segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ponto & Vírgula


Foi em Outubro de 2011 que, numa reunião de redacção, enquanto se discutia a nova grelha de Inverno da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), me calhou, quase ao acaso, a coordenação do Ponto & Vírgula, e, por seu turno, a pasta editorial de Academia e Ensino Superior que ocupam os primeiros lugares da pirâmide invertida da RUC.

A primeira dor de cabeça que se almejava resolver era o nome do programa. Não podia continuar a chamar-se Observatório Superior porque o novo formato ía, ao contrário do anterior, integrar, também, toda a área da educação quer fosse ensino superior, primário, básico ou secundário. Assim, como quem não quer a coisa, acabo por lançar o nome "Ponto & Vírgula" para o ar. Mas porque "Ponto & Vírgula"? Nem eu próprio sei, mas o certo é que ficou e, ao mesmo tempo, inviabilizou o nome do Diabo a Quatro (programa da RUC com espaço para o debate de temas de nível nacional comentados por docentes das diferentes faculdades da Universidade de Coimbra (UC) ) que tinha como nome previsto "Pontos Cardeais" e, segundo a directora de informação, eram "pontos a mais" para uma só grelha de informação.

Na estreia, a 18 de Outubro de 2011, o programa que prometia abordar diferentes temas em diferentes formatos (entrevista, reportagem, debate, etc...), teve como convidado o reitor da UC, o Professor João Gabriel Silva. Pode-se dizer que esta primeira edição não podia ter corrido melhor, uma vez que as palavras do antigo director da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC foram ouvidas e destacadas na primeira página do Jornal de Notícias em manchete.

A partir daqui melhorar era difícil, mas continuava a ser importante ganhar espaço e reconhecimento.
Confesso que uma das maiores dificuldades é conseguir juntar na mesma mesa, entidades tão importantes quanto ocupadas como é o caso da Reitoria da UC ou da Camara Municipal.
Não tendo acesso aos dados, pelo "feedback"que me foi chegando, os programas mais ouvidos foram, sobretudo, dois: No auge das polémicas, mesmo a nível nacional, que levaram a praxe de novo para as primeiras páginas dos jornais, o programa que colocou o Dux Veteranorum e os professores da UC descontentes na mesma mesa foi, sem sombra de dúvidas, um dos programas mais ouvidos. Em segundo lugar penso que o debate que colocou Dino Alves e Fabian Figueiredo frente a frente também teve uma larga audiência uma vez que estes dois actores da vida política académica são conhecidos pelas suas divergências partidárias e de opinião.
De todos os programas destaco dois que gostei, particularmente de fazer. O primeiro refere-se à entrevista ao reitor da UC, porque, para qualquer jornalista, é bom ter alguém com responsabilidades que se pode comprometer com resoluções de problemas, ou até mesmo, esclarecer dúvidas que persistem. Em segundo lugar colo o penúltimo programa da série que foi conduzido a meias, no qual abordamos um tema que, muitas vezes, passa desapercebido, o regresso à faculdade de pessoas mais velhas que por alguma motivo tiveram que abandonar os estudos "quando eram novos".
O Ponto & Vírgula foi a escola necessária para cimentar pilares na formação que a Rádio Universidade de Coimbra me deu.

Lista de reprodução com os PodCasts do Ponto & Vírgula:

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Coimbra: Um Bom Sítio Para Estudar ▷

em Coimbra, Portugal
Aliando qualidade, excelência e rigor a Universidade de Coimbra é o local perfeito para estudar e sair "bem formado".


Coordenação: Prof. Beatriz Marques Filmagem: Diogo Pereira, Miguel Pacheco, Ricardo Vicente Montagem: Diogo Pereira, Miguel Pacheco  Testemunhos: Cláudia Paiva, Sara Luís, Catarina Batista, Helena Leitão, Dora Salgado, Diogo Lopes, Maria João Soares, Miguel Pacheco, Ana Sousa ©CIAB, Ciência da Informação Arquivística e Biblioteconómica, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2012.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Final Da Taça Marca Luta Estudantil

em Oeiras, Portugal




























A primeira já morava em Coimbra e 73 anos depois da final de 1939 a Briosa arrecada o segundo troféu da prova rainha do futebol português.

Mais do que um dos jogos do ano, a Final da Taça de Portugal é a festa que marca o fim do ciclo futebolístico nacional. O pão com chouriço, a bifana, as toalhas aos quadrados vermelhos e brancos, a cerveja e o vinho são os ingredientes da festa da família num recinto histórico numa das pontas da capital. O Jamor já foi melhor. Também já lhe foi exigido menos. Mas hoje em dia são fracas as condições para acolher um tão importante evento como este. Ainda assim, o jogo no relvado é o que menos importa. 
Neste caso a final da taça é ainda mais importante pela carga política que os estudantes da cidade universitária, por excelência, quiseram impor. As dificuldades financeiras que a classe estudantil atravessa esteve bem presente no intervalo do jogo que opôs a Académica ao Sporting. Percebia-se claramente que havia uma mensagem a passar e que aqueles jovens não estavam ali apenas pelo jogo. Aproveitando o mediatismo associado ao evento a Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra impôs a sua presença através de faixas gigantes e lençóis que cobriam a claque vinda de Coimbra. "Futuro negro no ensino superior" e "mais de 11 mil bolsas recusadas" eram algumas das frases impressas a preto em fundo branco.
No final da partida, com fracos momentos de qualidade desportiva, a Taça acabou mesmo por viajar até Coimbra onde deu o mote à festa pela noite dentro.
Publicado no:

domingo, 20 de maio de 2012

É Magia

em Coimbra, Portugal

A magia não existe. A matemática bate sempre certo. Duas premissas, uma conclusão: mentira.
Parece que deixamos todo o nosso conhecimento de parte, tudo aquilo que sabemos é mentira. Não há verdades absolutas ou relativas. Pura e simplesmente não existem. Assim é a mente do mais sábio dos sábios ou do mais ignorante dos ignorantes. Ter a Quarta Classe ou ser doutorado em Física Quântica. Estamos todos em pé de igualdade ao assistirmos a um espectáculo de ilusionismo. Ou melhor, de magia. 
É difícil descrever um envolvimento tão sincero, tão desinteressado e, ao mesmo tempo, tão ingénuo. A pergunta é sempre a mesma: como se faz? A resposta, inconscientemente, preferimos que ninguém nos dê. Que continuem a deixar-nos com a pulga atrás da orelha e a disfrutar de minutos num mundo onde parece tão fácil ver os problemas resolvidos, que talvez nem existam.
Cotação máxima na bolsa de borboletas do Luís de Matos que provocou um imenso CHAUS na minha cabeça.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Poder Da Palavra Enrolada






























A dificuldade de alguns é o trunfo de outros. É certo que nem toda a gente consegue ter um discurso fluido em público, mas os que conseguem, ganham pontos a seu favor e mudam opiniões.

A questão da argumentação e da retórica não é nova. Já no século Vº (a.c.) foi construido o primeiro tratado de argumentação. Mas vamos à história. A Sicilia, no Egipto, passou a ser governada por dois tiranos que retiravam as terras aos proprietários e as entregavam aos militares. Passado algum tempo a tirania foi derrubada e os proprietários quiseram recuperar o que era seu por direito. Para isto Córax e Tísias desenvolveram o primeiro Tratado de Argumentação para ser utilizado pelos donos das terras que levantaram inúmeros processos em tribunal.
Mas se neste mito fundador, a retórica era utilizada para fazer valer factos verdadeiros depressa passou a servir interesses. A Retórica não precisa de conhecer a realidade das coisas; basta-lhe um certo procedimento de persuasão por si inventado para que pareça, diante dos ignorantes, mais sábia que os sábios, afirmou Sócrates. Também Aristóteles vincou esta ideia: a retórica tem base numa verdade provável, e não provada; plausível, e não certa; verosímil, e não evidente, concluiu.
Parece que actualmente esta ideia não só não se alterou, como acabou por se agravar. Se no princípio a retórica defendia verdades e direitos, a determinada altura passou a defender apenas meias verdades, por vezes condenáveis. Agora até já uma mentira com uma boa base de argumentação parece tornar-se verdade. O tempo evolui e a argumentação é fundamental para mudar mentalidades. Será correcto fazer isto com premissas falsas? Aliás, será que existem mesmo premissas falsas?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

América Às Direitas ▷



John Kennedy foi um homem que conseguiu colocar as finanças norte-americanas na linha com as suas políticas que reduziram a austeridade e a agressividade para a população dos Estados Unidos. Nem todas as suas acções foram louváveis, mas pode deixar-nos a pensar nas linhas económicas que são seguidas actualmente na Europa. Depois do bom e do mau, Kennedy acabou morto de forma pouco honrada com dois tiros na cabeça. 

Permanece uma frase que me parece acertada e que deve ser levada em conta nas decisões que tomamos hoje em dia: "Ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country." (Não perguntes ao teu país o que ele pode fazer por ti. Pergunta antes o que tu podes fazer pelo teu país.) Quer-me parecer que uma boa solução para a crise: cada um fazer a sua parte.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Do Mais, O Menos

em Paris, França
© CP'12



Na Rua Rivoli, em Paris, está um dos melhores museus do mundo. Cenário de filmes o Louvre atrai por tudo menos pela Mona Lisa.


Confesso que não as contei, mas depois de uma breve pesquisa cheguei ao redondo número de 380 mil obras. Um número destes é, por si só, esclarecedor da atracção dum museu que não se pode destacar apenas por um só retrato.
Para começar o edifício onde se situa o museu mais visitado do mundo é duma imponência tal que, como se costuma dizer, deve ter uma código postal só para si. O real Castelo do Louvre tem mais de 800 anos e aquando da sua fundação, por Filipe II, tinha como principal função a protecção de Paris das invasões Vikings. Daí a sua grandeza. 
Mas voltando ao actual Museu do Louvre, embora as obras lá presentes sejam famosíssimas e de pura beleza é óbvio que quando se fala em Louvre, fala-se em Mona Lisa. Por curioso que pareça todos os que vêem o retrato, pintado por Leonardo Da Vinci, ficam desiludidos. O quadro é pequeno, está rodeado de segurança, tem um vidro que impede a qualidade das fotografias e montes de chineses a tirar fotos em todas as posições à frente da barreira que fica, exagerando, meio quilómetro afastada da obra.
© CP'12
No meio de tanta e tão boa arte para quê perder tempo com esta que, embora envolvida de fama e misticismo, pouco mais é que um retrato como tantos outros que já vimos. É ainda um desrespeito pelo próprio autor que mais vistosas obras assinou.

Depois de ultrapassada a frustração causada pela apoucada Mona, a visita continua. A partir daqui sim. Sem desilusões. Agora a palavra chave é surpresa. Quando não se está à espera de nada, o qualquer coisa já é bom. Mas o Louvre dá-nos mais que qualquer coisa, dá-nos tudo.
Obras de grandes artistas europeus destacam-se assim como se destaca um leque vasto de artefactos do Egipto que parecem nunca ter saído de moda.
© CP'12
O Museu do Louvre é, de facto, fantástico. Visita-lo com minúcia e degusta-lo devidamente requer mais tempo que uma simples manha. Merece até uma viajem de propósito a Paris apenas com o objectivo de vasculhar oito mil anos de Oriente e Ocidente.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Pensador

em Paris, França

© CP'12
A obra de Auguste Rodin é uma das boas surpresas quando passamos pelos jardins do antigo Hotel Biron, transformado no museu com a mais vasta colecção do escultor. Embora existam várias cópias desta obra, a original apenas se pode visitar no Musée Rodin, em Paris.

domingo, 13 de maio de 2012

Crónica De Um Estudante Molhado

em Coimbra, Portugal
© ISA, AG: A CABRA'12 
Uma semana de Festa. A maior entre todas, diz-se. A verdadeira Queima das Fitas já acabou e, agora, sobram os sapatos enlameados.

As promessas são sempre as mesmas: "picar o ponto" todos os dias, ser varrido, de manha, pelos seguranças quando a música acabar e o recinto estiver para fechar e, claro, entre a entrada e saída regar bem o espírito que vem já bem aconchegado pelos típicos jantares que acabam por volta das três da manhã.
Se a falta de ocupação diurna, no meu primeiro ano, me fez cumprir todos estes votos de forma muito facilitada, já este ano não posso dizer o mesmo.
O mais curioso na Queima das Fitas é que por mais que se critique a falta de qualidade do cartaz, há gente que vem de todo o lado só para viver o espírito da cidade dos estudantes. Espirito esse que não passa por uma ou duas horas em frente ao palco.
Mas afinal o que é o tão exaltado espírito académico? A resposta mais correcta deve recair sobre todos os acontecimentos que envolvem os estudantes e a cidade como é o caso da Serenata Monumental, a capa e a batina, a praxe coerente ou até mesmo a garraiada na Figueira da Foz. Mas embora esta seja a resposta mais correcta nem sempre é a mais dada. O espírito académico é a cerveja aos montes engolida com uma rapidez recorde para culminar numa bebedeira orgulhosa.
© 
Por estranho que pareça o maior orgulho nas bebedeiras da Queima parece ser mesmo dos familiares (muitas vezes pais e irmãos) que visitam a cidade no dia do cortejo e fotografam os seus rebentos a sugarem cerveja como se não houvesse amanha e de sorriso nos lábios ainda dizem aos filhos mais novos: "- Estuda, meu filho, que daqui por uns anos és tu que estás ali.".
Ainda assim compreendo melhor os excessos alcoólicos que fazem desinibir os foliões do cortejo (sem contar com os que entopem os hospitais) do que o desperdício de cerveja. Mais uma tradição que parece ter sido anexada à cidade do Mondego: abrir latas de cerveja e despeja-las por cima dos colegas. Não consigo compreender porque é que isto se faz e até nem acho grande piada.
© SB, RUC'12
Embora neste meu segundo ano de Queima, bandas houveram que me chamaram a atenção e foram capazes de me prender por algum tempo, confesso que apenas o Rei da música popular ainda me consegue manter em frente ao palco durante cerca de hora e meia. Não percebo porque. Como se costuma dizer "é vira o disco e toca o mesmo". Mas já é habitual o Quim Barreiros puxar o povo até ao recinto em dia de cansaço provocado pelos passos largos dados durante a tarde de domingo no cortejo da Queima. Uns passos de dança ao som dos hits deste senhor, estimulados pela cerveja e sangria bebidas ao jantar, são suficientes para levar a noite como ganha.
Embora o balanço desta Queima seja positivo não conseguiu superar a do ano anterior. Lamento. E muito.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Símbolo De Vitória

em Paris, França

© CP'12

Numa das pontas dos Campos Elísios, Napoleão Bonaparte, mandou erguer a obra que consagrava as suas vitórias militares. O mau agouro Português reflecte-se nas paredes onde estão inscritos os fracos que sucumbiram nas mãos francesas. 


Sem entrar, a beleza do Arco do Triunfo é bem perceptível. Depois de passar o túnel de acesso à rotunda que o acolhe, circundada pelo frenesim dos parisienses que, de carro, por ali passam, a beleza daquele monumento é devastadora. Saber que a construção assenta, puramente, no empolamento das vitórias francesas é ainda mais fascinante. Não há ali qualquer estratagema militar, religioso ou do que quer que seja. Nós ganhámos e queremos dizer ao mundo que ganhámos! Terá sido este o espírito do líder político que comandou as invasões francesas quando mandou construir esta obra.


© CP'12

Os turistas que lá passam (a menos que sejam asiáticos, africanos ou americanos) não gostam certamente de ver o nome das cidades dos seus países ali inscritas. - Falo por mim! O nome de Almeida naquela parede levou-me a premir o flash da câmara fotográfica, mas afectou o meu orgulho. Confesso mesmo que, mentalmente, soltei um palavrão.


© CP'12

Se os Europeus que visitarem o Arco do Triunfo não se sentirem vilipendiados não vão querer perder a oportunidade de subir ao monumento, até porque se quiserem vão, certamente, arrepender-se. A vista sobre a cidade do Sena é fenomenal, imponente e de cortar a respiração. Faz esquecer qualquer orgulho ferido. Orgulho este que por ter sido arranhado me faz adjectivar mais básicamente este monumento e, confesso, a própria cidade de Paris.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Se Estiver A Divagar Pára De Escrever

Que as novas tecnologias ainda não são consensuais já todos sabemos, mas aquilo que ainda não sabemos é que um jornalista da escrita deve usar um bloco de notas em vez de um gravador quando faz uma entrevista.

A vantagem de se fazer uma entrevista para um jornal reside no objecto de captação de ideias do entrevistado. Pode parecer confuso mas na obra "A Entrevista Escrita e o Perfil", Henri Montant, explica tudo.
Um gravador, um microfone ou até mesmo uma câmara de televisão podem intimidar fortemente um interlocutor que não esteja habituado a dar entrevistas, assim o autor da obra de que vos falo diz que a melhor forma disto se resolver é com a utilização do bloco de notas, afirmando mesmo que "nada substitui a tomada de notas, inteligente, selectiva e atenta" e que o gravador se deve reservar a "entrevistas muito técnicas, cheias de números". Montant alerta também para a falibilidade de um aparelho de gravação audio que se pode avariar "ao contrário da inteligência e da atenção de quem toma as notas à mão". O mais curioso é que o autor da obra publicada, em português, em 2002 dá um conselho - No caso de o entrevistado começar a divagar o jornalista deve parar de escrever e pousar a caneta em cima da mesa.
Creio que um pequeno gravador em cima da mesa, discreto o suficiente, não vai deixar nervoso ou em pânico o entrevistado e assim o jornalista pode preocupar-se com as perguntas que preparou previamente e assim guardar os apontamentos para questões fracturantes que pretenda, ainda, ver respondidas nessa mesma entrevista sem que as tenha preparado, questões essas que vão surgindo no calor da conversa.

domingo, 25 de março de 2012

Censura Consentida(o)

A Censura à Imprensa na Época Marcelista de Arons de Carvalho


A censura é sempre vista como factor repressivo que condiciona a liberdade de expressão e de imprensa. Mas a história conta-nos que ser censurado já foi motivo de patriotismo, mesmo depois de voltas e reviravoltas na aplicação dos cortes.
Com a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial o governo, a 12 de Março de 1916, viu-se obrigado a dar poderes às autoridades policiais e administrativas para apreender qualquer publicação que visasse, nos seus artigos, questões relacionadas com a segurança interna e externa do país. 
O modelo de apreensão, como era expectável, não gradava aos directores dos jornais visados. Por este motivo o governo optou por instituir um modelo de censura prévia, medida que foi bem aceite pelos jornais já que se evitava a retirada do mercado das publicações.
Esta nova forma de censurar era bastante curiosa uma vez que os cortes feitos nos textos não eram substituidos. Assim o jornal era publicado com o espaço deixado em branco. 
No início, a vigência desta nova lei da comunicação social incidia principalmente sobre notícias de caracter militar. Entretanto, progressivamente, a acção de censura começa a alargar o seu âmbito e a incidir, também, em notícias relacionadas com incidentes no parlamento. Por outro lado não são censuradas as notícias que visam a própria censura, como é observável, por exemplo, no órgão A Luta que a 1 de Julho de 1916 publica um artigo intitulado "Onze Cortes" onde refere que a sua última publicação teve, precisamente 11 artigos censurados.
Apesar de todas estas abertas e liberdades no próprio acto de censurar, o descontentamento dos jornais começa a generalizar-se e as críticas são lançadas ao governo, agora ocupado pelo Partido Republicano Português. Com a irredutibilidade dos governantes os directores da maioria dos jornais começa a espicaçar e empolar cada vez mais os factos nas notícias e os cortes sucedem-se em maior número. E, na época, um jornal com muitos espaços em branco era, para o leitor, sinónimo de rigor na abordagem dos factos. Tudo isto leva a uma união das publicações periódicas o que se traduz no retrocesso da legislação que é reposta na sua origem. A censura passa, de novo, a recair apenas sobre artigos relacionados com a guerra.
Dois meses depois, demagogicamente, Sidónio Pais decide-se pelo levantamento da censura.
Mas as voltas da censura são intermináveis e 19 dias depois do radicalismo de Sidónio Pais, o ministro Machado dos Santos repõem os cortes prévios a artigos relacionados com militarismos e segurança interna.
A falta de rigor relacionado com a implementação da censura deixa os jornais descontentes e obriga a redução do âmbito da mesma.
Quando a guerra chega ao fim a liberdade de imprensa não é restabelecida imediatamente e o governo justifica a permanência da fiscalização, desta vez, com a ameaça da monarquia.
A Guerra tinha acabado e a monarquia estava controlada e a 28 de Fevereiro de 1919 é levantada a censura "por terem cessado as causas que determinavam o seu funcionamento", como refere o Diário de Notícias do dia seguinte (1.3.1919).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Guerra Da Rádio Que Envolveu Os Mundos ▷

A Guerra dos Mundos foi um episódio radiofónico interpretado e  coordenado por Orson Welles na CBS com base na obra de ficção científica de H.G. Wells publicada em finais do século XIX. Este acontecimento é importante, não só para os meios de comunicação social, como, também, para a própria procura do saber relativamente à reacção da sociedade a determinados estímulos.