sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma Definição Para Redes Sociais E Jornalismo

O jornalismo já não é feito apenas por jornalistas para o público. Agora a fronteira que separa do jornalista do cidadão que se quer manter informado é cada vez mais ténue. Temos assistido, nos últimos anos, a uma entrada dos meios de comunicação social, não só na internet como, dentro da internet, nas redes sociais: facebook, twitter ou até mesmo o youtube são exemplos disso. Estes espaços públicos onde parece estar toda a gente, são cada vez mais apetecíveis para os órgãos de comunicação social uma vez que através deles conseguem promover o seu trabalho mas também conseguem fontes de informação de grande utilidade. O público não quer apenas ser informado, também quer informar e, na realidade, há sempre alguém que viu primeiro ou viu melhor: porque não aproveitar este contributo? 

Quando falamos em redes sociais e jornalismo concebemos uma relação de troca de informações, ainda assim, mesmo antes da fixação do público em frente aos ecrãs dos computadores, smartphones e tablets esta troca de informações já existia e o público já conseguia falar com os órgãos de comunicação social através de telefones ou das míticas cartas ao diretor. Para Lopez agora há novas formas e mais rápidas. “o que é realmente novo é a superação de novas barreiras, principalmente as tecnológicas e novas possibilidades que se abrem na atualidade para a participação dos usuários no processo de produção de informação.” [LOPEZ: 2007]. A ideia de que o público pode e consegue participar no processo de produção de uma notícia é o que de realmente novo as redes sociais vieram trazer e, com isso, mudaram por completo as formas tradicionais de fazer jornalismo: “a audiência deixou de ser passiva” [PAVLIK: 2001]. Como se a inovação não bastasse, ela mostra-se fértil uma vez que não é difícil que um cidadão comum se possa transformar numa espécie de jornalista: 

“A tecnologia deu-nos um kit de ferramentas para a comunicação que permite a qualquer um tornar-se um jornalista a baixo custo e, na teoria, com alcance global. Nada disto teria sido possível no passado.” [GILMOR: 2004] 

“Existe um novo tipo de público, interessado em participar de várias maneiras, partilhando informação e, ao mesmo tempo, disposto a desenvolver matérias informativas” [LOPEZ: 2007] 

Com todas estas possibilidades ao serviço do jornalismo impõe-se uma pergunta fatal: continuaram a existir jornalistas profissionais? Pode dizer-se que esta é uma pergunta que tem estado na mesa desde que os públicos começaram a participar no processo de produção de notícias mas, principalmente, a partir do momento em que começaram, eles próprios a produzir informação. Nesta questão Edo é perentório e considera a expressão “jornalismo cidadão pouco feliz, que não reflete a realidade.” 

“O jornalismo exige níveis cultural e ético adequados, a capacidade de trabalho e de síntese, linguagem adequada, persistência, fontes seguras e contrastadas, uma empresa confiável para garantir a precisão e as estruturas de trabalho profissionais. Mas também é verdade que neste contexto, os jornalistas têm que assumir novos desafios e aumentar seu nível de trabalho, além de coordenar o fluxo de informações com a demanda de qualidade, com modelos textuais que forneçam os géneros e com rigor para colocar o selo de autenticidade”. [EDO: 2007] 

Para a investigadora Ana Bambilha as redes sociais assentam em três vertentes: 

“Na apuração (busca por fontes, personagens, pautas, testemunhos, opiniões); na veiculação (linguagem adequada aos medias sociais, grupos e momentos certos para divulgação de determinadas notícias); e no feedback / relacionamento com o publico (aproveitar a quantidade de informação espontânea e gratuita para melhorar o trabalho” [BAMBILHA: 2010] 

O Twitter tem ganho, nos Estados Unidos da América – não há estudos que demonstrem se esta tendência também se verifica em Portugal – mais fãs em deterimento do Facebook que se apresenta como a rede social com mais utilizadores (1000 milhões de utilizadores ativos no Facebook, 200 milhões no Twitter). Os adolescentes são os que mais se queixam das restrições de privacidade impostas pela rede social de Marck Zuckerberg e estão a transferir-se para o Twitter que, segundo o seu co-fundador, Bizz Stone “é uma rede de informação muito rica para informar em tempo real. A nossa ideia é que essa informação chega a todos a quem possa interessar, é nisso que estamos a focar-nos.” 

Numa observação que a investigadora Kárita Cristina Francisco fez da utilização das redes sócias por dois órgãos de comunicação portugueses – o Jornal de Notícias e o Público – concluiu que 

“o uso do Twitter e do Facebook pelo Jornal de Notícias e pelo Público visa especificamente a divulgao de notícias, por se tratar de um perfil de uma empresa de comunicação e que de acordo com Recuero (2009) estaria em busca de valores como autoridade e reputação”. [FRANCISCO: 2012] 

As redes sociais estão presentes e para ficar no quotidiano dos jornalistas e os profissionais da comunicação têm tentado controlar os efeitos colaterais que estes novos meios podem causar. Veja-se o caso de uma jornalista da CNN que foi despedida depois de publicar a sua opinião numa rede social. É importante olharmos para as redes como praças públicas onde tudo o que é dito pode ter uma projeção global e chegar a milhões de pessoas. Também por isso, José Alberto Carvalho, quando era diretor de informação da RTP criou um conjunto de nove regras que os jornalistas deveriam seguir quando usassem da palavra no Twitter ou Facebook. “A autoridade tradicional do profissional formado está sob o desafio de amadores dotados sejam eles blogueiros em Gaza ou Twitters em Mumbai” [MCNAIR: 2009]. As prespetivas para o jornalismo na rede não parecem ser famosas mas devem ser enfrentadas como um repto para uma maior e melhor profissão.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Com Que Linhas Se Cose O Futuro Do Jornalismo? ▷




Em tempos de mudança também o Jornalismo sofre com os novos hábitos. Leitores, ouvintes ou telespetadores passaram a chamar-se apenas consumidores de informação e alguns casos são eles próprios os jornalistas. O Jornalismo tem vindo a revelar-se um negócio não rentável. Há cada vez menos jornais a circular e cada vez mais utilizadores de internet.



Nesta reportagem são abordados diferentes temas sobre o futuro do quarto poder através de entrevistas aos atores do momento.

Miguel Sousa Tavares, ex-jornalista e comentador político não acredita na maturidade da informação online e defende que os jornais deveriam ser só papel.

Bábara Reis, diretora do Jornal Público está convicta de que os sites vão começar a dar dinheiro aos órgãos de comunicação social.

Emídio Rangel, fundador da SIC e da TSF está cada vez mais de pé atrás relativamente aos profissionais que hoje veiculam notícias e afirma que a qualidade do jornalismo tem vindo a decair enormemente nos últimos anos.

João Paulo Meneses, editor de online da TSF, olha a internet como uma ameaça aos meios tradicionais e às formas de se fazer jornalismo.

João Figueira, professor de Jornalismo na Universidade de Coimbra alerta para a necessidade de se pensar no jornalismo a nível global e chama atenção para a queda do número de profissionais nas redações ao mesmo tempo que crescem os especialistas em comunicação empresarial.

Helder Bastos, Professor de Jornalismo na Universidade do Porto faz uma análise ao modelo de negócio que ainda não descolou e que põe em causa o futuro da profissão.

Carlos Camponez, Professor de Jornalismo na Universidade de Coimbra não acredita no fim da profissão porque isso pode pôr em causa a própria democracia.

Não Aconteceu. Está a Acontecer mostra com que linhas se cose o futuro do jornalismo em Portugal.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Sobre Rodas

em Munique, Alemanha

O que é que caracteriza uma cidade funcional? Munique é uma cidade funcional.

Para além de todas as redes eficientes de transportes, quer seja o metro, os autocarros ou os elétricos a capital da Baviera nasceu bafejada pela sorte que a maior parte das cidades portuguesas não têm. Munique é uma cidade plana. Bem sabemos o porquê das nossas cidades altas. Certo é que em tempos nos deram segurança mas agora só nos dão dores de pernas e cansaço.

As linhas direitas desta cidade são uma das características que me deixa afirmar que Munique é uma cidade funcional porque todos andam de bicicleta. Aqui este é o meio primordial. São conhecidas as suas vantagens ambientais e até para a saúde do seu condutor já para não falar nas vantagens económicas.

Tudo aqui é pensado nos veículos de duas rodas. Há ciclovias, semáforos exclusivamente destinados para bicicletas e até estacionamentos. Na maior parte dos locais é mais fácil ir de bicicleta do que de carro, embora Munique, como grande parte da Alemanha, sustente a sua economia na industria automóvel.

Com todas estas facilidades a cidade torna-se acessível a todos e não apenas a uma elite que pode ter carro para se deslocar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A Capital Da Cerveja ▷

em Munique, Alemanha
Munique é uma das mais importantes cidades alemãs. Situada no sul do país, com a Austria e a Suiça como vizinhos, ocupa o 3º lugar das cidades mais populosas da alemanha com 1,4 milhões de habitantes.

Em Setembro e Outubro a capital da Baviera é um destino turístico de exceção muito por culta da afamada cerveja que se assumo como protagonista da Oktoberfest.

Embora a minha visita à cidade tenha sido fora do periodo da festa da cerveja não podia deixar de visitar o Bear and Oktoberfest Museum.

Sem grandes letreiros ou indicações evidentes não é fácil encontrar este espaço mas lá dentro vale bem a pena o tempo passado para conhecer um pouco da história que coloca todos os anos a cidade de Munique no centro do mundo.

domingo, 10 de novembro de 2013

O Sabor Do Outono Na Serra Da Lousã

em Serra da Lousa, Portugal
O Castelo da Lousã transforma-se, por instantes, em linha de partida e, mais logo, será também a fita da meta. Vindos de Coimbra e com o objetivo de conhecer algumas Aldeias do Xisto não temos ainda em mente que os cerca de 17 quilómetros que vamos percorrer nos vão tomar o dia todo.









Começamos o longo caminho com cheiro a natureza e vontade de descobrir. A manta que pisamos é decorada com folhas secas e muitos ouriços abertos que espalham as generosas castanhas que vamos apanhando para um belo repasto com sabor a Outono no final do percurso. Mais rara é a presença dos medronhos encarnados que se destacam no meio da paisagem húmida.




O guia que nos conduz nesta aventura lá vai dizendo para caminharmos com cuidado pelos sinuosos caminhos do Xisto. As conversas fazem-se de trás para a frente ou da frente para trás, não há conversas paralelas porque não há espaço para caminhadas lado a lado. Tal como se estivéssemos num carreiro de formigas atarefadas lá vamos dando passos tímidos pelo chão escorregadio em fila indiana.





As pontes com troncos de madeira horizontais são o suporte prefeito para nos auxiliarem na passagem para o lado esquerdo primeiro e direito depois, do circuito de água criado pelos humanos para produção energética. Há que aproveitar as potencialidades dos cursos de água, mais ou menos efusivos, que aqui vão dando o ar da sua graça. Este é, aliás, um dos poucos sinais que o homem deixa na serra da Lousã, a par dos grandes moinhos eólicos lá bem no alto, a beliscar as nuvens com as pás movidas pelo vento, quase inalcansáveis.




O caminho continua com subidas penosas e descidas insolentes. As primeiras pedras cinzentas e laminadas deixam os primeiros encalços para o que nos espera lá mais à frente: a primeira aldeia do Xisto.


O Candal é o primeiro lugar de paragem depois de várias horas de caminho matinal. A paragem é para espreguiçar as pernas e reconfortar o estômago para mais uma caminhada. Ao fundo as casas feitas das rochas que as caractrizam são abrigo para umas dez ou vinte pessoas, não mais. A azáfama maior apenas se nota em época de férias ou fins de semana quando os turistas querem limpar os pulmões do ar poluído da cidade e da semana de trabalho.


No folheto informativo dado pela simpática senhora que nos abre as portas do seu estabelecimento para nos servir um café quente e uma sala aconchegante neste dia de Novembro, pode ler-se que a aldeia serrana do Candal é considerada uma das mais evoluidas e mais visitadas, fica a informação que não conseguimos confirmar enquanto lá estivemos, nem viv'alma.


Com os níveis energéticos repostos iniciamos a segunda parte do percurso acompanhados pelas primeiras dores de pernas. Por entre os pinheiros e acácias longínquas o guia aponta o dedo para uma povoação na encosta do lado oposto: "é para ali que vamos". Parece longe e começamos a fazer contas à vida, mas o caminho feito com boa companhia parece mais fácil.


Com as marcas vermelhas e amarelas não há forma de perder o rasto ao trilho que, em tempos, já foi feito por moleiros, agricultores e mineiros da região.



Juntam-se às castanhas e às folhas derrubadas pelo vento outonal as pegadas dos javalis e veados que fazem da encosta da serra a sua casa e dos caminhos do xisto o seu percurso habitual. Não sentimos a presença de nenhum destes animais, apenas o rasto.




Já perto de duas aldeias que embora tenham o Xisto na sua génese não estão incluidas no projeto das Aldeias do Xisto que, quando nasceu em 2001, procurou proteger as tradições destes povos quase em vias de extinção e promover o turismo nesta zona serrana bem no coração de Portugal, as guias da nossa caminha estão apagadas: "problemas com as comunidades hippies" que aqui se estabeleceram e que "não querem por aqui grandes movimentações" explica João, que nos mostra o caminho que tão bem conhece desde miúdo.

Chegamos ao Talasnal já com o sol a revelar a sua timidez e as nuvens a aconchegarem as encostas que se começam a preparar para adormecer. Aqui parece que a vida é mais evidente. Muitos carros estacionados e algum movimento pelas ruas onde as casas partilham uma mesma parede. Aqui até há um barzinho onde é preciso baixar a cabeça para se conseguir passar pela porta encimada por uma tábua de madeira onde em letras amarelas se consegue ler "O Curral".

Mais trinta minutos para chegar ao castelo da Lousã que vai receber-nos tão efusivamente como nos deixou partir bem cedo. Fazem-se contas à vida e apanham-se as últimas castanhas. Andámos quase vinte quilómetros, estamos arrebatados, vamos querer repetir a experiência, mas só quando as nossas pernas nos perdoarem esta maldade.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As Relações Dos Média Com A Justiça

“Um lado da biologia aplicada é o de que a mera presença do observador altera o terreno observado” (p.86). E se este observador se multiplicar por várias dezenas, várias centenas ou até mesmo vários milhares ou dezenas de milhares de outros observadores?


As guerrilhas entre comunicação social e justiça não são novas nem hão-de morrer cedo. A democracia depende de todos para subsistir mas podemos afirmar que justiça e comunicação social são dois dos rostos mais evidentes de uma sociedade plural e independente. Sem tribunais livres e órgãos de comunicação social isentos podemos aproximar-nos de regimes totalitários que colocam em causa anos e anos de luta pela liberdade de expressão.


Mas, afinal, quem domina quem? Serão os jornalistas controlados pelos magistrados ou o inverso?

Numa resposta formal a esta questão respondemos de forma óbvia: os tribunais controlam os órgãos de comunicação social – dentro dos limites da liberdade de imprensa – uma vez que têm em sua posse o poder legislativo e, no fundo e em última instância, é o poder judicial que controla todos os sectores da sociedade. Contudo, analisando profundamente esta questão conseguimos retirar da atuação dos tribunais e dos órgãos de comunicação social algumas conclusões curiosas.

Comecei este texto com uma alusão à importância de uma observação correta de um acontecimento. Tanto magistrados como jornalistas têm como missão olhar lados distintos da mesma questão, ponderar e, no caso dos magistrados, decidir e, no caso dos jornalistas, denunciar. O simples facto de algo acontecer ou de algo acontecer e se tornar mediático não atribui a esse acontecimento a mesma dimensão e, por isso, a mesma interpretação.

Outra questão levantada entre as relações de justiça e jornalismo é o jogo dos próprios intervenientes nos processos judiciais. A questão do segredo de justiça serviu, em primeira análise, para defender a investigação do processo judicial mas, na atualidade, serve também para proteger o próprio bom nome dos intervenientes. No meio jornalístico costuma dizer-se que todos são culpados até provem contrário (esta afirmação surge, ironicamente, em sentido oposto ao disposto na lei portuguesa: todos são inocentes até que se prove o contrário) e bem sabemos que uma notícia falsa sobre alguém pode deixar marcas irreversíveis. Ainda dentro desta questão observamos, muitas vezes, alguns intervenientes nos casos judiciais fazerem jogo duplo: dando informações aos tribunais, em primeiro lugar, e aos órgãos de comunicação social, emsegundo lugar. Este jogo de interesses permite que o visado use a justiça para, formalmente, reivindicar os seus direitos e use os órgãos de comunicação social para, em primeira instancia, darem notoriedade ao caso e, na conclusão do processo, terem a oportunidade de se desculpabilizarem ou desvalorizarem o sucedido. Assim, podemos concluir que um caso judicial mediático extravasa em grande medida as paredes de um tribunal uma vez que o que é dito pelos intervenientes dos processos é o que passa cá para fora dando origem ao chamados julgamentos na praça pública que levam o público a tirar as suas próprias conclusões que podem, muitas vezes, seguir contrariamente ao que é concretizado nos tribunais.


A propósito da mediatização de processos judiciais gostava de falar, a titulo de exemplo, de um caso em concreto: o apito dourado. Este processo envolveu, na barra dos tribunais, inúmeras figuras públicas ligadas ao futebol e uma em concreto: Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto. Apesar de todas as acusações feitas em tribunal nunca terem transitado em julgado, podemos afirmar que o presidente do clube nortenho foi, e continua a ser, culpado na “praça pública”. Assim como Pinto da Costa podemos falar também de casos como Carlos Cruz (Processo Casa Pia) ou José Sócrates (Caso Freeport). A mediatização de qualquer caso permite que o público tire as suas próprias conclusões, mesmo que não estejam na posse de todos os dados processuais.

A questão da comunicação por parte dos tribunais também é um ponto relevante na análise das relações entre justiça e media. Não é normal – eu diria mesmo que nunca aconteceu – que um magistrado se dirija diretamente ao público para prestar esclarecimentos a propósito de um caso em concreto. Como sabemos a justiça utiliza uma linguagem muito específica e que não é facilmente compreendida pelo público em geral. Assim sendo, quando os jornalistas passam a informação para o público e a tentam trocar por miúdos (para ser compreendida por toda a gente) têm que ser muito cuidadosos: assumimos assim a necessidade de um jornalismo especializado e de qualidade para que a informação não acabe deturpada. Podemos também acabar a defender uma posição pública dos magistrados mas, bem sabemos, que quando alguém se expõe às objetivas da comunicação social aquilo que quer dizer pode não ser aquilo que diz realmente, ou seja, cada gesto, entoação, piscar de olhos, gesticulação, etc podem ser alvo de interpretações que acabem por condicionar o processo judicial e contribuir para o degradamento da justiça.

Para perceber melhor a forma de atuar dos profissionais da comunicação e dos profissionais de justiça e a própria forma como estes se relacionam com a sociedade temos que entender a democracia em ampla análise, ou seja, perceber que embora sejamos livres não somos proprietários da liberdade total até porque, a frase não é nova, a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. Não menos importante é perceber que no mundo mediático os segredos não funcionam bem. Alguém que esconde ou demonstre esconder qualquer coisa, mesmo que o segredo seja irrelevante, perde alguma da sua credibilidade. Isto fez com que a transparência total fosse muito mais valorizada e, por isso, passamos a viver numa sociedade onde a privacidade é pouca ou inexistente: criamos, portanto, uma sociedade de escândalos. E é nos escândalos que reside o valor notícia mais importante, nos dias de hoje, no jornalismo.




Texto escrito com base no artigo "Comunicar e Julgar" de Cunha Rodrigues sugerido para a elaboração de uma recensão crítica na disciplina de Direito da Comunicação Social lecionada pela Professora Rita Basílio na Universidade de Coimbra.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Frost/Nixon

Fotograma do filme Frost/Nixon de Ron Howard



Qual é o atual estado da política global? Se, na resposta a esta pergunta, concluirmos que a política não está bem vista pela sociedade em geral, então o que dizer sobre o caso retratado no filme Frost Nixon? 

Um apresentador de Talk-shows tenta a sua sorte e convida um antigo presidente americano, debaixo de fogo por causa de um famoso caso de corrupção, para um ciclo de entrevistas sobre o seu tempo à frente dos destinos da América. Até aqui tudo normal, o caso muda de figura quando percebemos que o afamado presidente Nixon apenas aceita o convite da estrela Frost porque este lhe promete pagar bom dinheiro. A pergunta, óbvia, que se coloca é: onde está a isenção jornalística? Acrescentando a isto o facto de Nixon querer aproveitar as entrevistas para, de certa forma lavar a sua imagem também não abonaria nada a favor da credibilidade deste programa que, inclusivamente começa a ser gravado sem a certeza de que qualquer televisão o aceite transmitir.
Este é um caso paradigmático daquilo que podem ser as intenções dos políticos quando se acercam dos órgãos de comunicação social, assim é minha opinião que qualquer que seja o trabalho jornalístico, deve ser feito por jornalistas e sem recompensas para os visados. Só assim se garante a plena concretização das bandeiras da classe jornalística: isenção, objetividade e profissionalismo.

sábado, 5 de outubro de 2013

Reitor Da Universidade De Coimbra Espera Que O Próximo Ano Letivo Seja “Igualmente Sombrio”

em Coimbra, Portugal
Nunca um ano letivo na Universidade de Coimbra (UC) tinha começado com um ego tão massajado. Pelo menos nos últimos anos. Antes das farpas ao governo e aos cortes orçamentais que estão “muito acima do resto da administração pública” João Gabriel Silva não deixou de congratular todos aqueles que fizeram da Universidade Património Mundial afirmando que “para muitos Coimbra é o símbolo primeiro da própria cultura de Portugal”. Com o peso da Sala dos Capelos, onde decorreu a cerimónia solene de abertura do ano letivo da UC o Reitor confessou sentir-se “pequeno perante a responsabilidade que esta distinção representa”. Contudo o homem forte da mais antiga universidade portuguesa não deixou de saudar o seu antecessor, Seabra Santos, pelo papel que este desempenhou na candidatura “Universidade, Alta e Sofia” a Património Mundial da UNESCO. 

Já no final do preâmbulo do seu discurso, ouvido por todos os que couberam na Sala dos Capelos, Gabriel Silva deixava já adivinhar as duras críticas ao governo: “As Universidades são peças chave na recuperação de Portugal”. Sob o olhar atento dos reis portugueses que, em tempos, ali foram coroados e agora ali estão representados o reitor crítica todos aqueles que acham que não vale a pena ter uma formação académica: “A melhor defesa para o desemprego é um curso superior”. 
Ajeitando o capelo, azul claro, respeitando as cores das suas origens académicas, João Gabriel Silva, enumera todos os rankings que trouxeram boas classificações para a Universidade de Coimbra no ano anterior e, intrigado, pergunta porque é que o governo quer impedir as universidade de angariarem receitas próprias, aludindo à recente polémica instalada no Ensino Superior depois de o Ministério das Finanças ter vindo a público proibir as Universidades de aumentarem as receitas provenientes de outros setores que não as propinas. Classificando esta posição do governo de “insana” o reitor conclui que “sem sólidas receitas próprias já estaríamos em colapso total”. 
João Gabriel Silva não está otimista relativamente ao ano letivo que agora começa alertando que “para 2014 temos a certeza de um cenário igualmente sombrio” uma vez que estão em causa as despesas base de subsistência da UC. Passando os olhos pelo ano que agora começa o líder da mais antiga universidade portuguesa está satisfeito com os resultados das colocações no Ensino Superior “tendo em conta a crise”. Para o antigo diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra é importante uma aposta forte no apoio social para que “nenhum estudante deixe a universidade por falta de dinheiro”. 
Na conclusão do seu discurso, e depois dos habituais agradecimentos a todos os professores, investigadores, estudantes e funcionários o reitor afirma que a UC vai ultrapassar todos os desafios, embora estando sujeita a uma “pressão sem tréguas”, porque “a nossa vontade é antiga e porque a nossa força é imensa”.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Receita De Delícia De Chocolate Na Bimby ▷

A Bimby é uma espécie de cozinha para bimbos. Não há maneira de correr mal. É como se nos fizessem um desenho. Basta seguir as instruções e no fim aparece exatamente como na fotografia.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A Cidade Da Segunda Universidade

em Évora, Portugal
Bulha de António Teixeira Lopes
Museu de Évora
Pacatez é um adjetivo que define Évora. Não há grandes azáfamas, nem grandes preocupações. Podemos fazer um paralelismo fácil com a zona pouco dada a correrias que é o Alentejo. Nem mesmo por ser fim de semana de festa académica notamos algum sinal de "metropolismo", embora Évora tenha sido, em tempos, uma metrópole eclesiástica onde a corte tinha residência temporária, o que, por si só, foram argumentos suficientes para ali nascer, em 1559, a segunda universidade portuguesa, com o objetivo de servir o sul da nação.
Talvez pelo Marquês de Pombal ter feito a instituição fechar, durante mais de 200 anos, as tradições académicas parecem um pouco distantes das da mais antiga academia portuguesa - a Universidade de Coimbra. Ali são os estudantes finalistas que são atirados para a água pelos próprios familiares e as fitas que levam nas pastas são compradas e escritas pelas pessoas mais próximas do estudante.
Mas vamos olhar agora para aquilo que são as atrações turísticas da cidade.
Catedrais e igrejas são quantas quisermos, o pior vem quando queremos entrar e somos barrados se não tivermos um bilhete. Ordens de Deus, quem sabe, mas Évora será uma das mais caras cidades para se visitar. Borlas apenas em dois locais. No Museu de Évora, que é gratuito por se tratar de um domingo de manha e que vale a pena visitar. Segundo o sítio web da instituição são mais de 20 mil as obras que se podem visitar no seu interior. As escavações arqueológicas e a extinção das ordens religiosas foram os principais contributos para o crescimento das obras de pintura, escultura e arqueologia. Por outro lado as invasões francesas contribuiriam, através dos seus saques, para uma redução significativa nas coleções de numismática. Como não podia deixar de ser a pré-história e o período romano são os grandes enfoques do Museu de Évora.
A Capela dos Ossos é o outro lugar que estava com entrada gratuita. Até parece mentira, os placars de anúncio a este monumento anunciavam uma entrada paga e, imagine-se, um preço para que os responsáveis concedessem autorização para que os turistas pudessem tirar fotografias: nada disto se verificou.
Não podia terminar este texto sem falar no Templo de Diana, que também se pode visitar de forma gratuita, mas talvez porque se encontra no meio de uma praça. Não ficaria surpreendido se estivesse em estudo uma cobertura deste monumento milenar para que, também daqui, se começassem a extrair dividendos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Tudo O Que Se Passa, Passa Na TSF

em TSF - Porto, Portugal


O Porto adormeceu à muito pouco tempo mas já há quem esteja a acordar. Há cidades que não dormem, mas não é este o caso. O Porto acorda é bem cedo e com notícias actualizadas.
Os jornalistas do turno da manhã da TSF chegam ao edifício, sede do Jornal de Notícias, bem perto da Avenida dos Aliados, antes das quatro e meia da manha. O relógio da redação marca as 4H30 já com a equipa pronta para começar a trabalhar.
A primeira tarefa é dar uma vista de olhos aos jornais, às notícias na internet e aos noticiários do dia anterior. É segunda feira, Artur Carvalho, editor dos noticiários da hora certa adivinha um dia pouco fértil em notícias: "hoje é segunda feira, a herança do fim de semana nunca é muito boa".
Pouco depois das 5 da manhã começa a primeira reunião em videoconferência com Lisboa. "Temos o tour do zorrinho do PS" atira Leonor Ferreira na ânsia de arranjar temas para preencher a manha informativa da TSF. Os temas escolhidos são distribuidos, a meias, entre Lisboa e Porto. A emissão dos noticiários faz-se em direto dos estúdios do Porto mas o trabalho é dividido. A equipa no Porto não é muito extensa: três jornalistas mais um técnico aos quais se juntam mais um jornalista e um estagiário às 5 e pouco da manha. O ambiente é calmo, talvez pela hora madrugadora, mas o trabalho desenvolve-se a bom ritmo até bem perto das 11 da manha, hora em que os noticiários começam a ser feitos na sede da TSF, em Lisboa.
FOTOGRAFIA: © Diogo Pereira

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Portugal Não É A Grécia ▷

em Atenas, Grécia
Atenas está longe de ser a cidade de sucesso e prosperidade que conhecemos. Atualmente as duras medidas de austeridade alteraram a cidade e os cidadãos. A reportagem "Portugal não é a Grécia" foi desenvolvida dois anos depois de o Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu entrarem no país. Mesmo depois deste tempo será que alguma coisa mudou?