quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Amizade Consegue-se Pelos Presentes

em Lisboa, Portugal
A casa do Presidente da República está acessível através da iniciativa do Presidente Jorge Sampaio que ali ergueu o Museu da Presidência da República. O Palácio de Belém acolhe o público e mostra-lhe a história da Democracia lusitana através de imagens, videos e objetos. 
A história de Portugal dos últimos cem anos passa invariavelmente por Belém. Foi naquela zona nobre da capital que foram recebidos pelos diferentes presidentes chefes de estado e figuras de grande relevância a nível global. E é com estas relações externas que um país cresce e ganha aliados e visibilidade, daí que o Museu da Presidência se faça, em grande parte, de peças que em algum momento foram oferecidas a Portugal como sinal de reconhecimento, amizade, lealdade ou simplesmente cortesia.
A troca de presentes entre povos é quase tão antiga como a sociedade e simboliza a paz entre eles. Cada um dos presentes recebidos em Belém transporta consigo referências ou aptidões de um determinado país acrescentando-lhe uma memória coletiva ou uma ideia de futuro.
Provenientes de vários sítios de mundo os presentes expostos na casa do Presidente mostram as relações saudáveis entre com os povos amigos de Portugal.
Através das fotografias dos vários presidentes e da tecnologia é possível passar em revista as biografias de todos os chefes de estado conhecendo assim de forma mais pormenorizada a importância de cada líder para o cimentar de um regime ainda em crescimento. Por outro lado afirmando-se com um carácter de serviço público a loja do Museu coloca à disposição imensas obras literárias construidas por especialistas em diferentes matérias da sociedade, que vão desde o jornalismo à economia, passando pela política e sociedade, ao preço da chuva.
Passando por Belém é impensável, para além dos pasteis, não fazer uma visita ao Museu da Presidência da República situado no coração do Palácio de Belém.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Associativismo ≠ Tachismo?

em Faculdade De Ciências E Tecnologia Da Universidade De Coimbra, Coimbra, Portugal

O Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra (FCTUC) recebeu a palestra "Um outro olhar sobre... Associativismo". A iniciativa do Núcleo de Estudantes de Engenharia Mecânica da Associação Académica de Coimbra (NEEMAAC) colocou na mesma mesa o Professor Rogério Leal, Provedor do Estudante da UC, Eduardo Melo, antigo presidente da Direção Geral (DG) da AAC, Norberto Pires, Professor da FCTUC, Nuno Quitério, Fundador da NEEMAAC, Samuel Vilela, atual vice presidente da DGAAC e Frederico Teixeira, representante da European Students of Industrial Engineering and Management (ESIEM).

Rogério Leal
Para promover esta iniciativa o NEEMAAC apostou numa estratégia de marketing que passava por tentar esclarecer as diferenças entre o Associativismo e o chamado "Tachismo". Numa academia onde muitos são aqueles que se envolvem de forma ativa na vida pública - não só na política como também em associações culturais ou desportivas - o provedor do Estudante da UC traçou um perfil do "típico tachista", Rogério Leal afirma que todos os estudantes que "clara e friamente" se envolvem em actividades associativas apenas para obterem benefícios próprios e para "ganharem qualquer coisa sem nada investirem" são os tachistas. Por outro lado e defendendo a posição daqueles que escolhem fazer actividades extracurriculares, Leal sublinha que a maioria dos dirigentes associativos não estão nos cargos para obter benefícios próprios, mas sim porque a actividade lhes dá prazer, ainda assim "como em todo lado há bom e mau", conclui. Com experiência associativa dos tempos de estudante, o provedor refere-se à questão do processo de Bolonha como uma mais valia porque "assim os alunos são obrigados a gerir de forma mais eficaz o seu tempo".

Norberto Pires
O Professor da FCTUC é claro ao afirmar que "o que mais há é tempo" para desenvolver actividades fora da sala de aula e acredita que as empresas valorizam de forma muito significativa as experiências associativas dos candidatos a empregos. Na discussão do processo de Bolonha e na análise aos problemas que este traz ao Associativismo, Norberto Pires, partilha a opinião de Rogério Leal e vai mais longe ao dizer que "é mais importante gerir o tempo que o próprio dinheiro" e não deixa de dar uma dica ouvida atentamente pela audiência presente no auditório do DEM: "é prioritário aprender mas também é prioritário acumular experiência extracurricular".

Eduardo Melo
O estudante da UC que viveu na pele os problemas e regalias de ser dirigente associativo ao mais alto nivel coloca no Processo de Bolonha a responsabilidade da "degradação" das actividades extracurriculares motivada pela falta de tempo. O anterior presidente da DG transportou a sua própria experiência para o debate e confessou que quando decidiu exercer o cargo máximo da AAC ficou convencido de que teria que passar um ano letivo sem ter notas positivas na maioria das cadeiras e foi o que aconteceu. "Fiz um cadeia [no ano em que fui presidente]", desabafa. 

Samuel Vilela
O atual vice presidente da DG aproveitou o evento promovido pelo NEEMAAC para convidar os estudantes presentes a participarem no Associativismo Académico mais propriamente na AAC onde pode encontrar dezenas de secções culturais e desportivas. Quando confrontado com questões relacionadas com o seu mandato na mais antiga academia portuguesa, nomeadamente alegadas faltas no pagamento de verbas a algumas secções desportivas, Samuel Vilela defende a sua equipa com a situação económica do país e atrasos de pagamentos à própria Académica.

Frederico Teixeira
"As empresas vêm com muito bons olhos os estudantes que se envolvem no Associativismo Académico", esclarece Frederico Teixeira que se posicionou no debate como conhecedor do mercado uma vez que interage frequentemente com ele no exercício das suas funções na ESIEM.

Nuno Quitério
Conhecedor na primeira pessoa do que é o Associativismo Académico aquele que é um dos oito fundadores do NEEMAAC, não tem dúvidas relativamente à importância das aulas na formação académica de um estudante, mas também não se mostra reticente na hora ao afirmar que "as associações dão capacidades e competências ao nível da cidadania que um curso universitário não consegue dar".

O evento teve como principal objetivo aproximar os estudantes do associativismo académico e mais propriamente da Associação Académica de Coimbra propondo uma escolha consciente depois de se ouvirem os prós e contras desta atividade tão conhecida dentro da academia e tão desejada por muitos e odiada por outros tantos.
FOTOGRAFIA: pin de lapela com o logo da Associação Académica de Coimbra

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Serviço Público Com 20 Anos De Discussão


Já em Novembro de 1992 a discussão era acesa em torno do Serviço Público de televisão, muito empolgada pelo surgimento, no mês anterior, da televisão privada. Uma lei de 14 de Agosto de 1992 estipulava as responsabilidades da Radiotelevisão Portuguesa que no desempenho das suas actividades devia "pautar a programação por exigências de qualidade e diversidade e de respeito pelo interesse público". O Diário de Noticias, dava conta, a 23 de Novembro, de uma luta acérrima entre a RTP e a sua recém nascia concorrente, a Sociedade Independente de Televisão. O canal público para não perder telespectadores antecipava telenovelas para se manter na luta pelas audiências a par da SIC que também apostou na antecipação de programas. 
As regras de moderação para os serviços audiovisuais eram escassas. Não eram claras as competências do canal do estado, nem as diferenças entre os concorrentes da caixinha que mudou o mundo. A legislação apenas estabelecia uma série de obrigações transversais a todos os meios televisivos, como era o caso da cedência de tempo de antena gratuito a entidades públicas, governo e partidos da oposição. A questão mais premente e sensível era saber se serviço público apenas se limitava ao respeito de uma série de deveres ou se obedecia às leis da publicidade que o faziam tornar-se mais comercial. 
Há época, o presidente da SIC, Francisco Pinto Balsemão apenas encontrava uma diferença entre público e privado: “a RTP tem financiamento público e a SIC não”. No que diz respeito à programação a primeira televisão privada assumia mesmo que a RTP acabava, em alguns momentos, por ser mais agressiva do que a SIC na disputa pelas audiências. Artur Albarran era director de informação do canal público em Novembro de 1992 e enumerava, ao Diário de Notícias do dia 23, as diferenças da RTP para a SIC e que passavam, sumariamente, por transmitir documentários, missa, programas de informação e dava especial relevância aos programas para as minorias sociais. As sedes dos Açores e Madeira e ainda a estreita ligação aos países de Língua Portuguesa, através da RTP Internacional, eram argumentos do lider da informação do primeiro canal.
No mesmo dia em que Lisboa recebia um debate sobre o serviço público de televisão, José Rebelo, Jornalista e Professor de Sociologia foi convidado pelo DN para analisar o primeiro mês e meio de confronto entre o público e o privado. O académico, num artigo de opinião, publicado na página 24, afirmava que nada distinguia os dois canais. "Tanto os canais públicos como o privado baseiam a programação numa tentativa de conquistar audiências, multiplicando os concursos, repetindo os spots de auto promoção, tentando encontrar programas que vão ao encontro daquilo que se entende habitualmente por senso comum." 

Artigo com base numa notícia da Jornalista Céu Neves, publicada no Diário de Notícias de dia 23 de Novembro de 1992.

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sábado, 29 de setembro de 2012

Publicidade De Outros Tempos - 1

Publicidade ao Renault Clio publicada no Diário de Notícias do dia 23 de Novembro de 1992.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem Te Viu E Quem Te Vê

em Coimbra, Portugal
É das conversas que já mais ouvi e tenho a certeza que se viver mais cem anos vou continuar a ouvir, pelo menos se a Universidade de Coimbra se mantiver intacta. Coimbra morre no mês de Agosto. Sendo uma cidade quase exclusivamente dedicada ao ensino superior, com diversas instituições académicas e, claro, a mais antiga e melhor(+) Universidade do país, as férias escolares tiram o pilar que movimenta a cidade do Mondego: os estudantes. Por isso o melhor do Verão em Coimbra é mesmo quando acaba. Quase todos saem à rua na quinta-feira, que é por excelência o dia das saídas nocturnas, porque na maioria das faculdades não há aulas no dia seguinte e porque, sendo a maioria dos universitários residente fora da cidade, o fim de semana é usado para reencontrar e matar saudades da família. Quase todos saem de casa, mesmo havendo previsão de chuva, como era o caso do dia de ontem e a Praça da República, bem no coração da cidade, é o local privilegiado para os encontros. Acompanhados de vinho, cerveja ou bebidas mais espirituosas os académicos reúnem-se em círculos e falam da academia, do governo, da crise ou simplesmente cortam na casa uns dos outros. Foi desta forma que nasceram os movimentos reaccionários que fizeram história em Portugal ou que nasceram as mais brilhantes obras dos mais brilhantes escritores lusitanos. Mas em 2012, embora os encontros sejam semelhantes, as mentes parecem estar mais acomodados  Já não há luta, já não se discute política com palavrões, apenas surgem alguns lamentos, mas os estudantes parece que estão adormecidos. Ou talvez não. Pode ser que no momento desta foto, numa daquelas tertúlias tenhas nascido um movimento que faça força na mudança de paradigma social que toda a Europa vive. Também espero que o excesso de álcool não tenha servido para apagar as mentes de um ou outro iluminado que por ali tenha passado.
FOTOGRAFIA: © Diogo Pereira, tirada na Praça da República, em Coimbra no dia 28 de Setembro, há uma da manhã, com 9ºc e previsão de chuva.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um Café Igual A Uma Tarde De Repouso

em Paris, França

Viajar até Paris é viajar até ao mundo da arte maior, viver a cultura na primeira pessoa, atropelar todas as possíveis e imaginárias culturas enquanto caminhamos pelos Champs Elysees, ter experiências únicas, conhecer monumentos especiais e imponentes, ser cosmopolita, viver no frenesim, etc... Mas o que fazer nos entretantos? Sugiro que nas pausas entre museus se vá apontando no papel o nome da obra x que vimos no Museu Rodin ou o número de escadas que subimos na Torre Eifel. Tudo isto são boas soluções, mas em Fevereiro as temperaturas não são muito convidativas a fazer recuperações de memória nos jardins da capital Francesa. Portanto o melhor mesmo é entrar num café. Na loucura pedir um bica. E depois olhar para a factura que, por acaso até é apresentada com toda a simpatia e normalidade. 
O dinheiro que poupo (por ser menor de 26 anos e residente na União Europeia) nos museus e monumentos é directamente encaminhado para o preço do café que está mais caro que o litro da gasolina.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

ASu(A)stador!

em Guimarães, Portugal
A Capital Europeia da Cultura tem tudo. Coisas que se percebem bem, coisas que se percebem mal e coisas que, simplesmente, não se percebem. A arte tem destas coisas! Os devaneios do artista nem sempre são perceptíveis, ou então a mentalidade de quem olha para as obras é que não está devidamente aberta... ou fechada, quem sabe. Caixas com vibrações e sons anti-epilépticos, comboios telecomandados com telemoveis em cima das carruagens, cordas, ou cabos (não percebi o material) que giram insistentemente como um convite a saltar à corda, projectores que arrastam a imagem das pessoas que ousam passar na sua frente, estruturas de madeira com altura suficiente para fazer inveja à torre do Dubai, uma caixão com a forma de Portugal ou até um circuito de roupas penduradas por cabides a andarem às voltas numa grande sala acompanhadas por um cronómetro que conta os segundos de vida do autor daquela obra.
Uma grande confusão, mas o certo é que tudo isto faz parte de uma das estruturas culturais recém remodeladas, em Guimarães para acolher a Capital Europeia da Cultura. Mas tal é o seu caris alternativo que para a visitar é preciso apanhar um comboio, ou um autocarro, sair de Guimarães com destino a Covas e andar um metros a pé por um passeio minúsculo construído numa rua onde automóveis circulam a grande velocidade. Até o horário de funcionamento é diferente, enquanto os museus e estruturas culturais do centro da cidade funcionam até às seis da tarde (por norma) a gigantesca estrutura deslocalizada está aberta a visitas até à meia noite. A cultura é para todos os gostos na Fábrica ASA. 

Logo na entrada o cenário é de madeira. A primeira obra é uma grande torre, promovendo um suposto museu, que é possível visitar utilizando as escadas interiores. Ao subir os degraus a temperatura vai aumentando, mas não há problema porque no topo uma ventoinha arrefece as ideias dos visitantes que, imagine-se, encontram um mesa com folhas lisas e canetas de feltro para fazer desenhos e deixar mensagens, curioso!

Passando para o segundo espaço de exposição o espirito tecnológico, é levado ao extremo. A começar por um comboio (daqueles de brincar) que, supostamente, anda pela linha com ligações de telemoveis, infelizmente estava desligado, lamentável!

Andando mais um pouco o cenário é de projecção video. Será video? Aquilo parecia mais uma televisão sem descodificador TDT. A ideia daquela obra, parece-me, que é arrastar a imagem de da pessoa que passa em frente ao projector de video, ridículo!

Na mesma sala que expõem tecnologia de ponta é ainda possivel olhar para um monitor com um robô na imagem que soletra palavras em espanhol, estúpido!

Depois de caminhar mais dois ou três passos de boca aberta posso ver uma corda, ou cabo de metal, a girar de forma insistente sem parar. O efeito até tem a sua piada, mas a utilidade é imperceptível à vista de quem não percebe nada de ciência, ou algo que o valha, nem consegue descodificar os textos ilustrativos das obras, giro!

Ao lado da corda os visitantes, poucos naquele momento, são abordados por um dos assistentes da sala. Convida-nos a entrar numa caixa negra anti-epilepsia. Depois de sentirmos um tremeliques, uns sons fortes e umas luzes intermitentes podemos levantar-nos, porque estivemos deitados durante dez minutos, Assustador!

Deixo a sala da ciência e vou até à maior colecção do edifício, no piso superior, construida propositadamente para a Capital Europeia da Cultura 2012. Um conjunto de casacos e camisolas que circulam por uma grande sala, pendurados em cabides fixados numa estrutura que os faz mover. Assim ao longe parecem cadáveres, e é isso mesmo que o autor quer mostrar, pessoas mortas, macabro!

Mais macabro ainda, no mesmo local é o contador de segundos com algarismos vermelhos que conta o tempo que o artista já viveu. Há-de parar de contar no dia da sua morte, ébrio!

Antes de sair da Fábrica ASA passo ainda pelo último espaço visitável, de novo no primeiro andar. O destaque vai para o caixão com a forma de Portugal, que dias antes tinha servido para fazer o funeral ao país que naquela cidade nasceu e que também o viu morrer, humorístico!  

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Forte Do Berço

em Guimarães, Portugal
Quem só agora se surpreende com a emancipação feminina é porque não conheceu a Condessa Mumadona Dias. Uma senhora que se viu a braços com a liderança do condado portucalense depois da morte do seu marido, Conde Hermenegildo Gonçalves. Com o poder nas mãos a senhora de posses invejáveis em toda a Peninsula Ibérica não se deixou abater pela perda do marido e toma decisões de grande relevância, manda construir, na parte baixa de Guimarães, o Mosteiro de Santa Maria e na parte alta o Castelo de S. Mamede. Mumadona Dias reflectiu na construção desta obra imponente o seu próprio poder perante os restantes senhores feudais.
A construção do Castelo de Guimarães teve importância capital na defesa do recém criado mosteiro de Santa Maria e, claro, das populações que por ali se foram fixando. A cidade passou a ter relevância uma vez que tinha altas condições de defesa.
Hoje em dia o Castelo de Guimarães está perfeitamente acessível e é, claro, uma das sete maravilhas portuguesas, que vale a pena visitar, num local agradavelmente conservado ideal para o repouso e passeio de famílias inteiras que querem ver o local onde D. Afonso Henriques passou grande parte da sua infância e, quem sabe, planeou liderar Portugal.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva '12

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Paço

em Guimarães, Portugal

De longe, incoscientemente, parece que deixamos Guimarães e passamos a estar na Londres industrial (as grandes chaminés cilíndricas enganam). A ilusão passa de pressa. Quando nos aproximamos e somos recebidos por D. Afonso Henriques, aquele que bateu na mãe e disse que a partir daquele momento seriamos portugueses. Mas deixemos de parte o primeiro rei de Portugal e concentremo-nos no Paço dos Duques de Bragança, hoje sede oficial da Presidência da República no Norte. 
Construido para D. Afonso viver com a sua segunda mulher, Dona Constança de Noronha, a obra era imponente para a época tornando-se num exemplar único em toda a Península Ibérica. Ainda assim após a morte de D. Constança (1480), primeira Duquesa de Bragança, o edifício foi, paulatinamente, deixado ao abandono e teve mesmo que sofrer obras de requalificação a partir de 1937, data em que também o interior foi amplamente recheado com objectos que ainda hoje estão à vista de quem os quiser admirar. Entre mobiliário, peças de decoração, armas ou arquitectura tudo está bem conservado e documentado. De todo o material destacam-se as Tapeçarias de Pastrana pelo grande contributo para a documentação dos descobrimentos portugueses que contam algumas das aventuras lusas pelo Norte de África. É também importante destacar o conjunto de móveis portugueses pós-descobrimentos nomeadamente o conjunto de contadores com as suas inúmeras gavetas. O Paço dos Duques de Bragança está repleto de autênticas obras de arte sendo uma grande parte de produção nacional. É impossível não lembrar os filmes e telenovelas de época e não imaginar aqueles espaços cheios de pessoas das mais altas classes portuguesas com roupas cheias de charme. 
O monumento nacional classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico está imponente a fazer sombra ao Castelo de Guimarães na Colina Sagrada e ambos criam a paisagem perfeita no coração da maternidade de Portugal.

FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva '12

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As Linhas Ricas Vimaranenses

em Guimarães, Portugal
Embora os artistas nacionais consagrados, com Joana Vasconcelos, tenham a sua assinatura nos desenhos, apenas as mãos mais delicadas e aprimoradas conseguem transpor para o tecido a elegância e perfeição reveladoras da perícia de mãos bem acostumadas às agulhas que conduzem as linhas azuis, beges, brancas, cinzentas, pretas ou vermelhas pelos bordados de Guimarães.
Reveladores de uma democracia transversal, eram regalia não só da franja da sociedade nobre e burguesa do século XIX e XX, como também do núcleo popular.
Na visita à Capital Europeia da Cultura 2012 o Bordado de Guimarães, também chamado de "Bordado Rico" é empolado e exaltado pelos Vimaranenses, e não é para menos. Muitos foram os artistas de renome que deram o seu trabalho de desenho às bordadeiras da cidade, para que estas pudessem concretizar autênticas obras de arte que estão expostas nas lojas de especialidade do Berço da Nação e que apenas as carteiras mais recheadas as podem alcançar.
É claro que as mãos que passam as linhas pelo tecido são importantes, ainda assim a mensagem passada  pelos especialistas demonstra relevância capital à qualidade do desenho para que o Bordado de Guimarães se distinga dos outros.
É no norte do país que vamos encontrar objectos de valor, belos e orgulhosamente portugueses.

FOTOGRAFIA: "Bordado de Guimarães, por Joana Vasconcelos" © CP'12

domingo, 26 de agosto de 2012

De Coimbra A Guimarães São 4 Horas De Caminho

em Guimarães, Portugal

A viagem até à Capital Europeia da Cultura, que em tempos viu nascer Portugal, faz-se de comboio. Regionais, Inter-Regionais e Urbanos, para ser mais barato. Sem grandes pressas para chegar. Saímos de Coimbra antes das oito da manha e chegamos a Guimarães depois das onze. E no entretanto é isto que se passa:
Coimbra - B

Adémia
Vilela - Fornos
Souselas
Pampilhosa
Mealhada

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Berço Da Nação

Guimarães tem em si carregado o peso de ter visto nascer Portugal. O Berço da Nação abre-se à europa e em 2012 tem ainda mais um motivo de orgulho aos ombros: é a Capital Europeia da Cultura. 
A cidade que serviu de pilar à fundação da nacionalidade é também aquela que viu nascer D. Afonso Henriques. O conquistador partiu de Guimarães à descoberta e à conquista daquele que viria a ser o seu reino. Depois de enfrentar e vencer a própria mãe o primeiro Rei de Portugal fixou quase todas as fronteiras e perdeu apenas a batalha onde tentou apoderar-se de Badajoz. Teve o maior reinado de sempre em terras lusas e, antes de morrer, deixou o poder a um dos seus sete filhos, D. Sancho I.
Num ano em que Guimarães está no centro da Europa é imperdoável não a visitar.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Locomotiva Dos Judeus

em Vilar Formoso, Portugal
Vilar Formoso está intimamente ligada aos caminhos de ferro e, pela sua posição geográfica, teve, ao longo da história, uma importância capital no controlo feito à passagem de pessoas e mercadorias pela fronteira entre Portugal e Espanha.
E é precisamente junto à linha que separa os países da Peninsula Ibérica que está actualmente uma locomotiva comprada pela CP em 1932. Com a B.A. 101 vieram para Portugal mais duas máquinas idênticas movidas a carvão e que faziam o transporte de milhares de pessoas vindas de toda a Europa. A Estação de caminhos de ferro de Vilar Formoso assumiu um papel de importância elevada aquando da II Guerra Mundial, época em que milhares de Judeus tentaram fugir da Alemanha, local onde eram perseguidos, torturados e mortos por Hitler. E foi nas carruagens puxadas pela velha B.A.101 que as vítimas do regime Nazi chegaram e entraram em Portugal, com a ajuda do Consul Português, Aristides de Sousa Mendes. O diplomata pagou caro pelos vistos, não autorizados pelo regime fascista português, que deram luz verde ao refúgio dos Judeus, acabando por morrer pobre e escorraçado mas de consciência tranquila. A máquina que tem o nome da linha por onde tanto circulou, B.A. 101 - Beira Alta 101, está actualmente em exposição na vilda de Vilar Formoso, em bom estado de conservação depois de ter passado anos e anos exposta às condições climatéricas menos favoráveis que a foram degradando.

domingo, 22 de julho de 2012

Alcatraz

Alcatraz é o nome de uma ilha Norte-Americana situada geograficamente no estado da Califórnia. 
Este pequeno pedaço de terra foi, em primeira instância utilizado como base militar, mas posteriormente foi convertido em prisão: uma das mais seguras do país e que albergava os mais perigosos criminosos como Al Capone, por exemplo.
Em 1963 o complexo foi oficialmente encerrado. Em causa estavam os custos de manutenção e o estado Americano chegou à conclusão que seria melhor construir uma nova prisão em vez de reparar aquela.
No início de 2012 estreou a série "Alcatraz". Com uma história policial rodeada de secretismo e alguma fantasia, J.J. Abrams (autor de séries como Lost e Fringe) conta como 63 pessoas, entre polícias e prisioneiros, desapareceram da ilha antes do seu encerramento e reapareceram paulatinamente nos tempos actuais.
Uma série à boa moda norte-americana com muita acção à mistura que vale a pena ver do primeiro ao último episódio. Lamentável é o seu cancelamento que impedirá uma segunda série, pelo menos para já.

sábado, 21 de julho de 2012

Os Alicerces De Coimbra

em Coimbra, Portugal
© CP'12
É com a promessa de se tornar num dos maiores museus portugueses que o Machado de Castro, em Coimbra, se mostra ao público ainda sem todas as suas mais valias visíveis, ainda assim é com agrado que podemos visitar o Criptopórtico Romano que sustentava o forum da cidade de Coimbra e, assim, compensando o declive acentuado da cidade. Até finais do século XVI esta estrutura foi usada na cidade.
A zona histórica transformada em museu desde 1911 nem sempre foi acessível uma vez que decorreram lá inúmeros trabalhos de pesquisa arqueológica e de restauro. Mas agora ele está acessível, de cara lavada e à espera da abertura total do Museu Nacional de Machado de Castro para que nos possamos deslumbrar com as suas restantes obras de arte.
© CP'12