A viagem é a mesma, mas ao contrário. O comboio é semelhante. Os passageiros não variam. Os típicos vendedores e pedintes continuam a entrar e a sair à medida que o comboio vai parando nas estações. Continua a não existir informação de paragem dentro do comboio. O revisor continua a usar chapéu. Nada parece mudar nesta segunda viagem, pelo menos dentro do comboio. Mas o facto é que algo aconteceu durante a semana de estadia em Iasi e que me fez falar de novo desta aventura ferroviária. E não foi o atraso do comboio, que fez esta segunda viagem demorar oito horas e meia, mais uma hora e meia que a primeira. A grande alteração está relacionada com o clima. Nevou em toda, a Roménia e este acontecimento meteorológico tornou diferente toda a paisagem observada pela janela. Os descampados continuam, as fábricas e armazéns degradados também se mantiveram mas com um novo ar. A neve muda tudo. Não há palavras para descrever esta viagem que parece completamente diferente da primeira. E agora sim percebo o porque de me terem dito que a Roménia até era bonita fora das zonas urbanas.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
Na Linha De Bucareste A Iasi
Por
Diogo Pereira
em
Iași, Romania
São onze e meia da manha. O objectivo é apanhar um comboio com destino a uma das pontas da Roménia. A cidade chama-se Iasi e está localizada junto à fronteira com a Moldávia e é lá que vou participar, juntamente com outros jovens oriundos de vários países da UE, num intercâmbio cultural promovido e financiado, quase na totalidade, pela comissão europeia. Esta iniciativa que pretende misturar culturas chama-se juventude em acção e, esta em particular, está subordinada ao tema da reciclagem e reutilização de produtos.
A Gare do Norte, principal estação ferroviária da capital, parece velha, suja e pouco modernizada. Não vemos painéis electrónicos, anúncios de partidas e chegadas através de auto falantes, elevadores, escadas rolantes, túneis para ultrapassar as linhas. Parece que recuamos no tempo. O comboio tem a forma típica. Uma máquina com carruagens atreladas, nada de motoras ou modernices como o nosso Alfa Pendular. Este comboio romeno é mais parecido ao Intercidades português, mas com mais qualidades. A principal diferença entre eles é a existência de portas automáticas nas divisórias das carruagens que facilitam as passagens com malas.
Antes da viagem começar surgem inúmeros vendedores de revistas, incluindo títulos internacionais, escritos em inglês, como a National Geographic, por exemplo.
Depois de iniciada a viagem não tarda a chegada do revisor. De boina como se estivéssemos no Expresso do Oriente. O processo de validação dos títulos de transporte é exactamente igual ao português, sem problemas ou complicações.
Durante a longa viagem de sete horas o comboio pára poucas vezes. Umas seis ou sete, não mais. Mas em cada uma destas estações entra um novo vendedor ambulante que vai colocando os produtos que tem para vender em cima dos bancos que estão livres ou em cima das mesas individuais. Vendem-se dos mais variados tipos de produtos que vão desde chocolates a canivetes, cartas de jogar, porta-chaves ou até mesmo pequenas árvores de natal iluminadas. Tudo isto decorre com a maior normalidade, sem impedimentos.
As expectativas eram altas relativamente à paisagem. Foram várias as pessoas que me haviam dito que era bonita, com grandes planícies verdes, o que não é falso de todo, ainda assim não me pareceu surpreendente. Grandes planícies, de facto, com culturas muito semelhantes e difíceis de decifrar. O que mais se destacava na paisagem eram, de quando em vez, os edifícios abandonados. Grandes fábricas e armazéns que pareciam ser de ninguém, deixados à sorte, com vidros partidos e paredes a cair. Alguns queimados.
A viagem chega ao fim após sete horas do começo, no tempo previsto. Na saída da Gare, Iasi deixa a ideia que tem muito para mostrar.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva, Dezembro 2012
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva, Dezembro 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Fria E Desarrumada
Bucareste não é uma cidade fácil. Em primeiro lugar porque não é fácil encontrar pessoas que saibam falar inglês. Ainda assim tem vantagens como o baixo valor da moeda em circulação, o Leu, o que torna todos os produtos bem mais baratos e torna as refeições bem mais acessíveis Estive apenas umas horas na capital da Roménia, deu para tirar algumas conclusões, talvez erradas mas deu para perceber que Bucareste não é a cidade perfeita dentro da Europa. Somos constantemente abordados por sem abrigos, os passeios da rua não são constantes, em muitos casos temos que andar na estrada ou passar por zonas enlameadas e o trânsito não parece muito organizado. Há buzinadelas constantes, os engarrafamentos são habituais e são visíveis muita amolgadelas nas viaturas. A questão do inglês é também uma questão importante. No dia em que chegámos a Bucareste fomos comprar um bilhete de comboio para Iasi (uma cidade junto há fronteira com a Moldávia, que era o nosso objectivo final uma vez que era o local onde íamos fazer um intercambio cultural com putros jovens da União Europeia e Brasil). Esta compra nã foi fácil porque precisávamos de uma fatura para justificar o preço do bilhete para entregar na organização do evento em que íamos participar. Desde o momento em que tentamos pedir, pela primeira vez, a factura, até a momento efectivo em que a recebemos, passaram cerca de 90 minutos. Percebemos, na estação de comboios que os Romenos não têm muita preocupação com a primeira impressão do país. A estação de caminhos de ferro está velha e degradada. As paredes têm tinta a cair e um aspecto velho e degradado. O metropolitano é uma surpresa. Embora as estações também sejam velhas o comboio é moderno, veloz e muito barato, cerca de 90 centimos é preço que pagamos por duas viagens. Comer num restaurate é que parece difícil. Nas imediações doo hotel onde passamos a noite, junto à estação de caminhos de ferro, apenas encontramos restaurantes que servem na janela e o objectivo é levar a comida na mão e comer pelo caminho ou em casa. Os supermercado são uma pechincha. Comprámos comida para levar na viagem de sete horas de comboio, que nos ficou por menos de 10 euros. Embora tenhamos chegado à capital com alguns receios relativamente há segurança saímos impressionados com a polícia que era frequente nas ruas.
FOTOGRAFIA: Piata Victoriei, © Cláudia Paiva, Dezembro 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
O Basófias Anda A Fazer Fintas Na Areia
Por
Diogo Pereira
em
Coimbra, Portugal
Ainda se navega no Mondego. O Basófias é o barco que continua a fazer companhia às outras embarcações que por ali podem passear sem grandes problemas: as canoas da Académica. Mas o certo é que o mítico barco que deve o seu nome às águas que o acolheram em 1993 pode estar de saída. As condições de assoreamento não são as melhores e não há um passo em frente para que a situação se resolva. O Basófias encalha com frequência e, segundo informações dadas aos passageiros durante o passeio pelo rio de Coimbra, a profundidade de navegação varia entre os 75 centímetros e os 2 metros.
A empresa gestora já ameaçou com a saída para outras águas e, de acordo com o desenvolvimento da situação, parece mesmo que o Basófias vai conhecer outras marés, talvez com menos areia.
Este é um barco que mostra a cidade dos estudantes de baixo para cima. Talvez da forma menos elitista. Se por um lado a alta da cidade espelha a excelência do ensino superior, do conhecimento e da investigação científica, a zona navegável do Mondego olha de baixo, discretamente, para a Universidade de Coimbra.
Não é um barco histórico nem tão pouco, excelente do ponto de vista da sua construção estética. É um barco de turismo com tantos outros, com excursões frequentes cujos participantes se entertem a tirar fotografias com a Cabra em fundo ou a comer especialidades da região como é o caso do Leitão acompanhado de um bom vinho branco.
Aqui está a melhor forma de conhecer a cidade dos estudantes , a bordo do Basófias Coimbra tem muito mais encanto e fica a vontade de passar mais tempo em cima do Mondego. (Antes que seja impossível).
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva, Novembro 2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Aprender Línguas No Estrangeiro Parece Mais Fácil ▷
Por
Diogo Pereira
em
Coimbra, Portugal
A Education First (EF) promove cursos de línguas no estrangeiro para todas as idades. Aqui fica o video que mostra o trabalho dos embaixadores que andaram pela Universidade de Coimbra a dar a conhecer os objetivos da EF.
domingo, 25 de novembro de 2012
A Voz Da Revolução ▷
Por
Diogo Pereira
A Rádio teve um papel de importância capital para o desenrolar da Revolução dos Cravos. Há até quem diga que sem a rádio o 25 de Abril de 1974 não passaria de um dia como tantos outros. Isabel Nobre Vargues, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Joaquim Furtado falam de um dos dias mais importantes para a construção da Liberdade em Portugal.
IMAGEM: Capa DVD - "A Voz da Revolução" Design Gráfico de © Daniel Monteiro, Novembro 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A Rádio Antes Dos Cravos
Por
Diogo Pereira
Programação:
A Rádio antes da revolução dos cravos era “uma rádio introvertida, virada para si mesma, envergonhada e inibida” [CRISTO:2005]. Muita música, proveniente das famosas rodelas pretas, separada por publicidade e dois dedos de conversa entre, normalmente dois locutores. Sumariamente uma rádio cujo principal objectivo era entreter tendo como ganhadores de audiências os programas de humor, os folhetins, os discos pedidos e os programas desportivos.
Depois dos programas de humor perderem algum do seu público muito por causa da perda de graça (diziam os críticos) e o excesso de publicidade, foram os folhetins que começaram a dominar a antena ao longo dos anos 60 afirmaram-se com um dos principais alicerces audiométricos das emissoras.
Os programas de discos pedidos representavam, também, uma parte muito substancial do consumo radiofónico. As rádios, mesmo as mais pequenas e menos conhecidas, registavam, na época, vários pedidos de discos e os seus locutores eram acarinhados com inúmeras cartas que, em algumas emissoras chegam a ultrapassar os dois milhares por mês. Este tipo de formato era tão bem recebido pelo público que as rádios concorriam entre si com programas de discos pedidos no mesmo horário. O maior êxito de todos, “Quando o Telefone Toca”, chegou mesmo a ser emitido, ao mesmo tempo, pela Rádio Renascença, o Rádio Clube Português (RCP) e pelos Emissores Associados de Lisboa.
Motivado pelo Hóquei em Patins, modalidade na qual Portugal era habitualmente vencedor, o desporto também assumia um papel bastante relevante na antena.
Na área da programação a rádio, tal como a conhecemos hoje, terá nascido no Verão de 1959 quando a Rádio Renascença lança uma nova grelha de programas sob o lema “mais música e menos palavras”. Paralelamente a este fenómeno assistimos ao alargamento dos horários de emissão das rádios portuguesas que começaram por atingir as primeiras horas da madrugada. Em Agosto de 1963 o RCP lança o programa “Sintonia 63” que é transmitido depois do “Meia-Noite” (que havia começado a ser transmitido entre a meia noite e as quatro da manha do dia 10 de Outubro de 1959) e, ligando as 4 às 6 da manhã transforma o Rádio Clube na primeira emissora a ter transmissão ininterrupta.
Informação:
“Toda a gente parece andar de máquina na mão em busca de notícia. Será que de repente, a rádio decidiu vir, finalmente, para a rua? Viva a iniciativa e toca a entrevistar”, aplaudia a crítica em 1967 (“Rádio & Televisão”).
A rapidez e a dimensão sonora e a forma como isso pode ser adequado à informação são os campos de interesse da generalidade das estações. Ao longo dos anos a informação começa a descobrir o seu espaço na rádio e a deixar de ser exclusivamente produto dos jornais. O primeiro interesse pela adaptação da informação noticiosa à rádio surge com o programa “Rádio Jornal” do RCP que em duas horas este autêntico jornal radiofónico juntava notícias, reportagens e música.
Em 1960 surge em Portugal uma revolução na forma de fazer informação radiofónica. Os textos de jornal, extensos lidos na antena passam a ser previamente tratados e apresentados ao público de forma adequada à difusão radiofónica. Também os noticiários deixaram de ter hora certa para serem transmitidos para passarem a surgir sempre que um acontecimento o justifique. Tudo isto aconteceu no Rádio Clube Português que foi, mais uma vez, pioneiro no avanço da forma como nos habituámos a ouvir rádio em Portugal.
O assassinato de John F. Kennedy é um bom exemplo para ilustrar a rapidez na difusão das notícias que começava a ser cada vez maior. Começou a desenvolver-se a tendência para diminuir o tempo do acontecimento em relação ao tempo em que a notícia era dada. A Emissora Nacional adoptou mesmo o slogan “as notícias chegam e vão direitas ao seu receptor”.
No início da década de 70 a rádio começa a alterar as suas fórmulas e passou a deixar de se cingir apenas aos estúdios para começar a visitar residências, escritórios, fábricas, oficinas, no fundo o epicentro das notícias.
domingo, 11 de novembro de 2012
"O Cônsul De Bordéus"
Por
Diogo Pereira
Para felicidade de muitos, Aristides de Sousa Mendes foi, finalmente, apresentado aos portugueses através da sétima arte. "O Cônsul de Bordéus" esteve na primeira sessão competitiva noturna do Festival Caminhos do Cinema Português e foi bem recebido pelos mais de 300 espectadores do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra. Vítor Norte, São José Correia, Carlos Paulo, João Cabral, Leonor Seixas entre muitos outros dão forma à história do homem que contrariou o regime fascista e visou milhares de passaportes aos judeus que queriam fugir das garras de Hitler.
No final da sessão subiram ao palco algumas das figuras que contam hoje a história de Aristides de Sousa Mendes. O primeiro a falar foi José Mazeda, produtor do filme e começou por lamentar a falta de apoios ao cinema português denunciando a ignorância dos governantes que "nem sabem quem foi o cônsul de Bordéus", reitera. O homem que quer levar a figura do Humanista Aristides de Sousa Mendes às escolas e que deseja que o filme seja um sucesso para que todos conheçam este diplomata carismático explicou ainda a escolha da cidade de Viana do Castelo para a rodagem do filme: em primeiro lugar por ser mais barato e depois porque "Viana está mais parecida, hoje em dia, com a Burdeus de 1939, do que a própria cidade de Burdeus".
Quem também falou ao público de Coimbra foi o neto de Aristides de Sousa Mendes que assistiu à estreia do filme na cidade dos estudantes com o seu filho, bisneto do diplomata. O Major Álvaro Sousa Mendes começa por relembrar que Aristides se licenciou, precisamente, na cidade do Mondego e conta o percurso que teve que traçar para que o estado português fise-se a devida homenagem ao seu avô, nomeadamente uma aproximação ao Ministério dos Negócios Estrangeiros depois da queda do regime de Salazar, em 1974, que se mostrou reticente.
O familiar do diplomata que, heroicamente, ousou desafiar o regime de António de Oliveira Salazar conclui dizendo que o terceiro lugar alcançado por Aristides de Sousa Mendes no concurso da RTP Grandes Portugueses soube ao primeiro.
Luís Reis Torgal, Professor Universitário em Coimbra e historiador também foi chamado a intervir para falar sob o ponto de vista mais técnico. Com experiência em assuntos relacionados com o Estado Novo o académico começa por alertar para a possibilidade de a sua intervenção ser a mais polémica garantindo que o cinema é sempre importante para a compreensão da história mas que nem sempre é rigoroso, explicando a falta de rigor científico com a criatividade que é necessária para que o público goste de um filme. Luís Reis Torgal não deixa de dar uma dica ao produtor que estava sentado à sua direita no palco do TAGV: "para fazer um filme histórico é precisa uma base hitoriográfica e a presença de um historiador" dando o exemplo de Manoel de Oliveira "que se faz acompanha de um especialista em história em todos os seus filmes". Ainda assim o especialista não deixa de concordar que este é um filme que vai ajudar os portugueses a conhecerem melhor a figura do Cônsul de Bordéus. Quanto ao terceiro lugar no concurso Grandes Portugueses Reis Torgal reafirma que achou o programa "vergonhoso" e "degradante".
Antes das opiniões do público, que estenderam o debate por mais cerca de 20 minutos falou Luís Fidalgo, representante da Fundação Aristides de Sousa Mendes para reafirmar que o diplomata português é "reconhecido pelo mundo como um herói".
FOTOGRAFIA: © Tiago Santos, Festival Caminhos do Cinema Português, 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Quem Domina Quem?
Por
Diogo Pereira
A questão é polémica e as respostas são todas válidas. Quem domina quem? Será que o telespectador é dominado pela televisão ou, por outro lado, o telespectador é que domina a Televisão.
Embora tenha o comando na mão e a liberdade de escolher em qual dos operadores vai parar o seu zapping será que esta panóplia é mesmo significado de poder? Na aula de televisão de hoje foi nos pedido que reflectíssemos sobre o assunto e este foi o meu ponto de vista:
Por um lado a resposta mais evidente seria que o telespectador é dominado pela televisão uma vez que os programas apresentados nos diferentes operadores são idênticos. Ainda assim, na minha opinião o telespectador é quem domina a tv não por ser exigente em termos de conteúdo mas porque se fosse a tv a dominar o telespectador esta conseguiria faze-lo consumir programas mais baratos e que, por sua vez, fizessem diminuir as despesas e, por conseguinte, aumentar as receitas. Por exemplo, programas com conteúdos pouco elitistas ou educativos como telenovelas ou reality shows acarretam custos bastante elevados.
domingo, 4 de novembro de 2012
"Acabar Com A Classe Média É Acabar Com A Democracia"
Por
Diogo Pereira
em
Coimbra, Portugal
Confrontada com as declarações que proferiu há uns meses e nas quais sugeria que o fim da Democracia durante seis meses poderia resolver alguns problemas, Manuela Ferreira Leite começa por alertar para os problemas que atualmente se sentem no regime democrático. A antiga líder do PSD afirma que "se continuarmos neste sistema de degradação não podemos dizer que estamos em Democracia". A antiga ministra das Finanças e Educação fala numa falta de credibilidade da classe política que leva as pessoas a votar em projetos que "depois não são cumpridos" quando os candidatos chegam ao poder.
Economista e com experiência na área, Manuela Ferreira Leite não acredita num equilíbrio de contas em recessão e vai mais longe dizendo que nunca viu nenhum país crescer sem classe média à qual se está, no seu entender, a fazer um "ataque" com a atual linha política. No âmbito das Conferências Políticas organizadas na Casa da Escrita pela Camara Municipal de Coimbra e pela Fundação Bissaya Barreto e com o mote de pensar a Democracia a ministra de Cavaco Silva entre 1991 e 1995 refere que o pilar de qualquer estado democrático é a classe média porque "suporta a democracia".
No final do debate Manuela Ferreira Leite deixa uma mensagem de esperança mostrando-se convencida de que "a Europa vai reagir solidariamente a favor dos países em dificuldades".
A Casa da escrita acolheu assim a primeira de quatro conferência políticas onde também estiveram presentes Mota Amaral, Diogo Pires Aurélio e Amadeu Carvalho Homem, tendo este último pedido aos governantes esclarecimentos sobre a "tão falada dívida soberana que ninguém sabe, efetivamente, o que é", reitera. O professor da Universidade de Coimbra refletiu ainda sobre o atual estado da nação apontando aspetos da sociedade que, julga, estarem a afetar o estado democrático nomeadamente "o fosso entre ricos e pobres" que tem vindo a aumentar e os cortes nas bolsas de estudo no ensino superior. Carvalho Homem pede uma "refundação" da Democracia e avisa que "o caminho não pode ser este".
FOTOGRAFIA: © Rui Oliveira, Global Imagens
sábado, 3 de novembro de 2012
O Passeio Da Realeza
Por
Diogo Pereira
em
Lisboa, Portugal
No sítio que em tempos foi o picadeiro real do Palácio de Belém nasceu o museu mais visitado da rede pública portuguesa: o Museu dos Coches Reais. Com carruagens feitas em Portugal, Itália, França, Austria e Espanha os coches contam a história de 3 séculos e fazem parte de autênticos diários de bordo da realeza de Portugal e de outros tantos ilustres que visitaram o nosso país.
Destacam-se, na galeria principal os meios de transporte ao estilo de Luís XVI forrados a veludo vermelho e ouro com exteriores esculpidos com alegrias a armas reais. A principal atração do Museu é mesmo a carruagem onde se deslocava o Rei D. Carlos I e o Principe herdeiro, D. Luís Filipe quando foram assassinados no atentado de 1908. O Museu dos Coches conta também a história do exílio dos reis para o Brasil, aquando das invasões francesas, com o coche utilizado por D. João V no regresso de terras de Vera Cruz.
Mesmo em frente ao Museu dos Coches, no antigo local das oficinas gerais do exército, está, aparentemente na fase final de construção um novo edifício do arquiteto brasileiro, Paulo Archias Mendes da Rocha, para onde se deverá mudar o Museu que recebe cerca de 250.000 visitas por ano.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva '12
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
O Que Nos Falta Para Sair? ▷
Por
Diogo Pereira
em
Portugal
Portugal não é um país sedutor para os estudantes universitários que a pouco tempo de terminarem as suas licenciaturas ou, pelo contrário, no começo da vida académica, não descartam a hipótese de desenvolverem a sua atividade profissional no estrangeiro. Queixam-se da falta de reconhecimento e da falta de emprego mas também não encaram de ânimo leve a possibilidade de deixar a família e os amigos para trás.
No âmbito da tertúlia "O que nos falta para ficar e o que nos falta para sair" fomos para a rua saber a opinião dos estudantes da Universidade de Coimbra.
CARTAZ: © SDDH/AAC 2012, Marta Pilré
VIDEO: © SDDH/AAC 2012, Diogo Pereira (imagem e edição) e Tânia Silva (pivô)
VIDEO: © SDDH/AAC 2012, Diogo Pereira (imagem e edição) e Tânia Silva (pivô)
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A Amizade Consegue-se Pelos Presentes
Por
Diogo Pereira
em
Lisboa, Portugal
A casa do Presidente da República está acessível através da iniciativa do Presidente Jorge Sampaio que ali ergueu o Museu da Presidência da República. O Palácio de Belém acolhe o público e mostra-lhe a história da Democracia lusitana através de imagens, videos e objetos.
A história de Portugal dos últimos cem anos passa invariavelmente por Belém. Foi naquela zona nobre da capital que foram recebidos pelos diferentes presidentes chefes de estado e figuras de grande relevância a nível global. E é com estas relações externas que um país cresce e ganha aliados e visibilidade, daí que o Museu da Presidência se faça, em grande parte, de peças que em algum momento foram oferecidas a Portugal como sinal de reconhecimento, amizade, lealdade ou simplesmente cortesia.
A troca de presentes entre povos é quase tão antiga como a sociedade e simboliza a paz entre eles. Cada um dos presentes recebidos em Belém transporta consigo referências ou aptidões de um determinado país acrescentando-lhe uma memória coletiva ou uma ideia de futuro.
Provenientes de vários sítios de mundo os presentes expostos na casa do Presidente mostram as relações saudáveis entre com os povos amigos de Portugal.
Através das fotografias dos vários presidentes e da tecnologia é possível passar em revista as biografias de todos os chefes de estado conhecendo assim de forma mais pormenorizada a importância de cada líder para o cimentar de um regime ainda em crescimento. Por outro lado afirmando-se com um carácter de serviço público a loja do Museu coloca à disposição imensas obras literárias construidas por especialistas em diferentes matérias da sociedade, que vão desde o jornalismo à economia, passando pela política e sociedade, ao preço da chuva.
Passando por Belém é impensável, para além dos pasteis, não fazer uma visita ao Museu da Presidência da República situado no coração do Palácio de Belém.
Através das fotografias dos vários presidentes e da tecnologia é possível passar em revista as biografias de todos os chefes de estado conhecendo assim de forma mais pormenorizada a importância de cada líder para o cimentar de um regime ainda em crescimento. Por outro lado afirmando-se com um carácter de serviço público a loja do Museu coloca à disposição imensas obras literárias construidas por especialistas em diferentes matérias da sociedade, que vão desde o jornalismo à economia, passando pela política e sociedade, ao preço da chuva.
Passando por Belém é impensável, para além dos pasteis, não fazer uma visita ao Museu da Presidência da República situado no coração do Palácio de Belém.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Associativismo ≠ Tachismo?
O Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra (FCTUC) recebeu a palestra "Um outro olhar sobre... Associativismo". A iniciativa do Núcleo de Estudantes de Engenharia Mecânica da Associação Académica de Coimbra (NEEMAAC) colocou na mesma mesa o Professor Rogério Leal, Provedor do Estudante da UC, Eduardo Melo, antigo presidente da Direção Geral (DG) da AAC, Norberto Pires, Professor da FCTUC, Nuno Quitério, Fundador da NEEMAAC, Samuel Vilela, atual vice presidente da DGAAC e Frederico Teixeira, representante da European Students of Industrial Engineering and Management (ESIEM).
Rogério Leal
Para promover esta iniciativa o NEEMAAC apostou numa estratégia de marketing que passava por tentar esclarecer as diferenças entre o Associativismo e o chamado "Tachismo". Numa academia onde muitos são aqueles que se envolvem de forma ativa na vida pública - não só na política como também em associações culturais ou desportivas - o provedor do Estudante da UC traçou um perfil do "típico tachista", Rogério Leal afirma que todos os estudantes que "clara e friamente" se envolvem em actividades associativas apenas para obterem benefícios próprios e para "ganharem qualquer coisa sem nada investirem" são os tachistas. Por outro lado e defendendo a posição daqueles que escolhem fazer actividades extracurriculares, Leal sublinha que a maioria dos dirigentes associativos não estão nos cargos para obter benefícios próprios, mas sim porque a actividade lhes dá prazer, ainda assim "como em todo lado há bom e mau", conclui. Com experiência associativa dos tempos de estudante, o provedor refere-se à questão do processo de Bolonha como uma mais valia porque "assim os alunos são obrigados a gerir de forma mais eficaz o seu tempo".
Norberto Pires
O Professor da FCTUC é claro ao afirmar que "o que mais há é tempo" para desenvolver actividades fora da sala de aula e acredita que as empresas valorizam de forma muito significativa as experiências associativas dos candidatos a empregos. Na discussão do processo de Bolonha e na análise aos problemas que este traz ao Associativismo, Norberto Pires, partilha a opinião de Rogério Leal e vai mais longe ao dizer que "é mais importante gerir o tempo que o próprio dinheiro" e não deixa de dar uma dica ouvida atentamente pela audiência presente no auditório do DEM: "é prioritário aprender mas também é prioritário acumular experiência extracurricular".
Eduardo Melo
O estudante da UC que viveu na pele os problemas e regalias de ser dirigente associativo ao mais alto nivel coloca no Processo de Bolonha a responsabilidade da "degradação" das actividades extracurriculares motivada pela falta de tempo. O anterior presidente da DG transportou a sua própria experiência para o debate e confessou que quando decidiu exercer o cargo máximo da AAC ficou convencido de que teria que passar um ano letivo sem ter notas positivas na maioria das cadeiras e foi o que aconteceu. "Fiz um cadeia [no ano em que fui presidente]", desabafa.
Samuel Vilela
O atual vice presidente da DG aproveitou o evento promovido pelo NEEMAAC para convidar os estudantes presentes a participarem no Associativismo Académico mais propriamente na AAC onde pode encontrar dezenas de secções culturais e desportivas. Quando confrontado com questões relacionadas com o seu mandato na mais antiga academia portuguesa, nomeadamente alegadas faltas no pagamento de verbas a algumas secções desportivas, Samuel Vilela defende a sua equipa com a situação económica do país e atrasos de pagamentos à própria Académica.
Frederico Teixeira
"As empresas vêm com muito bons olhos os estudantes que se envolvem no Associativismo Académico", esclarece Frederico Teixeira que se posicionou no debate como conhecedor do mercado uma vez que interage frequentemente com ele no exercício das suas funções na ESIEM.
Nuno Quitério
Conhecedor na primeira pessoa do que é o Associativismo Académico aquele que é um dos oito fundadores do NEEMAAC, não tem dúvidas relativamente à importância das aulas na formação académica de um estudante, mas também não se mostra reticente na hora ao afirmar que "as associações dão capacidades e competências ao nível da cidadania que um curso universitário não consegue dar".
O evento teve como principal objetivo aproximar os estudantes do associativismo académico e mais propriamente da Associação Académica de Coimbra propondo uma escolha consciente depois de se ouvirem os prós e contras desta atividade tão conhecida dentro da academia e tão desejada por muitos e odiada por outros tantos.
FOTOGRAFIA: pin de lapela com o logo da Associação Académica de Coimbra
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Serviço Público Com 20 Anos De Discussão
Por
Diogo Pereira
Já em Novembro de 1992 a discussão era acesa em torno do Serviço Público de televisão, muito empolgada pelo surgimento, no mês anterior, da televisão privada. Uma lei de 14 de Agosto de 1992 estipulava as responsabilidades da Radiotelevisão Portuguesa que no desempenho das suas actividades devia "pautar a programação por exigências de qualidade e diversidade e de respeito pelo interesse público". O Diário de Noticias, dava conta, a 23 de Novembro, de uma luta acérrima entre a RTP e a sua recém nascia concorrente, a Sociedade Independente de Televisão. O canal público para não perder telespectadores antecipava telenovelas para se manter na luta pelas audiências a par da SIC que também apostou na antecipação de programas.
As regras de moderação para os serviços audiovisuais eram escassas. Não eram claras as competências do canal do estado, nem as diferenças entre os concorrentes da caixinha que mudou o mundo. A legislação apenas estabelecia uma série de obrigações transversais a todos os meios televisivos, como era o caso da cedência de tempo de antena gratuito a entidades públicas, governo e partidos da oposição. A questão mais premente e sensível era saber se serviço público apenas se limitava ao respeito de uma série de deveres ou se obedecia às leis da publicidade que o faziam tornar-se mais comercial.
Há época, o presidente da SIC, Francisco Pinto Balsemão apenas encontrava uma diferença entre público e privado: “a RTP tem financiamento público e a SIC não”. No que diz respeito à programação a primeira televisão privada assumia mesmo que a RTP acabava, em alguns momentos, por ser mais agressiva do que a SIC na disputa pelas audiências. Artur Albarran era director de informação do canal público em Novembro de 1992 e enumerava, ao Diário de Notícias do dia 23, as diferenças da RTP para a SIC e que passavam, sumariamente, por transmitir documentários, missa, programas de informação e dava especial relevância aos programas para as minorias sociais. As sedes dos Açores e Madeira e ainda a estreita ligação aos países de Língua Portuguesa, através da RTP Internacional, eram argumentos do lider da informação do primeiro canal.
No mesmo dia em que Lisboa recebia um debate sobre o serviço público de televisão, José Rebelo, Jornalista e Professor de Sociologia foi convidado pelo DN para analisar o primeiro mês e meio de confronto entre o público e o privado. O académico, num artigo de opinião, publicado na página 24, afirmava que nada distinguia os dois canais. "Tanto os canais públicos como o privado baseiam a programação numa tentativa de conquistar audiências, multiplicando os concursos, repetindo os spots de auto promoção, tentando encontrar programas que vão ao encontro daquilo que se entende habitualmente por senso comum."
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