segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Pensador

em Paris, França

© CP'12
A obra de Auguste Rodin é uma das boas surpresas quando passamos pelos jardins do antigo Hotel Biron, transformado no museu com a mais vasta colecção do escultor. Embora existam várias cópias desta obra, a original apenas se pode visitar no Musée Rodin, em Paris.

domingo, 13 de maio de 2012

Crónica De Um Estudante Molhado

em Coimbra, Portugal
© ISA, AG: A CABRA'12 
Uma semana de Festa. A maior entre todas, diz-se. A verdadeira Queima das Fitas já acabou e, agora, sobram os sapatos enlameados.

As promessas são sempre as mesmas: "picar o ponto" todos os dias, ser varrido, de manha, pelos seguranças quando a música acabar e o recinto estiver para fechar e, claro, entre a entrada e saída regar bem o espírito que vem já bem aconchegado pelos típicos jantares que acabam por volta das três da manhã.
Se a falta de ocupação diurna, no meu primeiro ano, me fez cumprir todos estes votos de forma muito facilitada, já este ano não posso dizer o mesmo.
O mais curioso na Queima das Fitas é que por mais que se critique a falta de qualidade do cartaz, há gente que vem de todo o lado só para viver o espírito da cidade dos estudantes. Espirito esse que não passa por uma ou duas horas em frente ao palco.
Mas afinal o que é o tão exaltado espírito académico? A resposta mais correcta deve recair sobre todos os acontecimentos que envolvem os estudantes e a cidade como é o caso da Serenata Monumental, a capa e a batina, a praxe coerente ou até mesmo a garraiada na Figueira da Foz. Mas embora esta seja a resposta mais correcta nem sempre é a mais dada. O espírito académico é a cerveja aos montes engolida com uma rapidez recorde para culminar numa bebedeira orgulhosa.
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Por estranho que pareça o maior orgulho nas bebedeiras da Queima parece ser mesmo dos familiares (muitas vezes pais e irmãos) que visitam a cidade no dia do cortejo e fotografam os seus rebentos a sugarem cerveja como se não houvesse amanha e de sorriso nos lábios ainda dizem aos filhos mais novos: "- Estuda, meu filho, que daqui por uns anos és tu que estás ali.".
Ainda assim compreendo melhor os excessos alcoólicos que fazem desinibir os foliões do cortejo (sem contar com os que entopem os hospitais) do que o desperdício de cerveja. Mais uma tradição que parece ter sido anexada à cidade do Mondego: abrir latas de cerveja e despeja-las por cima dos colegas. Não consigo compreender porque é que isto se faz e até nem acho grande piada.
© SB, RUC'12
Embora neste meu segundo ano de Queima, bandas houveram que me chamaram a atenção e foram capazes de me prender por algum tempo, confesso que apenas o Rei da música popular ainda me consegue manter em frente ao palco durante cerca de hora e meia. Não percebo porque. Como se costuma dizer "é vira o disco e toca o mesmo". Mas já é habitual o Quim Barreiros puxar o povo até ao recinto em dia de cansaço provocado pelos passos largos dados durante a tarde de domingo no cortejo da Queima. Uns passos de dança ao som dos hits deste senhor, estimulados pela cerveja e sangria bebidas ao jantar, são suficientes para levar a noite como ganha.
Embora o balanço desta Queima seja positivo não conseguiu superar a do ano anterior. Lamento. E muito.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Símbolo De Vitória

em Paris, França

© CP'12

Numa das pontas dos Campos Elísios, Napoleão Bonaparte, mandou erguer a obra que consagrava as suas vitórias militares. O mau agouro Português reflecte-se nas paredes onde estão inscritos os fracos que sucumbiram nas mãos francesas. 


Sem entrar, a beleza do Arco do Triunfo é bem perceptível. Depois de passar o túnel de acesso à rotunda que o acolhe, circundada pelo frenesim dos parisienses que, de carro, por ali passam, a beleza daquele monumento é devastadora. Saber que a construção assenta, puramente, no empolamento das vitórias francesas é ainda mais fascinante. Não há ali qualquer estratagema militar, religioso ou do que quer que seja. Nós ganhámos e queremos dizer ao mundo que ganhámos! Terá sido este o espírito do líder político que comandou as invasões francesas quando mandou construir esta obra.


© CP'12

Os turistas que lá passam (a menos que sejam asiáticos, africanos ou americanos) não gostam certamente de ver o nome das cidades dos seus países ali inscritas. - Falo por mim! O nome de Almeida naquela parede levou-me a premir o flash da câmara fotográfica, mas afectou o meu orgulho. Confesso mesmo que, mentalmente, soltei um palavrão.


© CP'12

Se os Europeus que visitarem o Arco do Triunfo não se sentirem vilipendiados não vão querer perder a oportunidade de subir ao monumento, até porque se quiserem vão, certamente, arrepender-se. A vista sobre a cidade do Sena é fenomenal, imponente e de cortar a respiração. Faz esquecer qualquer orgulho ferido. Orgulho este que por ter sido arranhado me faz adjectivar mais básicamente este monumento e, confesso, a própria cidade de Paris.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Se Estiver A Divagar Pára De Escrever

Que as novas tecnologias ainda não são consensuais já todos sabemos, mas aquilo que ainda não sabemos é que um jornalista da escrita deve usar um bloco de notas em vez de um gravador quando faz uma entrevista.

A vantagem de se fazer uma entrevista para um jornal reside no objecto de captação de ideias do entrevistado. Pode parecer confuso mas na obra "A Entrevista Escrita e o Perfil", Henri Montant, explica tudo.
Um gravador, um microfone ou até mesmo uma câmara de televisão podem intimidar fortemente um interlocutor que não esteja habituado a dar entrevistas, assim o autor da obra de que vos falo diz que a melhor forma disto se resolver é com a utilização do bloco de notas, afirmando mesmo que "nada substitui a tomada de notas, inteligente, selectiva e atenta" e que o gravador se deve reservar a "entrevistas muito técnicas, cheias de números". Montant alerta também para a falibilidade de um aparelho de gravação audio que se pode avariar "ao contrário da inteligência e da atenção de quem toma as notas à mão". O mais curioso é que o autor da obra publicada, em português, em 2002 dá um conselho - No caso de o entrevistado começar a divagar o jornalista deve parar de escrever e pousar a caneta em cima da mesa.
Creio que um pequeno gravador em cima da mesa, discreto o suficiente, não vai deixar nervoso ou em pânico o entrevistado e assim o jornalista pode preocupar-se com as perguntas que preparou previamente e assim guardar os apontamentos para questões fracturantes que pretenda, ainda, ver respondidas nessa mesma entrevista sem que as tenha preparado, questões essas que vão surgindo no calor da conversa.

domingo, 25 de março de 2012

Censura Consentida(o)

A Censura à Imprensa na Época Marcelista de Arons de Carvalho


A censura é sempre vista como factor repressivo que condiciona a liberdade de expressão e de imprensa. Mas a história conta-nos que ser censurado já foi motivo de patriotismo, mesmo depois de voltas e reviravoltas na aplicação dos cortes.
Com a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial o governo, a 12 de Março de 1916, viu-se obrigado a dar poderes às autoridades policiais e administrativas para apreender qualquer publicação que visasse, nos seus artigos, questões relacionadas com a segurança interna e externa do país. 
O modelo de apreensão, como era expectável, não gradava aos directores dos jornais visados. Por este motivo o governo optou por instituir um modelo de censura prévia, medida que foi bem aceite pelos jornais já que se evitava a retirada do mercado das publicações.
Esta nova forma de censurar era bastante curiosa uma vez que os cortes feitos nos textos não eram substituidos. Assim o jornal era publicado com o espaço deixado em branco. 
No início, a vigência desta nova lei da comunicação social incidia principalmente sobre notícias de caracter militar. Entretanto, progressivamente, a acção de censura começa a alargar o seu âmbito e a incidir, também, em notícias relacionadas com incidentes no parlamento. Por outro lado não são censuradas as notícias que visam a própria censura, como é observável, por exemplo, no órgão A Luta que a 1 de Julho de 1916 publica um artigo intitulado "Onze Cortes" onde refere que a sua última publicação teve, precisamente 11 artigos censurados.
Apesar de todas estas abertas e liberdades no próprio acto de censurar, o descontentamento dos jornais começa a generalizar-se e as críticas são lançadas ao governo, agora ocupado pelo Partido Republicano Português. Com a irredutibilidade dos governantes os directores da maioria dos jornais começa a espicaçar e empolar cada vez mais os factos nas notícias e os cortes sucedem-se em maior número. E, na época, um jornal com muitos espaços em branco era, para o leitor, sinónimo de rigor na abordagem dos factos. Tudo isto leva a uma união das publicações periódicas o que se traduz no retrocesso da legislação que é reposta na sua origem. A censura passa, de novo, a recair apenas sobre artigos relacionados com a guerra.
Dois meses depois, demagogicamente, Sidónio Pais decide-se pelo levantamento da censura.
Mas as voltas da censura são intermináveis e 19 dias depois do radicalismo de Sidónio Pais, o ministro Machado dos Santos repõem os cortes prévios a artigos relacionados com militarismos e segurança interna.
A falta de rigor relacionado com a implementação da censura deixa os jornais descontentes e obriga a redução do âmbito da mesma.
Quando a guerra chega ao fim a liberdade de imprensa não é restabelecida imediatamente e o governo justifica a permanência da fiscalização, desta vez, com a ameaça da monarquia.
A Guerra tinha acabado e a monarquia estava controlada e a 28 de Fevereiro de 1919 é levantada a censura "por terem cessado as causas que determinavam o seu funcionamento", como refere o Diário de Notícias do dia seguinte (1.3.1919).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Guerra Da Rádio Que Envolveu Os Mundos ▷

A Guerra dos Mundos foi um episódio radiofónico interpretado e  coordenado por Orson Welles na CBS com base na obra de ficção científica de H.G. Wells publicada em finais do século XIX. Este acontecimento é importante, não só para os meios de comunicação social, como, também, para a própria procura do saber relativamente à reacção da sociedade a determinados estímulos.