sábado, 29 de setembro de 2012

Publicidade De Outros Tempos - 1

Publicidade ao Renault Clio publicada no Diário de Notícias do dia 23 de Novembro de 1992.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem Te Viu E Quem Te Vê

em Coimbra, Portugal
É das conversas que já mais ouvi e tenho a certeza que se viver mais cem anos vou continuar a ouvir, pelo menos se a Universidade de Coimbra se mantiver intacta. Coimbra morre no mês de Agosto. Sendo uma cidade quase exclusivamente dedicada ao ensino superior, com diversas instituições académicas e, claro, a mais antiga e melhor(+) Universidade do país, as férias escolares tiram o pilar que movimenta a cidade do Mondego: os estudantes. Por isso o melhor do Verão em Coimbra é mesmo quando acaba. Quase todos saem à rua na quinta-feira, que é por excelência o dia das saídas nocturnas, porque na maioria das faculdades não há aulas no dia seguinte e porque, sendo a maioria dos universitários residente fora da cidade, o fim de semana é usado para reencontrar e matar saudades da família. Quase todos saem de casa, mesmo havendo previsão de chuva, como era o caso do dia de ontem e a Praça da República, bem no coração da cidade, é o local privilegiado para os encontros. Acompanhados de vinho, cerveja ou bebidas mais espirituosas os académicos reúnem-se em círculos e falam da academia, do governo, da crise ou simplesmente cortam na casa uns dos outros. Foi desta forma que nasceram os movimentos reaccionários que fizeram história em Portugal ou que nasceram as mais brilhantes obras dos mais brilhantes escritores lusitanos. Mas em 2012, embora os encontros sejam semelhantes, as mentes parecem estar mais acomodados  Já não há luta, já não se discute política com palavrões, apenas surgem alguns lamentos, mas os estudantes parece que estão adormecidos. Ou talvez não. Pode ser que no momento desta foto, numa daquelas tertúlias tenhas nascido um movimento que faça força na mudança de paradigma social que toda a Europa vive. Também espero que o excesso de álcool não tenha servido para apagar as mentes de um ou outro iluminado que por ali tenha passado.
FOTOGRAFIA: © Diogo Pereira, tirada na Praça da República, em Coimbra no dia 28 de Setembro, há uma da manhã, com 9ºc e previsão de chuva.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um Café Igual A Uma Tarde De Repouso

em Paris, França

Viajar até Paris é viajar até ao mundo da arte maior, viver a cultura na primeira pessoa, atropelar todas as possíveis e imaginárias culturas enquanto caminhamos pelos Champs Elysees, ter experiências únicas, conhecer monumentos especiais e imponentes, ser cosmopolita, viver no frenesim, etc... Mas o que fazer nos entretantos? Sugiro que nas pausas entre museus se vá apontando no papel o nome da obra x que vimos no Museu Rodin ou o número de escadas que subimos na Torre Eifel. Tudo isto são boas soluções, mas em Fevereiro as temperaturas não são muito convidativas a fazer recuperações de memória nos jardins da capital Francesa. Portanto o melhor mesmo é entrar num café. Na loucura pedir um bica. E depois olhar para a factura que, por acaso até é apresentada com toda a simpatia e normalidade. 
O dinheiro que poupo (por ser menor de 26 anos e residente na União Europeia) nos museus e monumentos é directamente encaminhado para o preço do café que está mais caro que o litro da gasolina.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

ASu(A)stador!

em Guimarães, Portugal
A Capital Europeia da Cultura tem tudo. Coisas que se percebem bem, coisas que se percebem mal e coisas que, simplesmente, não se percebem. A arte tem destas coisas! Os devaneios do artista nem sempre são perceptíveis, ou então a mentalidade de quem olha para as obras é que não está devidamente aberta... ou fechada, quem sabe. Caixas com vibrações e sons anti-epilépticos, comboios telecomandados com telemoveis em cima das carruagens, cordas, ou cabos (não percebi o material) que giram insistentemente como um convite a saltar à corda, projectores que arrastam a imagem das pessoas que ousam passar na sua frente, estruturas de madeira com altura suficiente para fazer inveja à torre do Dubai, uma caixão com a forma de Portugal ou até um circuito de roupas penduradas por cabides a andarem às voltas numa grande sala acompanhadas por um cronómetro que conta os segundos de vida do autor daquela obra.
Uma grande confusão, mas o certo é que tudo isto faz parte de uma das estruturas culturais recém remodeladas, em Guimarães para acolher a Capital Europeia da Cultura. Mas tal é o seu caris alternativo que para a visitar é preciso apanhar um comboio, ou um autocarro, sair de Guimarães com destino a Covas e andar um metros a pé por um passeio minúsculo construído numa rua onde automóveis circulam a grande velocidade. Até o horário de funcionamento é diferente, enquanto os museus e estruturas culturais do centro da cidade funcionam até às seis da tarde (por norma) a gigantesca estrutura deslocalizada está aberta a visitas até à meia noite. A cultura é para todos os gostos na Fábrica ASA. 

Logo na entrada o cenário é de madeira. A primeira obra é uma grande torre, promovendo um suposto museu, que é possível visitar utilizando as escadas interiores. Ao subir os degraus a temperatura vai aumentando, mas não há problema porque no topo uma ventoinha arrefece as ideias dos visitantes que, imagine-se, encontram um mesa com folhas lisas e canetas de feltro para fazer desenhos e deixar mensagens, curioso!

Passando para o segundo espaço de exposição o espirito tecnológico, é levado ao extremo. A começar por um comboio (daqueles de brincar) que, supostamente, anda pela linha com ligações de telemoveis, infelizmente estava desligado, lamentável!

Andando mais um pouco o cenário é de projecção video. Será video? Aquilo parecia mais uma televisão sem descodificador TDT. A ideia daquela obra, parece-me, que é arrastar a imagem de da pessoa que passa em frente ao projector de video, ridículo!

Na mesma sala que expõem tecnologia de ponta é ainda possivel olhar para um monitor com um robô na imagem que soletra palavras em espanhol, estúpido!

Depois de caminhar mais dois ou três passos de boca aberta posso ver uma corda, ou cabo de metal, a girar de forma insistente sem parar. O efeito até tem a sua piada, mas a utilidade é imperceptível à vista de quem não percebe nada de ciência, ou algo que o valha, nem consegue descodificar os textos ilustrativos das obras, giro!

Ao lado da corda os visitantes, poucos naquele momento, são abordados por um dos assistentes da sala. Convida-nos a entrar numa caixa negra anti-epilepsia. Depois de sentirmos um tremeliques, uns sons fortes e umas luzes intermitentes podemos levantar-nos, porque estivemos deitados durante dez minutos, Assustador!

Deixo a sala da ciência e vou até à maior colecção do edifício, no piso superior, construida propositadamente para a Capital Europeia da Cultura 2012. Um conjunto de casacos e camisolas que circulam por uma grande sala, pendurados em cabides fixados numa estrutura que os faz mover. Assim ao longe parecem cadáveres, e é isso mesmo que o autor quer mostrar, pessoas mortas, macabro!

Mais macabro ainda, no mesmo local é o contador de segundos com algarismos vermelhos que conta o tempo que o artista já viveu. Há-de parar de contar no dia da sua morte, ébrio!

Antes de sair da Fábrica ASA passo ainda pelo último espaço visitável, de novo no primeiro andar. O destaque vai para o caixão com a forma de Portugal, que dias antes tinha servido para fazer o funeral ao país que naquela cidade nasceu e que também o viu morrer, humorístico!  

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Forte Do Berço

em Guimarães, Portugal
Quem só agora se surpreende com a emancipação feminina é porque não conheceu a Condessa Mumadona Dias. Uma senhora que se viu a braços com a liderança do condado portucalense depois da morte do seu marido, Conde Hermenegildo Gonçalves. Com o poder nas mãos a senhora de posses invejáveis em toda a Peninsula Ibérica não se deixou abater pela perda do marido e toma decisões de grande relevância, manda construir, na parte baixa de Guimarães, o Mosteiro de Santa Maria e na parte alta o Castelo de S. Mamede. Mumadona Dias reflectiu na construção desta obra imponente o seu próprio poder perante os restantes senhores feudais.
A construção do Castelo de Guimarães teve importância capital na defesa do recém criado mosteiro de Santa Maria e, claro, das populações que por ali se foram fixando. A cidade passou a ter relevância uma vez que tinha altas condições de defesa.
Hoje em dia o Castelo de Guimarães está perfeitamente acessível e é, claro, uma das sete maravilhas portuguesas, que vale a pena visitar, num local agradavelmente conservado ideal para o repouso e passeio de famílias inteiras que querem ver o local onde D. Afonso Henriques passou grande parte da sua infância e, quem sabe, planeou liderar Portugal.
FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva '12

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Paço

em Guimarães, Portugal

De longe, incoscientemente, parece que deixamos Guimarães e passamos a estar na Londres industrial (as grandes chaminés cilíndricas enganam). A ilusão passa de pressa. Quando nos aproximamos e somos recebidos por D. Afonso Henriques, aquele que bateu na mãe e disse que a partir daquele momento seriamos portugueses. Mas deixemos de parte o primeiro rei de Portugal e concentremo-nos no Paço dos Duques de Bragança, hoje sede oficial da Presidência da República no Norte. 
Construido para D. Afonso viver com a sua segunda mulher, Dona Constança de Noronha, a obra era imponente para a época tornando-se num exemplar único em toda a Península Ibérica. Ainda assim após a morte de D. Constança (1480), primeira Duquesa de Bragança, o edifício foi, paulatinamente, deixado ao abandono e teve mesmo que sofrer obras de requalificação a partir de 1937, data em que também o interior foi amplamente recheado com objectos que ainda hoje estão à vista de quem os quiser admirar. Entre mobiliário, peças de decoração, armas ou arquitectura tudo está bem conservado e documentado. De todo o material destacam-se as Tapeçarias de Pastrana pelo grande contributo para a documentação dos descobrimentos portugueses que contam algumas das aventuras lusas pelo Norte de África. É também importante destacar o conjunto de móveis portugueses pós-descobrimentos nomeadamente o conjunto de contadores com as suas inúmeras gavetas. O Paço dos Duques de Bragança está repleto de autênticas obras de arte sendo uma grande parte de produção nacional. É impossível não lembrar os filmes e telenovelas de época e não imaginar aqueles espaços cheios de pessoas das mais altas classes portuguesas com roupas cheias de charme. 
O monumento nacional classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico está imponente a fazer sombra ao Castelo de Guimarães na Colina Sagrada e ambos criam a paisagem perfeita no coração da maternidade de Portugal.

FOTOGRAFIA: © Cláudia Paiva '12

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As Linhas Ricas Vimaranenses

em Guimarães, Portugal
Embora os artistas nacionais consagrados, com Joana Vasconcelos, tenham a sua assinatura nos desenhos, apenas as mãos mais delicadas e aprimoradas conseguem transpor para o tecido a elegância e perfeição reveladoras da perícia de mãos bem acostumadas às agulhas que conduzem as linhas azuis, beges, brancas, cinzentas, pretas ou vermelhas pelos bordados de Guimarães.
Reveladores de uma democracia transversal, eram regalia não só da franja da sociedade nobre e burguesa do século XIX e XX, como também do núcleo popular.
Na visita à Capital Europeia da Cultura 2012 o Bordado de Guimarães, também chamado de "Bordado Rico" é empolado e exaltado pelos Vimaranenses, e não é para menos. Muitos foram os artistas de renome que deram o seu trabalho de desenho às bordadeiras da cidade, para que estas pudessem concretizar autênticas obras de arte que estão expostas nas lojas de especialidade do Berço da Nação e que apenas as carteiras mais recheadas as podem alcançar.
É claro que as mãos que passam as linhas pelo tecido são importantes, ainda assim a mensagem passada  pelos especialistas demonstra relevância capital à qualidade do desenho para que o Bordado de Guimarães se distinga dos outros.
É no norte do país que vamos encontrar objectos de valor, belos e orgulhosamente portugueses.

FOTOGRAFIA: "Bordado de Guimarães, por Joana Vasconcelos" © CP'12

domingo, 26 de agosto de 2012

De Coimbra A Guimarães São 4 Horas De Caminho

em Guimarães, Portugal

A viagem até à Capital Europeia da Cultura, que em tempos viu nascer Portugal, faz-se de comboio. Regionais, Inter-Regionais e Urbanos, para ser mais barato. Sem grandes pressas para chegar. Saímos de Coimbra antes das oito da manha e chegamos a Guimarães depois das onze. E no entretanto é isto que se passa:
Coimbra - B

Adémia
Vilela - Fornos
Souselas
Pampilhosa
Mealhada

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Berço Da Nação

Guimarães tem em si carregado o peso de ter visto nascer Portugal. O Berço da Nação abre-se à europa e em 2012 tem ainda mais um motivo de orgulho aos ombros: é a Capital Europeia da Cultura. 
A cidade que serviu de pilar à fundação da nacionalidade é também aquela que viu nascer D. Afonso Henriques. O conquistador partiu de Guimarães à descoberta e à conquista daquele que viria a ser o seu reino. Depois de enfrentar e vencer a própria mãe o primeiro Rei de Portugal fixou quase todas as fronteiras e perdeu apenas a batalha onde tentou apoderar-se de Badajoz. Teve o maior reinado de sempre em terras lusas e, antes de morrer, deixou o poder a um dos seus sete filhos, D. Sancho I.
Num ano em que Guimarães está no centro da Europa é imperdoável não a visitar.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Locomotiva Dos Judeus

em Vilar Formoso, Portugal
Vilar Formoso está intimamente ligada aos caminhos de ferro e, pela sua posição geográfica, teve, ao longo da história, uma importância capital no controlo feito à passagem de pessoas e mercadorias pela fronteira entre Portugal e Espanha.
E é precisamente junto à linha que separa os países da Peninsula Ibérica que está actualmente uma locomotiva comprada pela CP em 1932. Com a B.A. 101 vieram para Portugal mais duas máquinas idênticas movidas a carvão e que faziam o transporte de milhares de pessoas vindas de toda a Europa. A Estação de caminhos de ferro de Vilar Formoso assumiu um papel de importância elevada aquando da II Guerra Mundial, época em que milhares de Judeus tentaram fugir da Alemanha, local onde eram perseguidos, torturados e mortos por Hitler. E foi nas carruagens puxadas pela velha B.A.101 que as vítimas do regime Nazi chegaram e entraram em Portugal, com a ajuda do Consul Português, Aristides de Sousa Mendes. O diplomata pagou caro pelos vistos, não autorizados pelo regime fascista português, que deram luz verde ao refúgio dos Judeus, acabando por morrer pobre e escorraçado mas de consciência tranquila. A máquina que tem o nome da linha por onde tanto circulou, B.A. 101 - Beira Alta 101, está actualmente em exposição na vilda de Vilar Formoso, em bom estado de conservação depois de ter passado anos e anos exposta às condições climatéricas menos favoráveis que a foram degradando.

domingo, 22 de julho de 2012

Alcatraz

Alcatraz é o nome de uma ilha Norte-Americana situada geograficamente no estado da Califórnia. 
Este pequeno pedaço de terra foi, em primeira instância utilizado como base militar, mas posteriormente foi convertido em prisão: uma das mais seguras do país e que albergava os mais perigosos criminosos como Al Capone, por exemplo.
Em 1963 o complexo foi oficialmente encerrado. Em causa estavam os custos de manutenção e o estado Americano chegou à conclusão que seria melhor construir uma nova prisão em vez de reparar aquela.
No início de 2012 estreou a série "Alcatraz". Com uma história policial rodeada de secretismo e alguma fantasia, J.J. Abrams (autor de séries como Lost e Fringe) conta como 63 pessoas, entre polícias e prisioneiros, desapareceram da ilha antes do seu encerramento e reapareceram paulatinamente nos tempos actuais.
Uma série à boa moda norte-americana com muita acção à mistura que vale a pena ver do primeiro ao último episódio. Lamentável é o seu cancelamento que impedirá uma segunda série, pelo menos para já.

sábado, 21 de julho de 2012

Os Alicerces De Coimbra

em Coimbra, Portugal
© CP'12
É com a promessa de se tornar num dos maiores museus portugueses que o Machado de Castro, em Coimbra, se mostra ao público ainda sem todas as suas mais valias visíveis, ainda assim é com agrado que podemos visitar o Criptopórtico Romano que sustentava o forum da cidade de Coimbra e, assim, compensando o declive acentuado da cidade. Até finais do século XVI esta estrutura foi usada na cidade.
A zona histórica transformada em museu desde 1911 nem sempre foi acessível uma vez que decorreram lá inúmeros trabalhos de pesquisa arqueológica e de restauro. Mas agora ele está acessível, de cara lavada e à espera da abertura total do Museu Nacional de Machado de Castro para que nos possamos deslumbrar com as suas restantes obras de arte.
© CP'12
















sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cidade Com Vida Debaixo De Terra

em Paris, França
© DP'12
Os valores, as regras, as decisões existem desde sempre mas foram criados, recriados, adaptados e até aldrabados para que o Ser Humano pudesse voltar atrás. E a história vai-se repetindo, reproduzindo, afirmando ou simplesmente esquecendo, ainda assim há obras que, como o metropolitano de Paris, faziam sentido há 112 anos e que actualmente fazem as cidades viver.
O abismal em obras como a inicialmente conhecida "Estrada de Ferro Metropolitana", só é perceptível quando tomamos consciência do difícil que é fazer um túnel em pleno século XXI, e é então que a pergunta, óbvia, surge. Como é possível? 
Rede do metro de Paris (Mapa utilizado na minha visita à cidade)
Os números são o comprovativo necessário para demonstrar a grandiosidade deste meio de transporte que se congratula com o galardão de ser o quarto maior da Europa logo a seguir a Londres, Moscovo e Madrid, respectivamente. 
O sistema ferroviário subterrâneo está dividido em 16 linhas, com 213 quilómetros e mais de 300 estações separadas, em média, 300 metros. 

  
© DP'12
O Metropolitano da capital francesa tem investido bastante na modernização das linhas e, por conseguinte, no aumento da rapidez de viagem. A linha 14 e a linha 1 (representada na fotografia pela estação Franklin D. Roosevelt) estão inundadas de tecnologia. Os comboios circulam sem tripulação o que aumenta o espaço para passageiros nas carruagens. Por não existir maquinista todos os cais destas futuristas estações têm barreiras de segurança que apenas são abertas quando o comboio pára.

  
© CP'12
Paris é, de facto, uma metropole europeia e por isso a cultura aparece ao virar da esquina. E como não podia deixar de ser, o movimentado meio de transporte subterrâneo é palco de muitos eventos musicais. Podemos começar por duvidar das capacidades artísticas de quem toca ou representa no metro, mas nem precisamos de querer parar para isso acontecer. A qualidade invádenos, e não estando sujeitos ao ritmo frenético dos demais transeuntes acabamos por ficar a ouvir um acordeonista, um cantor ou até não menos vulgar uma banda de rock composta por vocalista, baixista, guitarrista e baterista. 
Mas nem só de música se faz a cultura metropolitana, são várias as estações que oferecem aos passageiros exposições de obras de arte feitas, por exemplo com materiais recicláveis.
Tudo isto num vão de escada do Metro de Paris que vive à velocidade da luz.


  
© DP'12
O Metro impõe-se como o meio de transporte ideal para visitar a cidade, a sua rapidez, flexibilidade e facilidade de utilização são motivos mais do que suficientes para estar no topo da lista do meio de transportes a utilizar. Perder-se é mesmo o mais difícil dentro da rede subterrânea. O Metro tem em todas as estações inúmeras placas indicativas e mapas muito fáceis de seguir que facilitam a vida aos passageiros.

São apontadas criticas a este meio de transporte, uma vez que a cidade não é visível através dele, mas com o tempo que se poupa entre monumentos e locais a visitar pode visitar-se toda a cidade com mais calma. A "Estrada de Ferro Metropolitana" serve também para ajudar a encontrar o norte quando nos perdemos à superficie, uma vez que basta procurar uma estação de metro para reencontrarmos o caminho para casa. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O Quarto De Hora Académico

em Coimbra, Portugal

Na paisagem Coimbrã há um elemento que rasga as fotografias e que se impõe.
A marcar as horas certas ou erradas, convenientes ou indesejadas a torre, mãe de quatro caprinos tem-se mantido na sua altivez desde 1733.

A velha torre da Cabra, hoje substituida pelos modernos relógios impostos aos estudantes que vivem freneticamente o seu ritmo académico, foi mandada construir em 1537. Mas não foi esta que chegou aos nossos dias. A disponibilidade financeira e, talvez mais importante, a excentricidade do nosso conhecido D. João V fizeram com que ela fosse aumentada para os 33 metros de altura e assim os seus quatro sinos e quatro relógios fossem vistos em toda a alta universitária (1733).
A sua utilização era regalia de toda a cidade ainda assim o seu principal objectivo era atingir os estudantes da Universidade que eram acordados, todas as manhas, pelo toque de um sino de nome "cabrão", vá-se lá saber porque... Ainda assim o sino mais importante e que torna conhecido o monumento é mesmo A Cabra.
É sabido que Coimbra sempre esteve na vanguarda das lutas estudantis. A sua tradição assim o impõe e, à época, era inevitável uma vez que a Universidade de Coimbra era única no país. E também nestas lutas esteve envolvida a torre e os badalos dos sinos que chegaram a ser roubados para que o "cabrão" não tocasse e, por conseguinte não houvesse obrigatoriedade de cumprir os horários académicos também eles diferentes do resto do país e mesmo da própria cidade de Coimbra. Actualmente os relógios da Universidade de Coimbra estão de acordo com o fuso horário nacional, mas, naquele tempo pode dizer-se que Portugal tinha 3 horas diferentes: (1) a do continente e arquipélago da Madeira, (2) a do arquipélago dos Açores e a da (3) Alta Universitária de Coimbra. Assim era, os relógios da velha torre eram atrasados quinze minutos para que o chamar dos estudantes para as aulas não fosse confundido com o chamar dos fiés para as missas.
A História "d'A Cabra", do cabrão e dos restantes sinos sem nome não se aprende numa subida ao topo da cidade, mas vale mesmo apena disfrutar de uma vista panorâmica que engloba toda a cidade do Mondego e essa, só se consegue no topo da velha Torre d'A Cabra, hoje de cara lavada e aberta ao público.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ponto & Vírgula


Foi em Outubro de 2011 que, numa reunião de redacção, enquanto se discutia a nova grelha de Inverno da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), me calhou, quase ao acaso, a coordenação do Ponto & Vírgula, e, por seu turno, a pasta editorial de Academia e Ensino Superior que ocupam os primeiros lugares da pirâmide invertida da RUC.

A primeira dor de cabeça que se almejava resolver era o nome do programa. Não podia continuar a chamar-se Observatório Superior porque o novo formato ía, ao contrário do anterior, integrar, também, toda a área da educação quer fosse ensino superior, primário, básico ou secundário. Assim, como quem não quer a coisa, acabo por lançar o nome "Ponto & Vírgula" para o ar. Mas porque "Ponto & Vírgula"? Nem eu próprio sei, mas o certo é que ficou e, ao mesmo tempo, inviabilizou o nome do Diabo a Quatro (programa da RUC com espaço para o debate de temas de nível nacional comentados por docentes das diferentes faculdades da Universidade de Coimbra (UC) ) que tinha como nome previsto "Pontos Cardeais" e, segundo a directora de informação, eram "pontos a mais" para uma só grelha de informação.

Na estreia, a 18 de Outubro de 2011, o programa que prometia abordar diferentes temas em diferentes formatos (entrevista, reportagem, debate, etc...), teve como convidado o reitor da UC, o Professor João Gabriel Silva. Pode-se dizer que esta primeira edição não podia ter corrido melhor, uma vez que as palavras do antigo director da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC foram ouvidas e destacadas na primeira página do Jornal de Notícias em manchete.

A partir daqui melhorar era difícil, mas continuava a ser importante ganhar espaço e reconhecimento.
Confesso que uma das maiores dificuldades é conseguir juntar na mesma mesa, entidades tão importantes quanto ocupadas como é o caso da Reitoria da UC ou da Camara Municipal.
Não tendo acesso aos dados, pelo "feedback"que me foi chegando, os programas mais ouvidos foram, sobretudo, dois: No auge das polémicas, mesmo a nível nacional, que levaram a praxe de novo para as primeiras páginas dos jornais, o programa que colocou o Dux Veteranorum e os professores da UC descontentes na mesma mesa foi, sem sombra de dúvidas, um dos programas mais ouvidos. Em segundo lugar penso que o debate que colocou Dino Alves e Fabian Figueiredo frente a frente também teve uma larga audiência uma vez que estes dois actores da vida política académica são conhecidos pelas suas divergências partidárias e de opinião.
De todos os programas destaco dois que gostei, particularmente de fazer. O primeiro refere-se à entrevista ao reitor da UC, porque, para qualquer jornalista, é bom ter alguém com responsabilidades que se pode comprometer com resoluções de problemas, ou até mesmo, esclarecer dúvidas que persistem. Em segundo lugar colo o penúltimo programa da série que foi conduzido a meias, no qual abordamos um tema que, muitas vezes, passa desapercebido, o regresso à faculdade de pessoas mais velhas que por alguma motivo tiveram que abandonar os estudos "quando eram novos".
O Ponto & Vírgula foi a escola necessária para cimentar pilares na formação que a Rádio Universidade de Coimbra me deu.

Lista de reprodução com os PodCasts do Ponto & Vírgula: