensar no jornalismo a nível global e chama atenção para a queda do número de profissionais nas redações ao mesmo tempo que crescem os especialistas em comunicação empresarial.

Helder Bastos, Professor de Jornalismo na Universidade do Porto faz uma análise ao modelo de negócio que ainda não descolou e que põe em causa o futuro da profissão.

Carlos Camponez, Professor de Jornalismo na Universidade de Coimbra não acredita no fim da profissão porque isso pode pôr em causa a própria democracia.

Não Aconteceu. Está a Acontecer mostra com que linhas se cose o futuro do jornalismo em Portugal.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Sobre Rodas

em Munique, Alemanha

O que é que caracteriza uma cidade funcional? Munique é uma cidade funcional.

Para além de todas as redes eficientes de transportes, quer seja o metro, os autocarros ou os elétricos a capital da Baviera nasceu bafejada pela sorte que a maior parte das cidades portuguesas não têm. Munique é uma cidade plana. Bem sabemos o porquê das nossas cidades altas. Certo é que em tempos nos deram segurança mas agora só nos dão dores de pernas e cansaço.

As linhas direitas desta cidade são uma das características que me deixa afirmar que Munique é uma cidade funcional porque todos andam de bicicleta. Aqui este é o meio primordial. São conhecidas as suas vantagens ambientais e até para a saúde do seu condutor já para não falar nas vantagens económicas.

Tudo aqui é pensado nos veículos de duas rodas. Há ciclovias, semáforos exclusivamente destinados para bicicletas e até estacionamentos. Na maior parte dos locais é mais fácil ir de bicicleta do que de carro, embora Munique, como grande parte da Alemanha, sustente a sua economia na industria automóvel.

Com todas estas facilidades a cidade torna-se acessível a todos e não apenas a uma elite que pode ter carro para se deslocar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A Capital Da Cerveja ▷

em Munique, Alemanha
Munique é uma das mais importantes cidades alemãs. Situada no sul do país, com a Austria e a Suiça como vizinhos, ocupa o 3º lugar das cidades mais populosas da alemanha com 1,4 milhões de habitantes.

Em Setembro e Outubro a capital da Baviera é um destino turístico de exceção muito por culta da afamada cerveja que se assumo como protagonista da Oktoberfest.

Embora a minha visita à cidade tenha sido fora do periodo da festa da cerveja não podia deixar de visitar o Bear and Oktoberfest Museum.

Sem grandes letreiros ou indicações evidentes não é fácil encontrar este espaço mas lá dentro vale bem a pena o tempo passado para conhecer um pouco da história que coloca todos os anos a cidade de Munique no centro do mundo.

domingo, 10 de novembro de 2013

O Sabor Do Outono Na Serra Da Lousã

em Serra da Lousa, Portugal
O Castelo da Lousã transforma-se, por instantes, em linha de partida e, mais logo, será também a fita da meta. Vindos de Coimbra e com o objetivo de conhecer algumas Aldeias do Xisto não temos ainda em mente que os cerca de 17 quilómetros que vamos percorrer nos vão tomar o dia todo.









Começamos o longo caminho com cheiro a natureza e vontade de descobrir. A manta que pisamos é decorada com folhas secas e muitos ouriços abertos que espalham as generosas castanhas que vamos apanhando para um belo repasto com sabor a Outono no final do percurso. Mais rara é a presença dos medronhos encarnados que se destacam no meio da paisagem húmida.




O guia que nos conduz nesta aventura lá vai dizendo para caminharmos com cuidado pelos sinuosos caminhos do Xisto. As conversas fazem-se de trás para a frente ou da frente para trás, não há conversas paralelas porque não há espaço para caminhadas lado a lado. Tal como se estivéssemos num carreiro de formigas atarefadas lá vamos dando passos tímidos pelo chão escorregadio em fila indiana.





As pontes com troncos de madeira horizontais são o suporte prefeito para nos auxiliarem na passagem para o lado esquerdo primeiro e direito depois, do circuito de água criado pelos humanos para produção energética. Há que aproveitar as potencialidades dos cursos de água, mais ou menos efusivos, que aqui vão dando o ar da sua graça. Este é, aliás, um dos poucos sinais que o homem deixa na serra da Lousã, a par dos grandes moinhos eólicos lá bem no alto, a beliscar as nuvens com as pás movidas pelo vento, quase inalcansáveis.




O caminho continua com subidas penosas e descidas insolentes. As primeiras pedras cinzentas e laminadas deixam os primeiros encalços para o que nos espera lá mais à frente: a primeira aldeia do Xisto.


O Candal é o primeiro lugar de paragem depois de várias horas de caminho matinal. A paragem é para espreguiçar as pernas e reconfortar o estômago para mais uma caminhada. Ao fundo as casas feitas das rochas que as caractrizam são abrigo para umas dez ou vinte pessoas, não mais. A azáfama maior apenas se nota em época de férias ou fins de semana quando os turistas querem limpar os pulmões do ar poluído da cidade e da semana de trabalho.


No folheto informativo dado pela simpática senhora que nos abre as portas do seu estabelecimento para nos servir um café quente e uma sala aconchegante neste dia de Novembro, pode ler-se que a aldeia serrana do Candal é considerada uma das mais evoluidas e mais visitadas, fica a informação que não conseguimos confirmar enquanto lá estivemos, nem viv'alma.


Com os níveis energéticos repostos iniciamos a segunda parte do percurso acompanhados pelas primeiras dores de pernas. Por entre os pinheiros e acácias longínquas o guia aponta o dedo para uma povoação na encosta do lado oposto: "é para ali que vamos". Parece longe e começamos a fazer contas à vida, mas o caminho feito com boa companhia parece mais fácil.


Com as marcas vermelhas e amarelas não há forma de perder o rasto ao trilho que, em tempos, já foi feito por moleiros, agricultores e mineiros da região.



Juntam-se às castanhas e às folhas derrubadas pelo vento outonal as pegadas dos javalis e veados que fazem da encosta da serra a sua casa e dos caminhos do xisto o seu percurso habitual. Não sentimos a presença de nenhum destes animais, apenas o rasto.




Já perto de duas aldeias que embora tenham o Xisto na sua génese não estão incluidas no projeto das Aldeias do Xisto que, quando nasceu em 2001, procurou proteger as tradições destes povos quase em vias de extinção e promover o turismo nesta zona serrana bem no coração de Portugal, as guias da nossa caminha estão apagadas: "problemas com as comunidades hippies" que aqui se estabeleceram e que "não querem por aqui grandes movimentações" explica João, que nos mostra o caminho que tão bem conhece desde miúdo.

Chegamos ao Talasnal já com o sol a revelar a sua timidez e as nuvens a aconchegarem as encostas que se começam a preparar para adormecer. Aqui parece que a vida é mais evidente. Muitos carros estacionados e algum movimento pelas ruas onde as casas partilham uma mesma parede. Aqui até há um barzinho onde é preciso baixar a cabeça para se conseguir passar pela porta encimada por uma tábua de madeira onde em letras amarelas se consegue ler "O Curral".

Mais trinta minutos para chegar ao castelo da Lousã que vai receber-nos tão efusivamente como nos deixou partir bem cedo. Fazem-se contas à vida e apanham-se as últimas castanhas. Andámos quase vinte quilómetros, estamos arrebatados, vamos querer repetir a experiência, mas só quando as nossas pernas nos perdoarem esta maldade.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As Relações Dos Média Com A Justiça

“Um lado da biologia aplicada é o de que a mera presença do observador altera o terreno observado” (p.86). E se este observador se multiplicar por várias dezenas, várias centenas ou até mesmo vários milhares ou dezenas de milhares de outros observadores?


As guerrilhas entre comunicação social e justiça não são novas nem hão-de morrer cedo. A democracia depende de todos para subsistir mas podemos afirmar que justiça e comunicação social são dois dos rostos mais evidentes de uma sociedade plural e independente. Sem tribunais livres e órgãos de comunicação social isentos podemos aproximar-nos de regimes totalitários que colocam em causa anos e anos de luta pela liberdade de expressão.


Mas, afinal, quem domina quem? Serão os jornalistas controlados pelos magistrados ou o inverso?

Numa resposta formal a esta questão respondemos de forma óbvia: os tribunais controlam os órgãos de comunicação social – dentro dos limites da liberdade de imprensa – uma vez que têm em sua posse o poder legislativo e, no fundo e em última instância, é o poder judicial que controla todos os sectores da sociedade. Contudo, analisando profundamente esta questão conseguimos retirar da atuação dos tribunais e dos órgãos de comunicação social algumas conclusões curiosas.

Comecei este texto com uma alusão à importância de uma observação correta de um acontecimento. Tanto magistrados como jornalistas têm como missão olhar lados distintos da mesma questão, ponderar e, no caso dos magistrados, decidir e, no caso dos jornalistas, denunciar. O simples facto de algo acontecer ou de algo acontecer e se tornar mediático não atribui a esse acontecimento a mesma dimensão e, por isso, a mesma interpretação.

Outra questão levantada entre as relações de justiça e jornalismo é o jogo dos próprios intervenientes nos processos judiciais. A questão do segredo de justiça serviu, em primeira análise, para defender a investigação do processo judicial mas, na atualidade, serve também para proteger o próprio bom nome dos intervenientes. No meio jornalístico costuma dizer-se que todos são culpados até provem contrário (esta afirmação surge, ironicamente, em sentido oposto ao disposto na lei portuguesa: todos são inocentes até que se prove o contrário) e bem sabemos que uma notícia falsa sobre alguém pode deixar marcas irreversíveis. Ainda dentro desta questão observamos, muitas vezes, alguns intervenientes nos casos judiciais fazerem jogo duplo: dando informações aos tribunais, em primeiro lugar, e aos órgãos de comunicação social, emsegundo lugar. Este jogo de interesses permite que o visado use a justiça para, formalmente, reivindicar os seus direitos e use os órgãos de comunicação social para, em primeira instancia, darem notoriedade ao caso e, na conclusão do processo, terem a oportunidade de se desculpabilizarem ou desvalorizarem o sucedido. Assim, podemos concluir que um caso judicial mediático extravasa em grande medida as paredes de um tribunal uma vez que o que é dito pelos intervenientes dos processos é o que passa cá para fora dando origem ao chamados julgamentos na praça pública que levam o público a tirar as suas próprias conclusões que podem, muitas vezes, seguir contrariamente ao que é concretizado nos tribunais.


A propósito da mediatização de processos judiciais gostava de falar, a titulo de exemplo, de um caso em concreto: o apito dourado. Este processo envolveu, na barra dos tribunais, inúmeras figuras públicas ligadas ao futebol e uma em concreto: Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto. Apesar de todas as acusações feitas em tribunal nunca terem transitado em julgado, podemos afirmar que o presidente do clube nortenho foi, e continua a ser, culpado na “praça pública”. Assim como Pinto da Costa podemos falar também de casos como Carlos Cruz (Processo Casa Pia) ou José Sócrates (Caso Freeport). A mediatização de qualquer caso permite que o público tire as suas próprias conclusões, mesmo que não estejam na posse de todos os dados processuais.

A questão da comunicação por parte dos tribunais também é um ponto relevante na análise das relações entre justiça e media. Não é normal – eu diria mesmo que nunca aconteceu – que um magistrado se dirija diretamente ao público para prestar esclarecimentos a propósito de um caso em concreto. Como sabemos a justiça utiliza uma linguagem muito específica e que não é facilmente compreendida pelo público em geral. Assim sendo, quando os jornalistas passam a informação para o público e a tentam trocar por miúdos (para ser compreendida por toda a gente) têm que ser muito cuidadosos: assumimos assim a necessidade de um jornalismo especializado e de qualidade para que a informação não acabe deturpada. Podemos também acabar a defender uma posição pública dos magistrados mas, bem sabemos, que quando alguém se expõe às objetivas da comunicação social aquilo que quer dizer pode não ser aquilo que diz realmente, ou seja, cada gesto, entoação, piscar de olhos, gesticulação, etc podem ser alvo de interpretações que acabem por condicionar o processo judicial e contribuir para o degradamento da justiça.

Para perceber melhor a forma de atuar dos profissionais da comunicação e dos profissionais de justiça e a própria forma como estes se relacionam com a sociedade temos que entender a democracia em ampla análise, ou seja, perceber que embora sejamos livres não somos proprietários da liberdade total até porque, a frase não é nova, a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Não menos importante é perceber que no mundo mediático os segredos não funcionam bem. Alguém que esconde ou demonstre esconder qualquer coisa, mesmo que o segredo seja irrelevante, perde alguma da sua credibilidade. Isto fez com que a transparência total fosse muito mais valorizada e, por isso, passamos a viver numa sociedade onde a privacidade é pouca ou inexistente: criamos, portanto, uma sociedade de escândalos. E é nos escândalos que reside o valor notícia mais importante, nos dias de hoje, no jornalismo.




Texto escrito com base no artigo "Comunicar e Julgar" de Cunha Rodrigues sugerido para a elaboração de uma recensão crítica na disciplina de Direito da Comunicação Social lecionada pela Professora Rita Basílio na Universidade de Coimbra.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Frost/Nixon

Fotograma do filme Frost/Nixon de Ron Howard



Qual é o atual estado da política global? Se, na resposta a esta pergunta, concluirmos que a política não está bem vista pela sociedade em geral, então o que dizer sobre o caso retratado no filme Frost Nixon? 

Um apresentador de Talk-shows tenta a sua sorte e convida um antigo presidente americano, debaixo de fogo por causa de um famoso caso de corrupção, para um ciclo de entrevistas sobre o seu tempo à frente dos destinos da América. Até aqui tudo normal, o caso muda de figura quando percebemos que o afamado presidente Nixon apenas aceita o convite da estrela Frost porque este lhe promete pagar bom dinheiro. A pergunta, óbvia, que se coloca é: onde está a isenção jornalística? Acrescentando a isto o facto de Nixon querer aproveitar as entrevistas para, de certa forma lavar a sua imagem também não abonaria nada a favor da credibilidade deste programa que, inclusivamente começa a ser gravado sem a certeza de que qualquer televisão o aceite transmitir.
Este é um caso paradigmático daquilo que podem ser as intenções dos políticos quando se acercam dos órgãos de comunicação social, assim é minha opinião que qualquer que seja o trabalho jornalístico, deve ser feito por jornalistas e sem recompensas para os visados. Só assim se garante a plena concretização das bandeiras da classe jornalística: isenção, objetividade e profissionalismo.