quinta-feira, 16 de maio de 2013

Aqui Nasceu A Democracia

em Atenas, Grécia

As notícias que nos chegam da Grécia não são as mais animadoras para os gregos. Sim, porque para nós portugueses até nem são nada más: afinal de contas eles estão piores do que nós. Pelo menos é esta a ideia que nos vão tentando vender e nós até gostamos de a comprar. Ficamos com a moral em cima, o ego massajado: Portugal está na lama, mas a Grécia parece estar enterrada por completo.
Mas vamos ao que interessa. Não deixa de ser curioso que seja este o país onde a democracia é mais questionada. Afinal de contas foi mesmo aqui que ela nasceu. 
Tendo em conta as últimas eleições o país parece ingovernável há polos extremos a querem pegar no poder. Por um lado a extrema direita e, por outro lado, a extrema esquerda. Mas será tudo isto assim tão mau?
Vamos esperar para conhecer os resultados do tubo de ensaio europeu...
FOTOGRAFIA: © Diogo Pereira

domingo, 28 de abril de 2013

Simpatia Grega

em Atenas, Grécia

Saímos de mapa na mão. Não há quem não perceba que somos turistas. Paramos para olhar as placas da rua, para nos situarmos. E, pela segunda vez alguém vem ter connosco e nos pergunta se precisamos se ajuda. Dizemos que não e agradecemos sorrindo, continuamos o nosso caminho até nos perderermos realmente e aí sim, uma ajudinha a encontrar o caminho dava jeito. Perguntamos à primeira pessoa que nos aparece pela frente que, simpaticamente nos aponta o caminho para o nosso destino. Fala em inglês, não perfeito mas atencioso e perceptível.
Algum tempo depois está na hora de voltar para casa. Dava jeito um super mercado para o jantar. Não sabemos onde é, vamos até ao senhor do quiosque de jornais que rapidamente, e mais uma vez com um sorriso, nos dá as indicações que desejamos. Seguimos o nosso caminho até ao cruzamento onde deveríamos virar à esquerda e, mais uma vez, perguntamos a uma senhora qual é o caminho para o super mercado. Sem grandes problemas aponta-nos o caminho correto. Finalmente conseguimos chegar, mas apenas porque tivemos uma preciosa ajuda: a hospitalidade grega.
Como é normal em cidades turísticas não faltam negócios de prendinhas. Bojigangas para as pessoas levarem consigo e oferecerem a outras pessoas como sinal de lembrança. E nós, como bons turistas que somos não dispensamos uma boa quantidade de tralha. O difícil não é escolher o que comprar, mas o sítio onde comprar. Há imensas lojas, todas elas iguais e com as mesmas coisas. Os preços variam de umas para outras mas não muito, e um regateio sempre dá para adocicar o preço. Não faltam, por isso formas originais de vender. Mas em todas as lojas onde entramos somos recebidos com um Where are you from? . Esta pergunta típica ajuda o lojista a personalizar o atendimento. E quando percebem que somos portugueses não tardam a mudar o idioma. Passam a falar português. Um pouco abrasileirado é certo, mas no fundo, português. E isto acontece com todos os turistas. Adapta-se sempre a conversa à língua mãe de quem estiver interessado em comprar.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Em Roma Os Carros Não Param Nas Passadeiras

em Roma, Itália

Não tive muito tempo para visitar Roma. Apenas seis horas que acabaram reduzidas a cinco por causa do atraso do voo. Ainda assim arrisquei. Nunca tinha estado na capital de Itália e também não sabia quando iria surgir uma nova oportunidade. Aquilo que vi não chega para a descrever mas chegou para lhe sentir o pulso.
Estive em Roma a propósito de uma viagem a Atenas. Fiz escala de meia duzia de horas que deu tempo para apanhar o Leonardo Express, um comboio que liga o aeroporto ao centro da cidade de Roma, sem paragens intermédias. A partir da estação de Termini não tinha ideia do que ia fazer. Apenas passear. Sentir a temperatura escaldante que se fazia sentir em Abril: 32ºC, apontava o painel eletrónico de uma farmácia.
Roma é uma típica cidade europeia. Quer os passeios, quer as estradas estão cheios que nem um ovo. Pessoas que vêm do trabalho, pessoas que vão para o trabalho, pessoas que fazem turismo, pessoas que fazem negócio com tendas de bijutaria e recordações de itália e pessoas que, simplesmente, vivem a sua vida, de phones nos ovidos, que passam um pouco ao lado do fernesim.
O ar parece pesado e abafado. O sol forte dá o seu contributo mas a poluição automóvel é a principal responsável pelo clima citadino.
Não há muito mais a dizer sobre Roma, pelo menos para já. Não é justo para cidade nenhuma ser avaliada com tão poucas horas de observação e de vivência. Mas prometo voltar, com mais tempo, pelo menos tempo suficiente para poder esperar que os automobilistas parem nas passadeiras para me darem passagem - é verdade, parar nas passadeiras não é, de todo, uma tradição italiana.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Jornalismo Não É Uma Profissão Qualquer

Jornalismo em Liberdade de João Figueira

O que é que pode acontecer quando dois jornalistas se juntam? Horas a fio de conversa sobre a saúde da profissão, ou melhor, do “ofício”, como Francisco Sena Santos lhe prefere chamar. 
Jornalismo em Liberdade é exatamente isso: um conjunto de conversas descomprometidas em que o autor, João Figueira, nos conduz pelo universo jornalístico nacional acompanhado por alguns dos marcos do quarto poder. 
João Figueira deixou-a para o fim, mas eu quero começar por ela: a “senhora televisão”. Título que Maria Elisa afirma ainda lhe assentar na perfeição. 
A mulher da política responde à pergunta “para que serve o jornalismo?” de forma clara: 
“Serve de intermediário, sempre, entre o poder ou os poderes, porque não há um só poder, cada vez há menos só um poder(...)”
Joaquim Letria também é claro na resposta, embora em sentido contrário. 
Acredita “cada vez menos” no jornalismo “porque felizmente ele vai sendo cada vez menos necessário”. 
“Eu penso que [o jornalismo serve] para vender jornais, sobretudo”.
Chegamos a um ponto que, como lhe chamou Mário Zambujal “A profissão mais antiga do mundo, mesmo mais velha que a outra” perde sentido. De facto, para que serve o jornalismo? 
São precisas artimanhas para captar leitores, os jornais vendem cada vez menos. Se o público, que é o destinatário do jornalista, não quer ter informação - ou melhor, não quer ter informação pormenorizada - quem se vai preocupar com o jornalismo de qualidade (isento e credível)? Os empresários que detém as grandes empresas de média? Obviamente que não, até porque esses pouco percebem de jornalismo, são uns “cínicos” como diria Kapuscinski. 
A quebra dos jornais não caiu porque as pessoas não se querem informar. Caiu porque as novas tecnologias, apoiadas na internet e na figura do cidadão repórter, trazem tudo facilmente. Eu diria, falseando a sabedoria popular, que de jornalista e de louco todos temos um pouco. 
Vicente Jorge Silva acredita mesmo que os jornais diários podem desaparecer dentro de pouco tempo, afetados pela nuvem tecnológica e, acrescenta, “nem a rádio nem a televisão tiveram um impacto tão grande no papel” [p.141]. Joaquim Letria alinha pelo mesmo diapasão: 
“Estamos a entrar numa fase em que não é preciso mais intermediários nem mais vendedores de ideias nem de factos. As pessoas já lá chegam diretamente (...) não precisam de gente que as manipule nem que as aldrabe (...)”.
O antigo repórter da BBC e da Associated Press está claramente zangado com o jornalismo. Qualquer aspirante a jornalista desistiria do seu percurso ao ler estas palavras de Letria. 
Não penso desta forma. Alinho melhor com os dizeres de Francisco Sena Santos que trata o jornalista como um artesão que procura “explorar as noções complexas da forma mais simples possível”.  
Joaquim Letria é, no fundo, um provocador. Gosta de lançar achas para a fogueira. Confesso que começo a entrevista a discordar dele mas acabo a pensar como ele. Gostava de ser como o Tim Tim “de ir á lua e andar de foguetão e ter um capitão Rosa (...)” e no final de todas as aventuras contar histórias. Mas sem usar o Facebook.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Pequenito E Imperial

em Coimbra, Portugal

O título deste texto parece um paradoxo  Será possível que, o que quer que seja, possa ser pequenito e, ao mesmo tempo imperial?
Parece que sim, pelo menos em Portugal tudo é possível, mais precisamente em Coimbra, ou melhor, em Santa Clara. Sim, porque o Portugal dos Pequenitos está na margem esquerda do rio Mondego.
Este espaço de que vos falo está em Coimbra há mais de 70 anos e tem, ou melhor, tinha como objetivo demonstrar aos mais novos os feitos lusos e a grandeza deste pequeno país que, de pequeno, apenas tinha o espaço europeu, porque nos quatro cantos do mundo Portugal era imperial. Tinhamos o Brasil, Angola, São Tomé, Macau, as ilhas dos Açores e da Madeira e muito mais.
O Portugal dos Pequenitos é contruido numa ideia colonialista. Há 70 anos atrás era importante mostrar os feitos da nossa nação. Mostrar trabalho e surpreender tudo e todos.
Quanto ao espaço em sim parece-me que não podia estar mais bem conseguido. É um local de eleição para os mais novos. Passa-se bem um fim de tarde. A diversão está garantida com o Expresso dos Pequenitos, um pequeno comboio que leva as crianças numa viagem pelos feitos lusos.
Este espaço em Coimbra vale mesmo a pena. Não só para os mais novos como também para os mais crescidos. E é sempre bom regressar. Vemos tudo com novos olhos e tiramos conclusões diferentes sobre o império português.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva: BLOGUE A PARTIR DE PORTUGAL

quinta-feira, 21 de março de 2013

Viva O Chocolate

em Óbidos, Portugal
Está quase a acabar o Festival de Chocolate em Óbidos. Mas ainda temos dois dias. O último fim de semana está chuvoso mas nem assim afasta a população que quer queimar os últimos cartuxos.
Ainda não atravessei as portas da vila, e não sei se o vou fazer tão cedo. O caminho até à entrada da vila medieval faz-se a passos lentos, como se fosse uma procissão. Vamos caminhando e vamos olhando em volta. Loja sim, loja sim. Tudo está aberto. Os comerciantes sorriem e antevêm dias de bom negócio. Nem parece que estamos em Portugal. Durante os tempos festivos, em Óbidos, tudo está na máxima força. A vila adapta-se ao Natal, ao chocolate, às crianças, tudo é pretexto para dinamizar a vila e ganhar uns trocos.
Depois de uns dez minutos para levantar os bilhetes, conseguimos entrar na vila de Óbidos. Somos logo bem recebidos. Um dos muitos figurantes que compõem o Festival dá-nos as boas vindas.
Tudo, lá dentro, é decorado ao mais pequeno pormenor. Feito para incentivar o consumo. São as lojas coloridas, os figurantes disfarçados dos mais diferentes doces, a publicidade às grandes marcas e, claro, as esculturas de chocolate. Talvez por ser o último fim de semana, ficamos à espera de ver mais chocolate, muito mais. As cascatas, as torres e as ofertas parecem ter-se esgotado nos primeiros dias de festa.
O mundo de fantasia termina. Mas não tarda e Óbidos vai voltar a ser uma vila frequentada.

domingo, 10 de março de 2013

No Bussaco Tudo É Sadio

em Serra do Bussaco

Não são boas as notícias que nos chegam do Bussaco. A mata nacional, de boas referências, sofreu e muito com o vendaval do passado mês de Janeiro. Tudo o que o vento derrubou ainda se encontra no chão, ou pelo menos quase tudo. É bem visível, ainda, a destruição. Já não há caminhos impedidos, mas há ainda galhos e restos de ramagens nas bermas das estradas. Em recantos menos visíveis vemos os grandes troncos, caídos, à esperem de ser cerrados como quem espera pela boleia para uma última paragem. No caso destes malogrados restos de árvores a última paragem será uma qualquer lareira, numa qualquer casa, de uma qualquer família à espera de aconchego para o Inverno.
Nem tudo no Bussaco se perdeu, aliás tudo se ganhou, a mata está em fase de mudança: como todos nós. Tem agora uma nova vida pela frente. Estão a ser criadas ações de voluntariado para encaminhar tudo para a normalidade pacata deste espaço verde e primoroso.
No Bussaco tudo é limpo, tudo é verde, tudo é natureza, tudo é água, tudo é belo, no fundo tudo é sadio. 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um Jornal Pode Falir Por Ter Leitores A Mais

Sabiam que um jornal pode falir por ter leitores a mais?
Esta é uma questão curiosa uma vez que o preço que pagamos por um jornal, na banca, não chega para pagar a produção desse jornal. É preciso pagar jornalistas, comentadores, tecnicos, designers, impressão e tudo o resto a que uma empresa está sujeita. Mas se o dinheiro que pagamos pelo jornal não chega, como é que o jornal se financia? Esta é uma pergunta de resposta fácil: pela publicidade.
A publicidade presente num jornal, revista, televisão ou qualquer outro meio de comunicação vive do incentivo ao consumo. E se o incentivado (o leitor do jornal) deixar de ter dinheiro, as marcas não vão gastar mais dinheiro com publicidade porque elas próprias se vêm afetadas pela falta de consumidores. Daí que um jornal possa falir por ter leitores a mais. O custo de produção não é suportado pelo pagamento de capa ainda assim tem que ser produzido em grandes quantidade para chegar a todos os leitores.
É por esta razão que revistas destinadas a nixos conseguem sobreviver de forma mais eficaz. Tendo poucos clientes têm poucos custos com a impressão e difusão dos seus cadernos e, tendo em conta o tema tratado, conhecem bem o seu público e as marcas investem de forma mais segura.
FOTOGRAFIA: "Quiosque do Sr. Machado" em Coimbra - http://denunciacoimbra2.wordpress.com/2013/01/15/o-quiosque-do-senhor-machado-fechou/ 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A UNESCO Espera Por Coimbra ▷

em Coimbra, Portugal
A Universidade está, ao longo dos últimos meses a percorrer um caminho que a levará, se tudo correr pelo melhor, a obter a distinção de Património Mundial da UNESCO. A Alta da cidade, a Rua da Sofia e, claro, a Universidade fazem de Coimbra uma cidade singular com especificidades que atraem milhares de turistas ao centro de Portugal.
A candidatura já foi entregue na sede oficial da UNESCO e segundo o Reitor da UC, João Gabriel Silva, saber-se-á o resultado desta caminhada no final deste ano de 2013. 
REPORTAGEM / FOTOGRAFIA: © Diogo Pereira, Janeiro 2013 in UCV, Televisão Web da Universidade de Coimbra

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A Vida Gelada De Iasi

em Iași, Roménia
De acordo com os dados fornecidos pela Wikipédia acredito que Iasi seja uma cidade com as mesmas dimensões do Porto. O número de habitantes e de área são as únicas semelhanças. Embora na Invicta o tempo também seja instável, por vezes, nada que se compare com a queda acentuada de neve que assistimos na capital da Transilvânia. 
Esta é a primeira característica que salta à vista: o frio. Mas não é preciso pisar o solo de Iasi para chegar a esta conclusão. Já em Bucareste era assim. Mas o certo é que nos 9 dias que estive na ponta Este da Roménia só vi nevar duas vezes. Neve que bastasse para deixar as rodas dos carros escondidas, os passeios intransitáveis, o chão escorregadio e a paisagem completamente alterada. No dia em que cheguei ainda não tinha caído neve durante todo aquele início de Inverno. Mas o certo é que bastou um primeiro dia de neve intensa, sem parar, para acordar numa cidade completamente diferente.
Como é compreensível não é fácil andar na rua em Iasi. A menos que bem agasalhados. Mas se na maioria das cidades portuguesas os fortes declives que as caracterizam me obrigam a preferir transportes públicos em vez de andar a pé ou de bicicleta, por exemplo, nesta fria cidade é o gelo que se acumula no chão que me tira a vontade de andar a pé. Para fazer uma distancia curta optei por usar o elétrico, muito parecido aos nossos de Belém. Ao entrar, e antes de validar o bilhete numa máquina antiga que corta, literalmente, os bilhetes, como se estivéssemos no século passado, desaperto o casaco e tiro o gorro e luvas. A climatização faz-se sentir eficazmente. Embora o sistema de validação de títulos de transporte, e o próprio transporte sejam anacrónicos não fata, no interior um plasma que mostra o circuito do eléctrico no mapa da cidade e alguma publicidade não a marcas conhecidas mas àquilo que parecem ser pequenas empresas. Mesmo lojas de bairro. O regresso a casa não parece correr tão bem. Já passa das seis da tarde (é de noite desde as quatro e vinte) e as lojas de venda de bilhetes já estão fechadas.
Embora a pobreza seja evidente nas ruas, com pedintes em cada esquina, Iasi não deixa de ter inúmeros centros comerciais. Estive em três deles. As lojas são as comuns, sinais da globalização. Não falta o McDonald´s ou a Zara. O que mais me impressionou foi, aquele que dizem ser, o maior centro comercial da Transilvânia. Com pista de gelo e tudo. À semelhança dos maiores da Europa. Em Portugal apenas será comparado ao Dolce Vita Tejo ou ao Freeport. É é no interior dos centros comerciais que parecem dividir-se as classes. Pessoas bem vestidas e apresentáveis, bem diferentes da maioria que vemos na rua a pé. Estas, aposto, têm carro pessoal e compram, em muitas lojas, com euros. A preços europeus. Nada de pechinchas como na rua. Posso mesmo dizer que o preço do McDonald´s não varia na Roménia em relação a Portugal. E se na rua vemos que a marca predominante de automóveis é a Dácia já dentro do centro comercial as únicas marcas que se vendem são a BMW, Mercedes e similares. O fosso entre ricos e pobres é evidente.
Uma cidade bonita, sem grandes monumentos. Ainda assim a neve transforma-a e faz parecer que estamos numa cidade calma. Quando, à semelhança da capital, vive intensamente, pelo menos durante todo o dia.
A neve de Iasi parece esconder, ou dar outro brilho, aos bonitos jardins que rodeiam edifícios públicos como a Camara ou o Teatro Municipal. A fé é ortodoxa. As catedrais não têm bancos. Aqui reza-se de joelhos ou sentado na manta que se trás de casa. Nem por isso são menos imponentes estas catedrais que tocam o céu e, no interior, são repletas de bonitas pinturas a fresco.
Não é, de todo, uma metropole à medida das grandes cidades Europeias, mas é por isso que Iasi tem o seu lugar bem definido.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva, Dezembro 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Na Linha De Iasi A Bucareste

em Bucareste, Roménia

A viagem é a mesma, mas ao contrário. O comboio é semelhante. Os passageiros não variam. Os típicos vendedores e pedintes continuam a entrar e a sair à medida que o comboio vai parando nas estações. Continua a não existir informação de paragem dentro do comboio. O revisor continua a usar chapéu. Nada parece mudar nesta segunda viagem, pelo menos dentro do comboio. Mas o facto é que algo aconteceu durante a semana de estadia em Iasi e que me fez falar de novo desta aventura ferroviária. E não foi o atraso do comboio, que fez esta segunda viagem demorar oito horas e meia, mais uma hora e meia que a primeira. A grande alteração está relacionada com o clima. Nevou em toda,  a Roménia e este acontecimento meteorológico tornou diferente toda a paisagem observada pela janela. Os descampados continuam, as fábricas e armazéns degradados também se mantiveram mas com um novo ar. A neve muda tudo. Não há palavras para descrever esta viagem que parece completamente diferente da primeira. E agora sim percebo o porque de me terem dito que a Roménia até era bonita fora das zonas urbanas.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Na Linha De Bucareste A Iasi

em Iași, Romania

São onze e meia da manha. O objectivo é apanhar um comboio com destino a uma das pontas da Roménia. A cidade chama-se Iasi e está localizada junto à fronteira com a Moldávia e é lá que vou participar, juntamente com outros jovens oriundos de vários países da UE, num intercâmbio cultural promovido e financiado, quase na totalidade, pela comissão europeia. Esta iniciativa que pretende misturar culturas chama-se juventude em acção e, esta em particular, está subordinada ao tema da reciclagem e reutilização de produtos.
A Gare do Norte, principal estação ferroviária da capital, parece velha, suja e pouco modernizada. Não vemos painéis electrónicos, anúncios de partidas e chegadas através de auto falantes, elevadores, escadas rolantes, túneis para ultrapassar as linhas. Parece que recuamos no tempo. O comboio tem a forma típica. Uma máquina com carruagens atreladas, nada de motoras ou modernices como o nosso Alfa Pendular. Este comboio romeno é mais parecido ao Intercidades português, mas com mais qualidades. A principal diferença entre eles é a existência de portas automáticas nas divisórias das carruagens que facilitam as passagens com malas.
Antes da viagem começar surgem inúmeros vendedores de revistas, incluindo títulos internacionais, escritos em inglês, como a National Geographic, por exemplo.
Depois de iniciada a viagem não tarda a chegada do revisor. De boina como se estivéssemos no Expresso do Oriente. O processo de validação dos títulos de transporte é exactamente igual ao português, sem problemas ou complicações.
Durante a longa viagem de sete horas o comboio pára poucas vezes. Umas seis ou sete, não mais. Mas em cada uma destas estações entra um novo vendedor ambulante que vai colocando os produtos que tem para vender em cima dos bancos que estão livres ou em cima das mesas individuais. Vendem-se dos mais variados tipos de produtos que vão desde chocolates a canivetes, cartas de jogar, porta-chaves ou até mesmo pequenas árvores de natal iluminadas. Tudo isto decorre com a maior normalidade, sem impedimentos.
As expectativas eram altas relativamente à paisagem. Foram várias as pessoas que me haviam dito que era bonita, com grandes planícies verdes, o que não é falso de todo, ainda assim não me pareceu surpreendente. Grandes planícies, de facto, com culturas muito semelhantes e difíceis de decifrar. O que mais se destacava na paisagem eram, de quando em vez, os edifícios abandonados. Grandes fábricas e armazéns que pareciam ser de ninguém, deixados à sorte, com vidros partidos e paredes a cair. Alguns queimados.
A viagem chega ao fim após sete horas do começo, no tempo previsto. Na saída da Gare, Iasi deixa a ideia que tem muito para mostrar.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva, Dezembro 2012